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Poesia Visual, Poesia Objeto e Livro-Objeto[1] 1. Relações entre imagem e escrita nas artes Antes de chegar aos conceitos livro-objeto, poesia objeto, e poesia visual tema deste artigo, considerei importante escrever sobre a aproximação da literatura e das artes plásticas porque essa aproximação é que torna possível o surgimento da poesia visual assim como de livros e poemas objetos. A primeira parte trata brevemente das relações entre imagem e escrita no século XX, as duas seguintes trazem algumas imagens-exemplo e os verbetes de poesia visual e poesia objeto, a quarta parte trata de livro-objeto, tentando desenhar este conceito e apresentando um pequeno histórico da presença do livro como objeto de arte no Brasil, exemplificados através de imagens-exemplo na última parte. 1. Relações entre imagem e escrita nas artes Durante o século XX pode-se perceber que houve grande diálogo entre as artes visuais e a literatura, acompanhando a diluição de limites rígidos entre as diferentes linguagens e consequente aproximação entre as artes, principalmente a quebra de fronteiras entre o texto e a imagem. Poetas se conscientizaram da visualidade da escrita e da página, além de incorporar elementos gráficos e imagens aos seus trabalhos. Artistas visuais retomaram a origem visual da escrita, utilizando elementos textuais em suas obras: grafismos, letras de diversos alfabetos, colagem de fragmentos de textos impressos etc., utilizando a escrita como elemento gráfico e/ou conceitual. Esse processo de aproximação e diálogo entre a literatura e as artes visuais aconteceu de maneira recorrente e não linear durante todo o século, sendo verificada em diversas ramificações que realizaram e realizam várias conexões entre si, sem obedecerem a nenhuma hierarquia ou ordem[2]. A reaproximação[3] entre imagem e escrita se deu a partir do final do século XIX e início do século XX. Nesse processo de resgate de vínculos entre a palavra e a imagem, tiveram grande importância experiências como as do poeta francês Mallarmé[4], que passa a considerar a visualidade da letra e do branco do papel como elemento de seus poemas, e o trabalho pioneiro de Picasso e Braque, com os papiers collés que inauguram uma forte tendência da arte contemporânea, incorporando na obra artística materiais não artísticos, letras, fragmentos retirados de jornais, partituras musicais, papéis de parede etc., que foram utilizados em suas obras de modo que as partes se ajustassem ao todo, tal como um quebra cabeça[5]. Modos de hierarquia entre as linguagens como, por exemplo, se explicitar uma imagem através de uma legenda ou título, ilustrar um texto ou, ainda, estabelecer um discurso a partir de uma obra visual, como uma pintura por exemplo, sofreram uma quebra nessas experiências que negavam qualquer subordinação entre imagem e texto. Ao mesmo tempo em que esse processo ia se manifestando e ocorrendo, houve o surgimento e o desenvolvimento de diversas tecnologias e mídias desembocando na era eletrônica que vivemos hoje. Principalmente a partir dos anos sessenta, os meios de comunicação aumentaram sua penetração e difusão, passando a intervir em todas as instâncias da vida cotidiana, fazendo com que o convívio com imagens caminhasse rumo à saturação. Com isso houve uma crescente banalização da imagem e do texto[6]. O mesmo acontece com as relações entre indivíduos e objetos, devido à cultura do consumo. Então, artistas e poetas passaram a buscar maneiras novas de se relacionar com a arte e a escrita em experiências onde os materiais e suportes tradicionais em arte foram sendo sucessivamente questionados ou naquelas onde houve apropriação dos novos meios e tecnologias como suporte e material para a arte. | topo | imagem/escrita | poesia visual | poesia objeto | livro objeto | livro:exemplos | bibliografia |
[1] Este artigo foi originalmente escrito como parte da monografia “Livro-Objeto/Poesia Objeto” apresentada na Escola de Belas Artes da UFMG dentro do PAD Artes Plásticas em 2000. [2] Veneroso, Maria do Carmo de Freitas. Caligrafias e Escrituras: Diálogo e intertexto no processo escritural nas artes do século XX. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2000. Tese de Doutorado em Literatura Comparada. [3] Pode-se constatar grande aproximação entre imagem e escrita em outras passagens da história, como nas iluminuras medievais ou xilogravuras chinesas. [4] [4]Mallarmé inaugurou a semântica do espaço em branco, com a explosão gráfico-espacial de seu poema Coup de Dês, no final do século passado. [5] Veneroso, Maria do Carmo de Freitas. (op.cit, p. 427). [6] Veneroso, Maria do Carmo de Freitas. (op.cit, p. 426). |