| A Interrogação Contínua Por Paula Ramos* Quando, em 313 d.C, o imperador Constantino concedeu liberdade de culto aos cristãos, transferindo a eles, inclusive, templos e bens pertencentes aos pagãos, também selou uma tradição imagética que perdurou por mais de 1.400 anos no mundo ocidental: a produção de imagens ancorada na temática cristã e, sobretudo, na figura emblemática de Cristo. Com um esforço mínimo de memória, percebemos que algumas das obras mais paradigmáticas da História da Arte referenciam essa cristandade: os mosaicos da Basílica de São Marcos, em Veneza; os vitrais das catedrais góticas; as Pietás de Michelângelo, bem como suas pinturas junto à Capela Sistina, em Roma; a Santa Ceia, de Da Vinci; os afrescos da Capela Scrovegni, de Giotto; a Ressurreição, de El Greco; O Jantar de Emmaus, de Caravaggio... A imensa maioria dessas obras foi produzida entre o Medievo e o princípio da Idade Moderna. No século XVIII, com o pensamento iluminista, cientificista e muito mais voltado às coisas da terra do que, propriamente, às coisas do céu, houve um abandono gradativo das representações de temática cristã, mas isso não inibiu que diversos artistas do século passado também tivessem explorado esse imaginário. É o caso, por exemplo, de Gerges Roualt (Cristo na Cruz, 1939), Marc Chagall (Crucificação Branca, 1938), Georg Baselitz (Cruz, 1964), Pablo Picasso (Crucificação, 1930), Francis Bacon (Fragmento de uma Crucificação, 1950) e Emil Nolde (Martyrium II, 1921, Amarilis Brancas e Virgem com o Menino, s/data). Na maioria das obras citadas, o foco é, quase sempre, Jesus. E é sobre esse personagem, justamente, que versa o mais novo livro de Armindo Trevisan, O Rosto de Cristo. Trata-se de um projeto antigo, ao qual Trevisan foi se dedicando paulatinamente, porém sem pressa, sem grandes desassossegos. Foram anos de pesquisa, de seleção de imagens, de anotações e reflexões. Só de redação, foram cinco anos! Cinco anos de escrita, ajustes, inserção de parágrafos. Ah, e tudo à mão, evidentemente, como é a prática do autor: nada de computador ou máquina de escrever. Segundo Trevisan, ao fazer esse exercício que muitos consideram impensável nos dias atuais, ele, na realidade, vai depurando o texto, além de a tarefa em si lhe ser absolutamente agradável: “Quando escrevo manualmente, sinto toda uma energia saindo do cérebro e irrigando o corpo até os dedos. E isso me dá um imenso prazer”, diz. Mas, prazer mesmo é ler O Rosto de Cristo. Trata-se daqueles livros sérios, rigorosos e, ao mesmo tempo, leves, que a gente lê como se fosse um romance, saboreando cada nova descoberta e informação. Dividido em seis capítulos, o livro percorre a formação do imaginário cristão na arte ocidental, partindo das mais antigas imagens, ainda no princípio da Cristandade, até o século XVIII. Para tanto, fez-se um minucioso e exaustivo levantamento bibliográfico, que conta com mais de 280 fontes diretas. Depois, há todo o discurso argumentativo de Trevisan, alinhavando os fatos históricos para que se possa compreender o surgimento de algumas das imagens mais importantes dessa tradição. É o caso do Cristo Pantocrator, o todo poderoso, também chamado de Cristo do Cosmos, surgido no âmbito da corte bizantina, por volta do século V. É o caso também da imagem do Cristo do Juízo Final, ou Cristo em Majestade, que recebe e acolhe os desesperados fiéis junto aos pórticos das igrejas românicas, numa época de profundo temor. É bom lembrar que o homem da Baixa Idade Média tinha algumas certezas, e uma delas era de que o mundo terminaria no ano 1.000, e que os pecadores tinham um encontro marcado com o diabo e com as piores torturas imaginadas. A própria igreja estimulava esse pânico, ao adornar paredes e pórticos com bizarras representações do que seria o Inferno. Trevisan ilustra bem isso, quando se reporta às igrejas francesas de Saint-Lazare, Saint-Denis e Saint-Pierre de Chavigny. O diabo aparece ali como dragão, como um ser híbrido, meio homem e meio animal e, de preferência, negro – numa inconteste demonstração de racismo. Aparece também como mulher, uma vez que, com seu corpo serpenteante e naturalmente pecaminoso, é o disfarce perfeito do diabo. Ora, não foi Eva quem levou o homem a ser expulso do Paraíso e a viver num mundo cheio de angústias e temor? Como a imagem feminina, nessas circunstâncias, não estaria maculada? Como o próprio corpo humano e a sexualidade não seriam reprimidos? Essa apresentação do imaginário da Idade Média ocidental é particularmente apaixonante, e Trevisan a faz com singular maestria. Nesse contexto, é interessante acompanhar a transição do espaço-tempo de medo para o espaço-tempo de beleza e de sensibilidade, representado pelo Gótico. Para explicar essa nova concepção, o autor referencia os pensamentos dos monges Anselmo (1033-1109) e Bernardo de Claraval (1090-1153). |
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Por outro lado, foi também ao longo do Gótico que houve uma enorme valorização e uma nova mentalidade acerca da figura da Virgem Maria. Isso se deve, em grande parte, ao monge Bernardo de Claraval, que converteu a Virgem numa mulher de carne e osso, com sentimentos próprios, com personalidade. Foi para Maria que esse monge escreveu alguns dos mais belos poemas marianos de todos os tempos, que o autor fez questão de reproduzir. Esse é, aliás, um outro ponto encantador do livro: a descrição histórica e artística é permeada por dezenas de citações poéticas. Trevisan, como poeta que é, selecionou diversos escritos: de Bernardo a Dante, de São Francisco a Chuang Tzu, de São João da Cruz a Camões, recheando com poesia, das boas, a nossa já tão aprazível leitura. O Cristo da Luz – ou os Belos Cristos das catedrais góticas – constitui um capítulo à parte do livro, tamanho é o entusiasmo percebido no texto. Nota-se, perfeitamente, o prazer com que o autor apresenta as informações e essa nova espiritualidade, profundamente marcada pela possibilidade do contato com o divino. Divino que pode estar, inclusive, num espaço protegido por uma singela pele de seda sobre esqueleto de pedra, para usar a expressão de Trevisan para referenciar os vitrais. Os dois últimos capítulos se concentram nas imagens do Cristo Renascentista e do Cristo da Emoção, o Cristo Barroco. Em ambas geralmente acontece algo muito interessante, que é a contemporização das narrativas. Ou seja: numa pintura, Cristo até pode ser representado no sepulcro, como em A Colocação no Túmulo, de Caravaggio (1602), mas toda a cena se dá como se o tempo fosse o presente: os personagens trajam roupas do século XV, a paisagem também é atual, etc. Isso tudo para aproximar Jesus das pessoas daquele período. Duplamente interessante é que, muitas vezes, ao próprio Cristo era dado um corpo portentoso, com a solidez típica das figuras renascentistas, como se percebe em A Ressurreição de Cristo, de Piero della Francesca (1460). Ao percorrer quase 1.800 anos de imaginário
cristão, Armindo Trevisan oferece um panorama poucas vezes visto, com
profundidade, compilação de diversas informações e – o que é
importantíssimo – de uma maneira acessível a todos os leitores. O seu
texto gracioso, simples e preocupado em informar públicos das mais
distintas formações é um desbunde – com o perdão da palavra pouco
convencional! – e, só por isso, já seria um imenso ganho. O Rosto de
Cristo, porém, é bem mais do que isso: é um livro soberbo, que oferece um
leque de possibilidades de interpretação, estando, sem dúvida, entre os
principais lançamentos editoriais do ano de 2003 em nível nacional. Com os
descontos da Feira do Livro, vale a pena antecipar o auto-presente de
Natal. |
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| O Rosto de Cristo A Formação do Imaginário e da Arte Cristã Porto Alegre, Editora AGE, 2003 Algumas considerações do autor sobre o conteúdo do livro Os evangelhos nada dizem sobre a aparência física de Cristo. Como então se chegou às suas imagens? Esta era a minha questão fundamental. Porque os cristãos o representaram de tal ou qual modo? Havia, também, um fato histórico: a aversão judaica às imagens. Nascido em ambiente judaico, o Cristianismo inicialmente não se interessou por nenhuma representação. Mais tarde, fiel ao seu dogma de fundação, a humanização de Deus, o Cristianismo começou a tornar visível a figura de Jesus. |
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| Fonte de inspiração das
imagens
Sendo os cristãos pessoas humildes, não
tinham artistas no seu meio. Recorreram por isso, aos artistas pagãos que
fizeram adaptações de imagens mitológicas às necessidades dos crentes.
(Fig.1) |
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| Naturalmente, houve cristãos
que grafitaram imagens elementares de Cristo nos muros das Catacumbas. Do
ponto de vista artístico, tais imagens não apresentam grande interesse.
São figurações esquemáticas.(Fig. 2)
As primeiras grandes imagens surgiram depois que o Imperador Constantino deu liberdade de culto aos cristãos, o que ocorreu no ano 313 da nossa era. A partir de então eles puderam ter igrejas ao ar livre, locais de reunião, escolas. A primeira imagem monumental de Cristo é um mosaico que se encontra ainda hoje na Basílica de Santa Pudenciana, em Roma. É do final do século IV e representa Cristo sob os traços de Júpiter. (Fig 3) |
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Duas imagens
preferidas
Os cristãos acabaram privilegiando duas
imagens: a do Cristo Barbudo e a de Cristo Imberbe. A primeira é de origem
étnica, e começou a ser criada na Palestina. A segunda originou-se em
Roma, sob a influência de modelos da Arte Helenística, inspirada sobretudo
nas imagens de Apolo e Orfeu. A imagem étnica acabou prevalecendo. A
imagem de Cristo Imberbe persistiu durante muito tempo, e foi utilizada
por Miguel Ângelo no Cristo do “Juízo Final” da Capela Sistina. Hoje é
quase impossível imaginar-se um Cristo Imberbe. |
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| A imagem de Cristo com
olhos azuis e cabelos louros Surgiu tardiamente. Foi uma criação de cristãos europeus, embora um monge do Próximo Oriente, Epifânio, tenha se referido a um retrato da Virgem Maria com características semelhantes, por volta do ano 800. A imagem consolidou-se na Idade Média, ligada à legenda da “Carta de Publius Lentulus”. A realidade é que cada cultura tende a dar às imagens as suas próprias características. As imagens são com icebergs Convém ter em mente que não existe nos Evangelhos nenhuma referência à aparência física de Cristo: se ele era alto ou baixo, gordo ou magro, moreno ou louro, etc. Não existiu, pois , nenhum retrato falado de Jesus. A ausência de tais dados obrigou os artistas a inventarem-lhe um rosto, a projetarem nele o rosto das diversas culturas onde o Cristianismo se implantou. O rosto de Cristo variou devido a fatores de ordem histórica, sociológica, teológica e estética, que influenciaram o imaginário cristão. Há momentos maiores e menores nessa evolução. |
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| As imagens de Cristo e seus
contextos culturais
O primeiro estilo cristão foi o Bizantino,
dos séculos IV –V – VI, quando o Imperador Justiniano patrocinou a
construção de grandes templos para a nova fé. Isto se deu em Ravena, na
Itália, e em Istambul, que então se chamava Bizâncio. Felizmente ainda
existem os mosaicos de Ravena, e até mesmo alguns mosaicos da Basílica de
Santa Sofia, que os muçulmanos adaptaram às suas preocupações religiosas,
cobrindo-os com inscrições do Alcorão. ( Fig 8,9,10 ) |
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Da Arte Primitiva Cristã, que antecedeu a Bizantina, sobram alguns tesouros. Com o tempo surgiram os grandes estilos ocidentais, como o Românico, o Gótico, o Renascentista e o Barroco. |
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Existirá uma imagem de Cristo superior às demais ? Todas as imagens de Cristo são deficitárias, isto é, não podem expressar a sua realidade teológica, embora, do ponto de vista histórico, Cristo fosse um ser comum. Digo “comum” no sentido de que as pessoas podiam vê-lo como se vê qualquer pessoa, mas não vê-lo como Divindade. Só com os olhos não se pode chegar a ela. Por isso o próprio Cristo disse a Tomé: “Felizes aqueles que não viram, e acreditaram!” No episódio dos “Discípulos de Emaús”, os dois discípulos caminharam ao lado de Jesus sem se aperceberem de que era Ele! Jesus não era visto como um
Deus, só por ser acessível aos olhos. Ocorre o mesmo com as imagens: elas
apenas sinalizam para a realidade divina de Jesus. Por isso todos os
estilos artísticos são aptos para essa sinalização. Sua finalidade é
evocarem o Verbo que se fez carne. É lógico que existem imagens que
ganharam maior respeito dos cristãos do que outras, por exemplo, os
Cristos Góticos e os Cristos de certas artistas, como Giotto e Rembrandt.
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Até que ponto a emoção pessoal dos artistas influi nas imagens de Cristo ? Até o século XIV, mais particularmente até Giotto, os artistas não se preocupavam em dar às imagens o próprio fundo emotivo, ou seja, não se preocupavam em atribuir-lhes sentimentos subjetivos. A partir de Giotto, porém, principiaram a emocionalizar as representações, ajustando-as não só aos sentimentos coletivos, mas também aos sentimentos pessoais. Começaram a personalizar a figura de Cristo. Pode-se falar, por isso, num Cristo de Masaccio, de Caravaggio, etc. Isto significou uma ampliação das possibilidades de expressão religiosa. Nem sempre tal tendência foi vantajosa às imagens. Às vezes, os artistas exageraram determinados aspectos. As imagens mais belas de Cristo são aquelas em que existe uma síntese entre o sentimento coletivo, da comunidade cristã e o sentimento do artista, que pensa e sente no próprio coração o que a comunidade sente. No fundo, as imagens de Cristo são uma expressão superior do que de melhor existe no ser humano. (Fig 13,14,15,16) |
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| A estética da
luz : maior contribuiçaõ cristã para o mundo da arte Por Armindo Trevisan O Cristianismo é essencialmente uma religião, e por isso não se preocupou, nas suas origens, em ter uma estética. Esta nasceu de seus pressupostos filosóficos e teológicos. Inspirando-se nas teorias do Platonismo e Neoplatonismo, os intelectuais cristãos acabaram por dar-lhe uma fundamentação teórica e prática, que resultou em obras extraordinárias como por exemplo as catedrais góticas e seus vitrais Com efeito a técnica do vitral começou no
Oriente, ao que parece entre os islâmicos, que não a desenvolveram por uma
razão: porque tal estética não era uma exigência do Alcorão. Ao contrário,
a Estética da Luz existia, germinalmente, na Bíblia. Depois de terem
criado os livros iluminados, os cristãos criaram as catedrais iluminadas,
graças às teorias místicas de um monge do Oriente, o Pseudo-Dionísio
Areopagita, desenvolvidas por Scoto Erígena. Contribuíram, também, para
que essa estética se aprimorasse, as teorias ópticas de Al-Hazen,
traduzidas no Ocidente por volta de 1200. |
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Entre os seres materiais, o sol é o que mais reflete a luz de Deus, razão pela qual São Francisco de Assis lhe dedicou um famoso poema intitulado, precisamente, “Cântico do Irmão Sol”. Nesse poema ele diz: “Ele é belo e radiante: com grande esplendor nele a Tua imagem aparece!” Na opinião dos medievais, o sol torna visíveis as cores. E, Jesus dissera: “Eu sou a luz do mundo”. Os construtores das catedrais descobriram, primeiramente uma técnica arquitetônica que lhes permitiu ampliar as janelas, para que a luz entrasse nas catedrais. Depois encheram as janelas de vidros coloridos, de modo que as cores brilhassem do alto das mesmas. Nenhum tipo de fotografia ou ilustração pode suprir o conhecimento pessoal das catedrais e dos vitrais. O leitor deve entrar num desses templos imponentes, que equivalem a edifícios de 12 andares, construídos em pedra e deixar-se impregnar pela magia dessas obras de arte. O escritor Erico Verissimo me disse, certa vez, que nunca ia a Europa sem visitar Chartres. São 2.600 m² de cintilações, de fruição visual. Mesmo assim é preciso fazer o que o escritor fazia: visitar os vitrais em diferentes horas do dia. Finalmente, a harmonia das cores foi seguida pela harmonia dos sons. A polifonia, que Karl Popper considera a maior criação artística da civilização ocidental. O Cristianismo não é só uma religião luminosa, é também uma religião polifônica. Em conclusão: os vitrais e a polifonia constituem os maiores legados da arte cristã. |
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| Armindo Trevisan nasceu
em Santa Maria, RS, em 1933. Doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Fribourg, Suíça, com a tese Ensaio sobre o Problema da Criação em Bergson (1963). De 1969 a 1970, e de setembro de 1974 a fevereiro de 1975, foi bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Foi professor de História da Arte e Estética na Universidade do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de 1973 a 1986.Lecionou no curso de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS. Obteve em 1964 o Prêmio Nacional de Poesia “Gonçalves Dias”, da União Brasileira de Escritores. A Comissão Julgadora que premiou a “Surpresa do Ser”, estava constituída por Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Cassiano Ricardo, “o juri mais rigoroso e credenciado já organizado no Brasil” na opinião de Moysés Vellinho. |
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Em novembro de 1972, foi-lhe atribuído, entre mais de 150 obras concorrentes, o “Prêmio Nacional de Brasília”, para poesia inédita, pelo original “O Abajur de Píndaro”. Em 1978 publicou o “Ferreiro Harmonioso” (P. Alegre, Globo) e o ensaio “A Escultura dos Sete Povos” (P. Alegre, Movimento-INL 1986: 3ª Ed.). Em 1982 lançou “Escultores Contemporâneos do Rio Grande do Sul” (P. Alegre, Editora da UFRGS, Fundação Nacional Pró-Memória-INL). Em 1990 publicou “Reflexões sobre a Poesia” (P.Alegre, Uniprom). Recebeu o Prêmio APLUB de literatura 1997 pelo livro “A Dança do Fogo” (P.Alegre, Ed. Uniprom). Em 1997 publicou “Os olhos da Noite” (P.Alegre, Ed. Uniprom). Em 1998 “O Canto das Criaturas”. (P.Alegre, Uniprom) e em 1999 “Orações para o Novo Milênio” (P.Alegre, Ed. Uniprom). O autor tem poemas traduzidos em várias línguas, especialmente alemão, italiano, espanhol e inglês.(Foto : Dulce Hlfer) |
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Depoimentos de amigos, alunos, ex-alunos, colegas e admiradores de Trevisan |
| O Rosto de Cristo É como se tivesse visto os diversos rostos de Cristo e figuras cristãs pela primeira vez. As diversas representações do divino na obra de arte é o que fica do livro do professor Armindo Trevisan. Mas (já vou avisando) sou suspeita para falar, pois freqüento suas aulas desde o início de 2003, semanalmente. Portanto, antes de lê-lo, ouvi-o e as suas questões tão bem organizadas no livro. Parece que víamos as hipóteses surgirem do próprio punho do autor e podíamos apreciar as cores materializadas no ar, à luz de um expositor de slides em uma sala escura, com o conteúdo explanado em um roteiro apaixonante. Nas mãos, sobre o colo, um livro de aulas. Um misto de vermelho e verde. Este também seria um produto cobiçado para quem gosta de fazer e ler livros-testemunhos. Do Rosto de Cristo, o capítulo seis intrigou-me bastante. O reconhecimento da presença feminina na Igreja Católica. É como se nos fosse permitido existir, aos poucos. As mulheres - representação do pecado - estavam conquistando posições mais nobres. Nunca havia sido absolvida dessa maneira. A história é contada em detalhes, com uma linearidade que faz falta. Encanta ver o professor Trevisan comentar as anquinhas das santas e as rosáceas de Chartres. Numas dessas, ele se mostrou chateado quando soube que alguns lêem o Rosto de Cristo em poucos dias. “Então, eu não passei minha vida escrevendo este livro?” Juramos, professor: voltaremos a ele várias
vezes. |
| O livro “ O Rosto de Cristo”
de Armindo Trevisan é um modelo para estudos históricos. A ampla pesquisa
se revela a cada página, assim como a fundamentação seria através das
citações. Interessante, não seguindo o enfoque
religioso, é pura história da arte. Mas principalmente nos faz ouvir a própria
voz do autor: afetuosa e segura, de um gigante erudito.
Cláudia Damiani Meyer |
| Em “O Rosto de
Cristo”, Armindo Trevisan nos apresenta um surpreendente e profundo estudo
da iconografia e iconologia cristãs. Tantos anos de estudo e pesquisa
resultaram numa obra que encanta e inspira, tornando corações e mentes,
para sempre, mais iluminados. Maria Eunice Gavioli e Leandro Selister Editores do Artewebbrasil |
| Conhecedor
profundo da imaginária cristã, soube escolher um tema original dentro da
História da Arte. Belíssimo livro, capa agradável e
sugestiva. Trevisan é um intelectual de bela formação, um poeta sensível,
um professor exemplar e um educador de rara sensibilidade artística.
Carlos Mancuso |
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" Poucos são aqueles que a gente pode e tem vontade de chamar de Mestre. Ana Luiza Azevedo , Cineasta |
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TREVISAN –
o ROSTO de CRISTO - o ROSTO de TODOS NÓS. |
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Armindo Trevisan tem um fã clube de ex-alunos, no qual eu me incluo. Quando falamos nele há uma emoção que nos une através de seus ensinamentos e de sua bondade. Um mestre, na acepção do termo, não é aquele que passa uma visão de mundo desprovida de valores. Trevisan nos faz ter vontade de conhecer, de descobrir um universo, porque o reveste de significado. E faz isso como se fala mais alto, nas entrelinhas. Não somente pelas coisas que diz mas pelo jeito como diz, como sorri, como conduz o pensamento dos alunos pensando alto. O tema de seu último livro foi o enfoque de nossas aulas, no mestrado do Instituto de Artes em 1993. O Rosto de Cristo, ou qualquer outro assunto que o Prof. Trevisan aborde, ele o faz como alguém que domina a matéria, persegue e pergunta com a modéstia inteligente dos grandes. E faz a gente se apaixonar pelas suas histórias. É uma pena que ultimamente eu tenha ficado com pouco tempo para seguir os cursos particulares, como o de Arte Oriental, que ele realiza periodicamente. Entre tantos admiradores, só posso agradecer o privilégio de ter sido sua aluna e torcer para poder freqüentar seu próximo curso. Teresa Poester |
| Durante uma viagem pelo oriente médio, visitando o
monastério de Santa Catarina no deserto do Sinai me deparei com uma
coleção de ícones impressionante. Entre eles estava um Cristo Pantocrátor
pintado em encáustica sobre uma pequena tábua de madeira que me tirou o
fôlego. Era como se encontrasse um elo perdido. Verificando a data ,
século IV, confirmou o que eu suspeitava: a representação de um Cristo
barbudo mais antiga que eu havia visto até então. Ele era a peça que
ocupava o espaço entre os retratos de Fayum e o Cristo bizantino. Indicava
a possível herança do olhar do Cristo bizantino com o olhar egípcio – os
olhos como janelas da alma.
No entardecer subi a montanha próxima e tentava encaixar o que eu havia percebido ali durante o dia. Me lembrei então do meu professor Armindo Trevisan. Somente ele, quando eu voltasse para Porto Alegre poderia clarear as minhas dúvidas e compreender o impacto daquela visão. Na volta encontrei o Trevisan e falei da viagem. Falei da passagem por Damasco e ele prontamente me perguntou: “Tu vistes o Dura-Europos”. A resposta afirmativa gerou uma longa conversa. Falei então do Cristo de Santa Catarina e ele confirmou as suspeitas e, emocionado, completou todas as informações que me faltavam. Nesta época ele me falou que estaria escrevendo um livro sobre o rosto de Cristo. Desde então eu aguardo este precioso trabalho. Quanto ao livro, ainda não li. Estou guardando para ler nas próximas férias que se aproximam. É claro que toda hora passo os olhos e constato que ali está tudo o que eu espero. Um trabalho criterioso, amplo e apaixonado só possível de ser feito por quem alia a mais profunda erudição com o amor absoluto pela arte (com todas as reverberações que este conceito possa ter). Contei esta breve história para falar mais do professor Armindo Trevisan do que propriamente do livro. O que mais se pode esperar de um professor? Acho que é aquele que uma vez que foi sempre será. É aquele que seu aluno, muito tempo depois de ter freqüentado suas aulas ainda o carregará consigo por todos os desertos do mundo. E quando voltar sabe que pode contar sempre com uma conversa prazerosa e enriquecedora. Professor é aquele que lhe dá um segundo olhar para que você possa ver as coisas na ponderação de uma outra perspectiva. Obrigado Trevisan. Jailton Moreira / outubro de 2003 |
| “O Rosto de
Cristo” não é somente mais uma das múltiplas obras literárias de Armindo
Trevisan. Mas, em minha opinião, é o tema unificador entre o Homem, o
Poeta, o Historiador da Arte, o Professor e o Cristão Trevisan. E é tema
síntese porque o espírito cristão permeia de forma íntegra cada gesto,
cada palavra, cada olhar de Armindo. Falar de sua amizade, de sua
generosidade de seu apoio e estímulos ao longo de minha carreira como
estudante, como artista e como colega , assim como ao longo da vida de
inúmeros de meus amigos e colegas conhecidos e desconhecidos não seria
mais que redundar sobre aquilo que de mais caro brilha na Alma de Armindo:
o espírito cristão em sua essência mais cristalina. E por este mesmo
motivo, raríssimos são aqueles tão aptos a falar da imagem do Cristo
quantos Trevisan. E soma-se a isto a lapidada poesia – espaço privilegiado
onde depura a sua linguagem – e temos em Armindo Trevisan o escolhido ; o
melhor. Um privilégio.
Obrigado Mestre por mais este seu carinho
literário. |