| CASA
Casa originou-se nas conversas e encontros do dia-a-dia destes oito artistas, todos, de uma maneira ou de outra, ligados a um espaço de arte contemporânea de Porto Alegre, o Torreão. Conversas estas que giravam em torno de idéias comuns: mostrar seus trabalhos juntos em um lugar que não fosse uma galeria ou outro semelhante, um lugar que fosse um ponto de partida. O projeto solidificou-se, então, na busca deste lugar determinado por uma homogeneidade de escala e por uma gama de significados que pudessem ser apropriados e transformados pelos trabalhos. Surge assim a idéia da casa. A escolha de uma casa remete a uma maior singularidade em contraponto aos espaços usuais de exposição, forçosamente neutros para expor diversas obras em tempos diferentes. A proposta desses artistas é expor em um local a priori tão familiar e pessoal, mas ocupando-a de forma a criar um lugar único durante o período da exposição. Os trabalhos de Casa podem sugerir alguns diálogos, mantendo sua independência. É certo que alguns aproximam-se mais e outros se distanciam um tanto. Mas existem possibilidades de encontros. Esses encontros podem não passar de meros raspões, leves toques. Mas são fundamentais como veículo ou aglutinante para sedimentar esse projeto. |
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1.
Lucas Levitan |
| Desencontros,
encontros. Um grupo de artistas em torno de três problemas, pontos de
contato: a incorporação do espaço como parte constitutiva de
proposições artísticas; o desejo de construção de um lugar a
partir de um local – a casa; e o terceiro ponto, espécie de
pressuposto dos dois primeiros, talvez seja a própria tentativa de
construção de um estado de troca, de conexões, situação de
conversas entre trabalhos, trajetos e processos artísticos.
Ocupações, desocupações: a casa em questão será habitada pelas propostas do grupo, onde cada trabalho artístico acionará uma espécie de ressignificação do espaço. Como diz Hélio Oiticica, em Aspiro ao grande labirinto: Habitar um recinto é mais do que estar nele, é crescer com ele, é dar significado à casca-oco. Se uma casa constitui um local, espaço já humanizado que possui uma narrativa cultural e histórica própria (1), imprimir sentidos a este local supõe construir nele um lugar, espaço de desejo, estranhamento e/ou inquietação concatenado através de proposições artísticas. Entretanto, uma casa vazia suscita uma interrogação: como ocupar um local desabitado? Talvez ocupar a casa implique
em desocupar, desabitar, tornar vago o local. Ou ainda, preencher
uma casa vazia talvez implique em pensar seu espaço vago como
uma fala, onde, a partir de um diálogo, concatene-se um estado em que
cada artista possa crescer e significar a casca-oco
do local em foco, da casa em questão. 1. Referencia-se neste texto os conceitos de espaço, lugar e local propostos pela artista plástica e pesquisadora Anna Barros. |