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O espaço, administrado por Elida Tessler e Jailton Moreira, nasceu em 1993. Desde sua inauguração, delineava-se o que viria a ser, sua marca registrada: as intervenções. Elida foi a primeira artista a interferir na pequena sala, uma espécie de torre, situada na parte superior do casarão. Nos últimos onze anos, sessenta e oito artistas, nacionais e estrangeiros, foram convidados a realizar trabalhos especialmente concebidos para aquele espaço, desencadeando o debate sobre questões relativas a arte contemporânea.
As fotos aqui
apresentadas mostram as muitas transformações pelas quais a pequena
torre passou durante esse tempo. Todas as atividades foram registradas
por Elida e Jailton, constituindo assim, excelente acervo composto por
fotos, vídeos, textos e matérias de jornais e revistas. Um olhar
atento sobre o material revela o trabalho, a dedicação e a
persistência que os dois artistas dedicam ao projeto. Eunice Gavioli e Leandro Selister |
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O Torreão inaugurado em 19 de junho de 1993, em Porto Alegre, pelos artistas plásticos Elida Tessler e Jailton Moreira, surgiu da conjugação de duas necessidades básicas. Por um lado, a urgência em encontrar um espaço mais amplo para o desenvolvimento dos cursos para adultos que Jailton vinha mantendo na Escolinha de Arte da Associação Cultural dos Ex-alunos do Instituto de Artes da UFRGS, onde trabalhou por muitos anos. De outro, um atelier para Elida, que chegava de viagem à França, onde residiu por cinco anos. |
| Porém o fator mais importante que realmente uniu estas necessidades foi a certeza de que a troca de experiência entre os dois artistas e o desenvolvimento de diálogos permanentes em torno de temas vinculados à arte contemporânea seria o eixo fundamental e a mola responsável pelo movimento constante nos intercruzamentos de todas as propostas. | |
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Desde então, o Torreão constitui um lugar que conjuga, basicamente, o atelier de Elida Tessler e Jailton Moreira, o Núcleo de Origami de Porto Alegre, o lugar onde Jailton desenvolve cursos permanentes de orientação de trabalhos nas áreas de desenho, pintura e escultura e o espaço onde artistas e intelectuais encontram-se para conversas de assuntos pertinentes às questões culturais. |
| Nos altos da casa situa-se uma espécie de torre, reservada para intervenções plásticas de artistas. O Torreão não é um espaço institucional e todos os trabalhos ali desenvolvidos são fruto de um esforço pessoal, que conta também com a participação daqueles que o freqüentam. Algumas promoções aconteceram de forma conjunta com outras instituições da cidade e do país. Elida e Jailton administram o Torreão propondo acima de tudo, um intercâmbio entre suas produções pessoais com as pesquisas de outros artistas contemporâneos, dividindo com os alunos e o público as discussões referentes a problemas em torno do sistema da arte em geral. | |
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O Torreão oferece orientação, a cargo de Jailton
Moreira, nas áreas de pintura, desenho e escultura. Através de
entrevistas prévias é analisado, junto com cada aluno, seus
interesses e possibilidades de desenvolvimento do seu processo de
trabalho. Com a individualização da orientação cria-se um espaço de
aula onde o convívio com diferentes níveis de processos e opções
técnicas transforma-se em fonte de estímulos. |
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A idéia central era a de ensaiar um certo eco das conversas mantidas
pelos dois artistas em sua rotina diária, mantendo um alto grau de
informalidade. Estes encontros não se configuram como palestras,
conferências ou cursos. Eles são realizados nas "salas de
estar" da casa, onde os convidados são recebidos e é proposto um
debate, levando em consideração que o tema da conversa é definido
pela especialidade, se assim pode-se dizer, do convidado e seu interesse
em discutir o referido assunto neste determinado momento. Muitas vezes os encontros no Torreão tornam-se, para quem está de passagem por Porto Alegre, uma oportunidade única de convívio e intercâmbio de idéias com os artistas e intelectuais da cidade. Para os convidados locais, também a oportunidade é especial, pois o grupo formado por pessoas advindas das mais variadas origens, institucionais ou não, acaba por tornar-se um público extremamente atento, receptivo e questionador. O que se pode observar até o momento é que os encontros no Torreão trazem questões pertinentes a problemática da arte contemporânea que, ao se repetirem de forma sistemática, permitem aprofundamentos e mudanças na maneira de conduzir as novas pesquisas. |