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pintura e desenho: |
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| Bom, o regulamento já fez
furor, quase causou um processo, porque o limite de idade era 29 anos.
Um senhor, 40 anos, ameaçou com a justiça, por se achar discriminado,
já que era um novíssimo pintor, pintava fazia cinco anos apenas.
Muitos/as pintores/as reclamaram deste limite de idade.
O que significa isso? Significa que há muita gente pintando ou desenhando, sem possibilidades de mostrar os trabalhos. Significa que velhos e jovens estão pintando e desenhando. Gente que não perdeu esta atitude que é o delírio das crianças. Que transformou esta atividade de descobrir o mundo desenhando-o, pintando-o em vocação, hobby, profissão. Quantas vezes já foi declarada a morte da pintura, por teóricos da arte, por artistas que queriam romper com linguagens tradicionais. E quantas vezes a pintura foi ressuscitada, também por teóricos e por artistas que querem lidar com traços e cores, não se importando com modas e correntes teóricas. No momento temos um revival desses artistas: Na Bienal de Veneza há um segmento inteiro dedicado à pintura: "De Rauschenberg a Murakami", no Museo Correr. Isso mostra, que a velha e boa pintura subsiste apesar da fotografia e do vídeo. Esta parte da Bienal virá para a Oca de São Paulo no ano que vem. Tivemos, recentemente, os pintores alemães expostos em São Paulo, no Mam: "O Retorno dos Gigantes". O mundo tem fome por imagens, e também fome por imagens paradas. O que distingue uma pintura de um vídeo é o fator tempo. O espectador de uma pintura tem controle sobre seu tempo, olha enquanto quer, quantas vezes quer. Já o vídeo impõe um tempo X que raramente é observado, por isso se vê as salas de vídeo vazias, as pessoas entram e logo saem. Na documenta de Kassel do ano passado foi apresentado um vídeo de 6 horas de duração. Ninguém o viu por inteiro. Uma pintura, um desenho, é, em sua imobilidade, um contraponto ao movimentado mundo televisivo. Mas mais forte do que isso é o fator prazer. Quem já viu crianças desenhando e pintando, totalmente concentrados, absortos neste delírio lúdico e cognitivo, fica pensando: porque será que a pintura chegou a ser declarada morta? Porque será que ela já foi considerada uma expressão com ranço de passado? Em parte temos aqui um componente
ideológico. Como o mercado de arte teve um boom, uma valorização
exagerada, chegando a preços exorbitantes, boa parte de artistas
engajados em movimentos sociais foram para o mundo das instalações,
para o mundo do objeto não cobiçável, saindo assim do circuito
elitista do dinheiro. O que também não adiantou muito, porque o tempo
mostrou que nada é mais fácil do que absorver dissidências e
domesticá-las, incorporando-as ao circuito oficial. Não dá para escapar do ato de desenhar e do ato de pintar. Quem o suprime, perde. Com este vai e vem da aceitação da pintura e do desenho surge a necessidade de fazer um levantamento de vez em quando, para saber como andam as artes, também para saber o que fazem os novíssimos. O Museu do Trabalho fez isso com este salão Pintura e Desenho. A Novíssima Geração. Venha conferir. Por Maria Tomaselli |
| André Venzon, nasceu em Porto Alegre, em 1976. Iniciou seus estudos em Arquitetura e Urbanismo em 1995 na UFRGS. Desenvolvendo pesquisa na área de percepção ambiental e desenho urbano. Atualmente, cursa Bacharelado em Desenho no Instituto de Artes, aplicando em seus trabalhos o raciocínio espacial da arquitetura às poéticas e técnicas visuais. Participando, nos últimos três anos, de importantes exposições coletivas em âmbito nacional, entre elas XVIII Salão de Arte Jovem de Santos em 2001, o III Salão de Arte de Porto Alegre e o XXI Salão Arte-Pará em 2002, e o III Salão Nacional de Arte de Goiás em 2003. | |
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Não me interessa o lugar da pintura ou da arte contemporânea, ou da pintura na arte contemporânea, mas o meu e o seu lugar... Há algum tempo venho pintando cabeças. Não havia, no entanto, notado que as pintava com uma freqüência quase viciada até chegar a esta seletiva. Devo dizer que após alguns anos estudando arquitetura não descobri no corpo urbano local uma idéia de sensibilidade. A ponto de suspeitar que a arquitetura que se faz por aqui é vazia e que, na sua grande maioria, não tem conceito. Isto é, uma arquitetura sem-cabeça, sem teoria. Além de se destruir toda aquela com valores culturais. Desse modo fui gerando cabeças, primeiro desenhando, depois pintando, saindo e achando pelas ruas cabeças de bonecas e colando em caixas para a parede, para só então encontrar, através desses objetos perdidos, cidades que aos poucos se escondiam até desaparecer atrás de sinistros tapumes rosas de madeirite, usados na construção civil. Aí um salto, e comecei a reconstruir estas arquiteturas ora em ruínas, ora totalmente destruídas, como se pudesse a partir destes coágulos urbanos refazer o pensamento de uma cultura, sua paisagem, seu ambiente. O máximo que estou conseguindo fazer até agora é formar um repertório de lugares perecíveis, posto que tudo que construo também sofre, porém muito mais rápido, com a inexorável ação do tempo. Portanto, não servindo, pelo menos totalmente, ao sistema das artes. Perseguir uma ambigüidade entre arquitetura e artes é o que me interessa neste momento. Penso que os pintores deixaram de olhar para a arte, pois acharam que a pintura era tudo para todos os sentidos. E não era. E não esqueceram só do desenho, esqueceram da arquitetura. |
"Tudo
o que eu e você não percebemos" |
| James Zortéa, nasceu em Porto Alegre, em 1978. Graduando em Desenho no Inst. de Artes - UFRGS, trabalha como designer em mídias tecnológicas. Participou do 1º Multiarte - ago/00, grafitou em espaços públicos, expôs em conjunto suas criações para o "Catálogo Percepções/NDS-UFRGS" - mar/02 no Museu da UFRGS, participou da 2º Mostra de Vídeo Experimental do IA - jun/03 e realizou uma mostra relâmpago de desenhos na Galeria Marte - ago/03. | |
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James trabalha na experimentação do desenho, apropriando-se das formas geradas pelo acaso para trabalhar sobre suas resignificações. Seus últimos trabalhos consistem em desenhar com químicos diretamente sobre o papel fotográfico, explorando os tempos de exposição e revelação. Suas imagens de leitura dúbia exigem do observador um entornar de sua atenção para solidificar sua primeira hipótese, levam o olhar a buscar novas conexões e a percorrer o desenho despreocupado em estabelecer concordâncias. |
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| Magda Gebhardt, nasceu em Porto Alegre, em 1981. Está cursando o 7º semestre de graduação em Artes Plásticas, habilitação em pintura, no Instituto de Artes da UFRGS. Freqüentou o curso de escultura com Caé Braga, no Museu do Trabalho, também fez oficina de gravura em metal no Atelier Livre da PMPA, com Wilson Cavalcanti, e oficina de cenografia com Félix Bressan. | |
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O tempo em alguns trabalhos é representado pela sugestão do movimento, que causa em termos visuais, a desestruturação do objeto, de maneira que todo o processo e temporalidade de construção se revelam criando a própria sensação do movimento, e sugerindo o desmembramento de qualquer sustentação de forma que é dada pela precisão de contornos. A materialidade da tinta, enquanto matéria plástica, é uma questão presente na construção e no resultado formal da pintura, dispondo-se a uma flexibilidade de estruturação, à alterações e sobreposições que participam diretamente na forma estética do trabalho. Assim como o suporte em grande escala, que dá um maior campo de ação para o avanço da pintura, e ajuda o olhar a participar de um espaço ilusório, que é o espaço criado dentro da concepção da pintura, do que está acontecendo dentro das delimitações da tela, mas que dependendo da composição, de cores, de formas e do sentido que se dá, pode se ter a sensação de amplidão muito mais imposta do que o ambiente real que nos situamos. Magda Schneider Gebhardt |
Acrílica sobre kraft
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| Manoela Pavan, nasceu em Porto Alegre, em 1981. Está cursando o 7º semestre de bacharelado em Artes Plásticas, habilitação em desenho, no Instituto de Artes da UFRGS.Desde junho de 2002 até o período vigente desenvolve projeto de pesquisa como bolsista de iniciação científica sob a orientação da professora Blanca Brites atuando no Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da UFRGS. Realiza atividades de catalogação e manutenção das obras de arte e pesquisa bibliográfica sobre métodos de catalogação e documentação destas. | |
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A série de desenhos, Sem Título, em grafite sobre papel, foi realizada a partir de uma reflexão sobre o meu próprio desenho. Essa iniciou com o trabalho no qual reproduzi em xerox desenhos meus que me chamavam a atenção pelo contraste de claro e escuro, intensidade e suavidade do traço. Posteriormente, selecionei áreas dessas reproduções que foram recortadas e organizadas, formando uma nova e inesperada imagem. A colagem foi retrabalhada com lápis carvão seguindo as linhas já existentes. Este trabalho foi o pretexto para a elaboração da série de desenhos, que foge à representação de modelos. A simplicidade do material, grafite sobre papel, valoriza a intensidade da linha. A força do traço existe em oposição à delicadeza desse. Penso que o desenho é uma forma de tornar visível a busca pelo equilíbrio entre razão e emoção. Para mim, a criação artística é um momento de reflexão, no qual o artista parte do caos para chegar a um ponto de equilíbrio. |
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| Tomas Barth, nasceu em Osório, RS, em 1980. Em 1995 fez curso de desenho de observação no Atelier Livre da PMPA, Em 1999 ingressa no curso de Artes Plásticas da UFRGS. | |
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| Viviane Gueller, nasceu em Porto Alegre, em 1976. Cursou desenho no Centro Maria Antonia, da USP, em São Paulo, com o artista Paulo Pena, também no MAC, em Porto Alegre com Cristina Moraes. Fez cerâmica com Rodrigo Núñes, e escultura com Gustavo Nakle, Caé Braga, Félix Bressan, Marcio Clalera e Rogério Pessoa. Diretora do Terravista Literatura & Arte, espaço cultural que tinha como proposta inter-relacionar diversas manifestações artísticas. Integrava livraria, espaço dedicado a palestras, encontros, debates e saraus, galeria de arte e cafeteria. Foi considerado pela crítica especializada "lugar das discussões e ações culturais mais modernas da cidade" e "referência cultural do renascimento da Cidade Baixa". Porto Alegre, 1998 a 2000. | |
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Nos blocos de anotação da repórter, os desenhos nasceram. Registros de rostos, gestos, transitoriedade. Corpos que criam outros corpos em desenhos quase arrancados do papel. Como na escultura, surgem sob camadas. Algumas esculturas são desenhos espaciais; alguns desenhos, traços agitados que não se contém em suas margens. A linha é escultura. Num primeiro momento, o desenho era o contato do "lápis no papel", a relação olho-mão, do lançar, através da linha, da mancha, o olhar subjetivo. Aos poucos vai se desdobrando, relacionando seu tradicional procedimento a outras poéticas. Como num ideograma, se situa entre idéia, palavra e traço. Pena em punho, o desenho a partir do nanquim foi a redescoberta da caligrafia. Desenhar como se escreve. Combinando letras com hachuras, decifram-se alfabetos imaginários. Escrevendo coisas esparsas, fragmentos que se recompõem em outros traços. |
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