| TRÊS
DIAS A QUATRO MÃOS NO ATELIER DE PISSARRO desenho, pintura e vídeo de Daí Zheng e Teresa Poester De 6 a 18 de março de 2003 - Château de Gisors - Gisors, França Apresentação do vídeo na Embaixada do Brasil na França dia 27/03/2003 às 18h30, na Sala Villa Lobos. Français |
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Três dias a quatro mãos no
Atelier de Pissarro
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| "Depois
de alguns dias trabalhando neste atelier eu senti o ambiente histórico dentro e fora do lugar. Isto dá vontade de pintar. A natureza é percebida em nossos pensamentos quando trabalhamos à quatro mãos. Estes trabalhos se apresentam como um cruzamento de duas culturas. São construídos e destruídos muitas vezes. Os dois tipos de traços superpostos revelam gestos nascidos ao mesmo tempo do corpo e da cultura." Daí Zheng |
| "Eu
estive em Eragny sur Epte pela primeira vez em 1999. Uma série de coincidências me levaram a conhecer o atelier de Pissarro. Logo que eu terminei minha pesquisa em Paris, em julho de 2002, propus à Daí realizar este trabalho. Ficamos três dias juntas dentro do atelier e logo depois voltei ao Brasil. Uma outra série de circunstancias nos permitiu apresentar agora o resultado desta experiência que é também a história de muitos encontros." Teresa Poester |
| Resgate
do Lugar através da Paisagem Uma abordagem geográfica Todos os dias, durante os deslocamentos das pessoas, ouve-se referência às categorias de espaço, lugar e paisagem, que são consideradas como equivalentes. Suas diferentes utilizações parecem não ter relevância. No entanto, para a Geografia, essas categorias são conceitos operacionais diferenciados.O conceito central, representado pelo Espaço Geográfico, é aquele onde espaço e tempo são indissociáveis, permitindo-se pensar espaço como coexistência de tempos ou como acumulação desigual do tempo (1). Dessa maneira, pode-se pensar que num mesmo espaço, coabitam tempos naturais e tecnológicos diferentes, imprimindo ritmos diferenciados aos lugares e, como conseqüência, espaços geográficos marcados por heranças que apontam novas possibilidades. É na leitura desses espaços que pode-se distinguir os demais conceitos da Geografia como Lugar e Paisagem: O Lugar não é apenas uma dimensão pontual, como por muito tempo se considerou. Atualmente , abrange também a dimensão da existência, a relação do indivíduo com o mundo, passando de uma relação local-local para uma relação local-global. "No lugar, nosso próximo, se superpõe, dialeticamente, ao eixo das sucessões que transmite os tempos externos ...O eixo dos tempos internos é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando definitivamente as noções e as realidades de espaço e tempo". (2) A Paisagem se define como espaço percebido e construído simbolicamente. Constitui o aspecto visível do espaço, organizado por dados sensoriais e simbólicos do indivíduo. "É o conjunto de formas, que num dado momento, exprimem as heranças representadas pelas sucessivas relações entre o homem e a natureza" (3). Pode-se pensar que espaço geográfico é um complexo organizacional, que abrange, entre outras dimensões, a cultural, pela paisagem e a existência (objetiva ou subjetiva), pelo lugar. É através dessas duas dimensões que pode-se perceber o trabalho de Teresa Poester (Brasil) e de Daí Zheng (China). O ponto de partida é uma visita à cidade de Gisors, na França. Existe, de imediato, uma interação artista-lugar. Caminhando pelas ruas do lugar, Teresa Poester associa de imediato a paisagem ao trabalho do pintor francês Pissarro (1830-1903). Para sua surpresa, é exatamente naquele lugar que o artista viveu, montou seu atelier e retratou suas últimas paisagens. Impulsionada pelo feliz encontro com o lugar, a artista descobre o atelier do pintor e depara-se com a simultaneidade dos tempos que ali existiram e que ali coexistem. O atelier permanece intacto, rodeado por uma paisagem "natural" que acompanha o tempo e avança sobre as materializações antrópicas. É nesse lugar que, através da visão emotiva das artistas, irá se desenvolver a idéia de trabalhar a paisagem a quatro mãos. O resultado final "Trois Jours à Quatre Mains dans L'atelier Pissarro", inclui um painel em pintura, outro em desenho e um vídeo relatando a experiência. A paisagem percebida pelas duas pintoras se reveste de sentido pois foi analisada, vivida e desejada na sua totalidade. Essa paisagem liga-se ao inconsciente, à memória e à existência das artistas. A percepção da paisagem é sempre uma visão de conjunto e depende da posição do observador. A posição determina a extensão do observador no campo visual e sua inserção no mesmo. A paisagem está em torno dele e não diante dele. É significativo que a primeira cena do
vídeo "Trois Jours à Quatre Mains dans l'atelier Pissarro"
inicia-se com o movimento turbulento das águas do rio Epte e segue num
giro de 360º, até retornar ao seu ponto de partida e encontrar os
olhos atentos de Daí Zheng observando a paisagem. O lugar escolhido por
Teresa e Dai, não está desconectado ou isolado do mundo. Este
trabalho, resgata suas heranças, e o coloca numa dimensão global,
permitindo perceber paisagens, há cem anos registradas por Pissaro,
agora sob outro olhar.
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