Exposição dos artistas

Glaucis de Morais
Lucas Levitan
Luciane Mello
Marcos Sari
Maria Paula Recena
Mariana Silva
Rachel Stolf
Rommulo

Visitação : quinta e sexta (16h até 20h) sábado e domingo (14h até 20h)
De 07/10 a 11/11/2001 - Informações: 14.33305469 (Glaucis)

 

  CASA

Casa originou-se nas conversas e encontros do dia-a-dia destes oito artistas, todos, de uma maneira ou de outra, ligados a um espaço de arte contemporânea de Porto Alegre, o Torreão. Conversas estas que giravam em torno de idéias comuns: mostrar seus trabalhos juntos em um lugar que não fosse uma galeria ou outro semelhante, um lugar que fosse um ponto de partida.

O projeto solidificou-se, então, na busca deste lugar determinado por uma homogeneidade de escala e por uma gama de significados que pudessem ser apropriados e transformados pelos trabalhos. Surge assim a idéia da casa.

A escolha de uma casa remete a uma maior singularidade em contraponto aos espaços usuais de exposição, forçosamente neutros para expor diversas obras em tempos diferentes. A proposta desses artistas é expor em um local a priori tão familiar e pessoal, mas ocupando-a de forma a criar um lugar único durante o período da exposição.

Os trabalhos de Casa podem sugerir alguns diálogos, mantendo sua independência. É certo que alguns aproximam-se mais e outros se distanciam um tanto. Mas existem possibilidades de encontros. Esses encontros podem não passar de meros raspões, leves toques. Mas são fundamentais como veículo ou aglutinante para sedimentar esse projeto.

 

 

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Lucas Levitan
Lucas Levitan Mariana Silva Mariana Silva Mariana Silva Raquel Stolf Raquel Stolf Glaucis de Morais Rommulo Luciane Mello Luciane Mello Marcos Sari Maria Paula Recena Maria Paula Recena Maria Paula Recena

Planta com localização das Obras

1. Lucas Levitan
Garagem - Não estacione

2. Mariana Silva
Sem Título

3. Raquel Stolf
Fechadura sem porta

4. Glaucis de Morais
Chave de areia

5. Rommulo
Sem Título

6. Luciane Mello
Sem Título

7. Marcos Sari
Sem Título

8. Maria Paula Recena
Mesa

 

 

  Desencontros, encontros. Um grupo de artistas em torno de três problemas, pontos de contato: a incorporação do espaço como parte constitutiva de proposições artísticas; o desejo de construção de um lugar a partir de um local – a casa; e o terceiro ponto, espécie de pressuposto dos dois primeiros, talvez seja a própria tentativa de construção de um estado de troca, de conexões, situação de conversas entre trabalhos, trajetos e processos artísticos.

Ocupações, desocupações: a casa em questão será habitada pelas propostas do grupo, onde cada trabalho artístico acionará uma espécie de ressignificação do espaço. Como diz Hélio Oiticica, em Aspiro ao grande labirinto: Habitar um recinto é mais do que estar nele, é crescer com ele, é dar significado à casca-oco.

Se uma casa constitui um local, espaço já humanizado que possui uma narrativa cultural e histórica própria (1), imprimir sentidos a este local supõe construir nele um lugar, espaço de desejo, estranhamento e/ou inquietação concatenado através de proposições artísticas. Entretanto, uma casa vazia suscita uma interrogação: como ocupar um local desabitado?

Talvez ocupar a casa implique em desocupar, desabitar, tornar vago o local. Ou ainda, preencher uma casa vazia talvez implique em pensar seu espaço vago como uma fala, onde, a partir de um diálogo, concatene-se um estado em que cada artista possa crescer e significar a casca-oco do local em foco, da casa em questão.

Raquel Stolf

1. Referencia-se neste texto os conceitos de espaço, lugar e local propostos pela artista plástica e pesquisadora Anna Barros.