| |
REFLEXÃO
de raiz, digo, radical!
Sergio Moura
E-mail :
ser-moura@pop.com.br
A Vida: um extraordinário problema para
se refletir com amigos próximos
O poder público e a
gestão cultural; sistema destrutivo; saber escutar ; educação é uma
necessidade – cultura é essencial e indispensável; autoconhecimento: um
rio sem fim.
O poder público e a gestão cultural:
indiferença crônica
Sempre
tivemos, da parte dos dirigentes brasileiros, um péssimo tratamento no
que concerne a obrigação em proporcionar educação, saúde, segurança,
transporte, o básico e necessário. Na área da cultura, pior ainda, os
produtores culturais, pensadores e criadores sempre tiveram que se virar
por conta própria, sem o mínimo de estímulo, apoio e incentivo.
Nestes
últimos anos entretanto, o descaso e a indiferença, mais uma vez, se
confirmaram definitivamente como falta assumida e fato inegável. Do
“Oiapoque ao Chuí”, os mandatários insistem com a desculpa esfarrapada
de que uma nação com tantos problemas básicos não dispõe de verba para
investimentos culturais. Isto vem servindo de justificativa para o
desleixo geral com o setor deixando o equipamento das instituições, seus
acervos e todo o corpo de funcionários a mercê da sorte e, pior ainda,
abandonados e sem o devido apoio e assistência.
No
Paraná, onde não é diferente, um estado tão rico em seu conteúdo
histórico e com raiz cultural grandiosa, aqui implantada através da base
intelectual sólida de imigrantes europeus, podemos conferir que os
produtores culturais sempre tiveram que superar inúmeras adversidades
para continuar produzindo cultura: Alfredo Andersen, JoãoTurim, Guido
Viaro, De Bonna, Poty Lazarotto, Helena Kolody, Davi Carneiro, Dalton
Trevisan, Paulo Leminski, Miguel Bakun são alguns que entre tantos
outros deram contribuição valiosa à evolução do pensamento cultural.
Quase todos estes passaram dificuldades para desenvolver seu trabalho, o
que fizeram foi muito mais pelo próprio esforço mas, inegavelmente,
deixaram enorme contribuição a sociedade, ao povo e a humanidade como um
todo.
Pouco
ou quase nada mudou. O poder público continua omisso com as novas
gerações, como sempre, não tem política cultural, os prédios que abrigam
os museus estão comprometidos por anos e anos sem manutenção, o
equipamento interno é todo ineficiente, obsoleto, os funcionários são
mal pagos para exercer o serviço público,...e os artistas continuam se
virando por conta própria, como sempre fizeram ao longo dos séculos.
É
quase incompreensível a atitude míope e teimosa dos mandatários, sua
particular indiferença para com os produtores culturais, estudiosos,
pesquisadores, entre outros injustiçados.
E como falou muito bem Mario
Quintana: “...eles passarão e nós passarinho”.
Lembrando que, caros amigos, por meio da
criatividade, da ajuda dos artistas, torna-se muito mais acessível ao
ente humano comum alcançar o estado de sensibilização(iluminação?),
liberar potencialidades adormecidas, podendo a partir daí ajudar a
sociedade a crescer melhorando a consciência coletiva por meio da
atitude responsável e madura, contribuindo positivamente com a qualidade
de vida, à evolução do ser humano como um todo.
Os artistas, falou muito bem
Baudelaire, são construtores da consciência ”ainda não
criada da raça”.
Sistema destrutivo – Poder econômico
Virem-se
O sistema me apavora
– o sistema me apavora – o sistema me apavora – o sistema me apavora – o
sistema me apavora...
Era
1970, e não bastasse toda a mediocridade vigente, já estávamos
amargando, há alguns anos, os piores momentos com a ditadura imposta
desde o golpe militar em 1964.
Foi então que, numa tarde quente de verão,
vislumbrei ao longe meu amigo Hahnemann Bacelar, pintor
amazonense da maior qualidade, acenar de longe tentando mostrar-me um
papel, em sua mão levantada, enquanto se aproximava vindo ao meu
encontro.
Estava super empolgado com o que tinha
escrito: era uma mesma frase escrita repetidamente que dizia assim: O
sistema me apavora, o sistema me apavora...preenchendo todo o espaço
da folha de papel de cima até embaixo.
Aquelas palavras ali colocadas tinham,
naquele momento, um peso sem precedentes na história do Ocidente,
afinal, estávamos totalmente impregnados do desejo de negar o sistema
repressor convencional e todo o contexto de dominação que nos perseguia.
Havia uma ideologia à nossa disposição, alcance, e não abríamos mão
daquilo.
Nossa meta principal de vida era, em
primeiro lugar, assumir uma posição contrária a tudo o que estivesse
preestabelecido pela sociedade tradicional e caduca.
Assim
foi durante todo o tempo em que durou aquela atitude rebelde de
contestação e protesto da nossa geração.
Muita coisa nova se formou, e,
indiscutivelmente, surgiu uma nova ordem mundial. A partir dessa
mobilização crítica filosófica até porque, pudemos cultivar uma nova
consciência que semeou e provocou, em razão da explosão criativa
e do engajamento daquela geração, inúmeras mudanças sob a forma de
valores e conceitos que beneficiaram a vida no ocidente e por
conseqüência no mundo inteiro: meio ambiente com equilíbrio e
sustentação (ecologia); comportamento social; alimentação natural e
saúde como visão global de conduta (aparecimento da macrobiótica);
liberação sexual e emancipação da mulher; abertura ao mundo oriental;
vivência do presente momento ( o aqui e agora ); foram
algumas das questões mais enfatizadas por aquela geração corajosa e que
nos legou, como resultado positivo, novas posturas que vieram trazer uma
ótica nova e global de encarar a realidade.
Para
nossa decepção e infelicidade saímos prejudicados pois o modelo
capitalista, liberado do seu opositor e concorrente único, o comunismo,
absorveu todas as conquistas conseguidas pelo movimento contracultural
daquela época, transformando-as em mercadorias e lucro, sobreviveu
fortalecido e hoje está cada vez mais ameaçador, travestido na pele de
aço do poder econômico dominador, engolindo e excluindo os mais simples
e pacatos, aqueles sensíveis que sempre se negaram a competir e a passar
por cima dos outros, como fazem a maioria.
Acredito que muitos que estiveram nas
estradas, dormindo em albergues, pousadas e até nas calçadas das
ruas, quando vivenciamos, no mais alto grau, o sonho libertário
criativo da geração “mais louca e mais consciente” de todos os tempos
– “VOSSOS FILHOS NÃO SÃO VOSSOS FILHOS: VOSSOS FILHOS SÃO OS FILHOS
E AS FILHAS DA ÂNSIA DA VIDA POR SI MESMA“(Gibran Kalil Gibran)
-, sobreviveram para contar essa memorável história de vida:
liberdade, poesia, criatividade e amor que nossa geração foi capaz
de realizar como nenhuma outra este planeta jamais presenciou, que
devemos vivificar como um momento único da história universal e que
alguns tiveram a sorte e o privilégio de compartilhar!
Viajamos, em todos os sentidos, transcendemos.
Caminhamos, voamos como pássaros, sonhadores, o sonho de Ícaro,
para toda a Humanidade.
Desdobrada em máxima potência, a aventura humana rumo ao desconhecido e
imensurável, se realizou tornando-se inesquecível para sempre.
Caminante no hay camino, se hace camino al andar(Antonio
Machado, poeta espanhol)
Ficou,
entretanto, a rebeldia consolidada, mas, amadurecida. Permitiu inclusive
contornar a sombra trágica da amargura para olhar os caretas
sem a mínima raiva e continuar vivendo.
Entretanto, definitivamente, não podemos aceitar a omissão da maioria
burguesa e consumista que ainda estão aí, mortos - vivos,
enchendo o saco e como sempre, ausentes.
Adoram
o conforto. E por sensações tão primárias, comer, beber, poder, sexo,
bens materiais e títulos, vendem suas almas tornando-se reféns do
dinheiro, do status, da posição social, alinhando - se com a civilização
doente, nas vitrines, nas ruas, e por toda parte oprimindo e corroendo a
vida.
São
incapazes, sempre foram, de assumir qualquer atitude corajosa e dizer
NÃO a este sistema nefasto que incha assustadoramente como uma
epidemia incontrolável.
Infectando crianças, jovens e adultos, comprometendo o meio ambiente, o
ar que respiramos, a vida psíquica, e, pior ainda, pondo em risco a
existência no planeta e também o FUTURO, na maior e mais grave ameaça de
todos os tempos!
Continuo, sim, fiel àquele “sonho” e minha música preferida ainda é o
rock, para mim, a maior invenção musical do século: Presley, Stones,
Led Zepellin, Zappa, Morrison, Joplin, Hendrix, Beatles, Deep Purple,
Mamas e Papas, Aerosmith, Yes, Animals, Pink Floyd; Mutantes,
Raul Seixas, Novos Baianos, A Chave entre tantos outros, são
símbolos - ícones significativos de um tempo vivo quando redescobrimos a
Vida no meio da sombra escura e confrontamos a estupidez generalizada.
E
faria tudo de novo, mas, não vou sair por aí sozinho, gritando pelas
ruas ou procurando ilhas para estacionar.
Mesmo
assim continuarei na contramão pois não quero ficar ao lado dos
“operários obedientes do sistema” conformista, dos que passam a vida
mentindo para mascarar a confusão em que vivem, e no dia seguinte, fazem
a mesma coisa sem mudar uma vírgula sequer!
VAGABUNDOS
QUASE ENGANAM, TRAVESTIDOS COM SEUS
TERNOS DE BONECOS PARECENDO SOLDADINHOS FARDADOS DE GESTOS POLIDOS, COM
PASSOS MARCADOS E SEMPRE VOLTADOS AOS SEUS SUPERIORES;
SUAS MÁSCARAS, ASSIM COMO IMPLANTES DE
SILICONES, SÃO A INTERFACE DE SEUS PENSAMENTOS EMOÇÕES E CONDUTA: O
FALSO NO LUGAR DO VERDADEIRO!
Eu acredito em mim e nos que estão
próximos. Acredito nos que vivem sintonizados na Arte e
a criatividade como causa e efeito libertários, do que está
voltado ao bem estar social e a vida saudável na Terra.
Acredito no aprimoramento da existência rumo ao Cosmo!
NÃO ACREDITO NESSA CIVILIZAÇÃO
MONETARISTA, IGREJAS (RELIGIÃO ORGANIZADA);
NÃO ACREDITO EM POLÍTICA PARTIDÁRIA,
POLÍTICOS FISIOLÓGICOS OPORTUNISTAS, PARASITAS;
NÃO ACREDITO EM NAÇÕES
INDUSTRIALIZADAS, PORQUE ESTÃO ACELERANDO A DESTRUIÇÃO DO PLANETA;
NÃO ACREDITO EM GRUPOS EMPRESARIAIS,
CORPORAÇÕES;
NÃO ACREDITO NO PROGRAMA ESPACIAL DA
NASA COMO BENEFÍCIO PARA A HUMANIDADE;
NÃO ACREDITO EM GOVERNOS, ALIANÇAS
DUVIDOSAS;
NÃO ACREDITO NA LEI, DEUS, GUERRAS COMO
SOLUÇÃO DE PROBLEMAS;
NÃO ACREDITO EM NADA QUE ESTEJA
ATRELADO A ESTE SISTEMA SÓCIO ECONÔMICO VIGENTE, DETERIORADOR E
DESINTEGRADOR DA VIDA.
Eu acredito em mim e na Yoko! (John
Lennon)
Saber escutar é uma arte.
A maioria dos indivíduos não escuta,
de fato, quando estamos falando.
Quando
ouvimos música, entretanto, estamos na condição correta de quem sabe
escutar.
Saber
escutar, no sentido mais livre, é um gesto passivo, elegante, é deixar
de existir, e todos podemos reparar, quando falamos com a maioria dos
indivíduos: estes, ao invés de escutarem em silêncio, estão
incessantemente ativos, pensando e tagarelando com suas mentes
aceleradas, idéias preconcebidas, respostas prontas. Sendo assim, é
praticamente perda de tempo querer falar alguma coisa importante e
significativa.
Saber escutar é uma arte, e
portanto, uma atitude de autoabandono que
requer serenidade e desprendimento, autoeducação, maturidade do
espírito.
O eu desaparece para dar
lugar ao outro, e então, emerge a pessoa interessada, de
corpo e alma naquilo que escuta. Interligada, ela não está preocupada
consigo mas, ao escutar com total atenção mergulha naquela realidade e
recebe de coração àquilo que o outro está dizendo.
Não é
tão fácil quanto parece porque levamos a vida encolhida, com idéias
apressadamente formuladas. A maioria de nós está vivendo com pressa, sem
prestar atenção a mais nada, e, mais difícil ainda, ser livre não é
tão simples como pensamos.
O
pensamento não é a realidade senão da sua própria rede de perturbações.
O pensamento resulta, conseqüentemente, de condicionamentos inumeráveis.
Aqui cabe, isto sim, vislumbrar a inteligência, que é dinâmica e irmã da
impermanência.
A
mente que vive tagarelando sem parar, distraída, fechada ou em confusão,
não poderá perceber a Realidade, seu movimento impermanente, sua
dimensão infinita e inteligente. Tudo é muito sutil e delicado. A mente
tranqüila, atenta e centrada, poderá conhecer a face oculta dessa
realidade mas, isto não se realizará sem antes conhecer-nos a nós
mesmos.
E como disse Chuang – Tzu:
“A uma mente tranqüila, todo o universo se rende “.
É preciso antes, frear e deter este
processo viciado em si mesmo, mas para isso é necessário ficar ligado na
“duplicidade sutil“ da mente consciente-inconsciente, de forma
consciente, segundo a segundo, dia e noite, o que requer sobretudo o
envolvimento total do indivíduo, atenção permanente, de corpo e alma.
Isso é cultivar o autoconhecimento...viajando
num rio sem fim, descobrindo e conhecendo o desconhecido, o
imensurável.
Isto eu chamo viver!
Educação é
uma necessidade - Cultura é essencial e indispensável
É
incrível o grande número de indivíduos que levam a vida sem o menor
cuidado e preocupação em aprender para melhorar como ser humano.
Freqüentaram escolas, tornaram-se profissionais e operários do sistema
produtivo industrial, especialistas, técnicos, mestres e doutores, mas
sobretudo acreditam que foi o bastante a ser feito, formaram famílias
onde são chefes e patriarcas, produziram filhos.
Milhões, milhões e milhões morreram sem dar-se conta disso!
A
mente, quando não estimulada ao conhecimento abrangente se retrai e
passa a funcionar de forma estreita, limitada, sem qualquer impulso de
investigar descobrir, criar. Assim é a mente do especialista, do que
sabe apenas o específico, ainda que tenha muitos títulos, daquele que
“olha” para um ponto do seu particular interesse, isolado dos demais.
Luz, mais luz!
(Goethe) gritou
o sábio poeta alemão em seus últimos suspiros de
vida.
Que
sentido pode ter a vida se não procuramos compreender sua profundidade,
abrangência e mistério?
Mais
incrível ainda é verificar que ainda hoje, século 21, a maioria da
população dita “humana” manda seus filhos estudarem apenas para ser
“alguém na vida” ?!, e adquirir posição de respeitabilidade social ou
porque vai ser bem remunerado e “ganhar bem”.
A
Escola, comprometida com programas convencionais de ensino padrão não
tem a devida consciência para com a grandeza do ser humano,
quando este é tratado como objeto, acumulando uma quantidade absurda de
informações que em muitos casos serão inúteis à sua vida.
A
mente não é um depósito de resíduos abandonado e esquecido, e o ente
humano, um conjunto fixo de peças rígidas e simples de lidar. Muito ao
contrário é um ser complexo e dotado de inúmeros outros dispositivos
internos, muitos ainda sequer desconhecidos pela ciência e por nós
mesmos.
Não
somos apenas físico materiais, mas, também emocionais e essencialmente
espirituais. E somos muita coisa mais...!? ...que ainda não sabemos.
Somos
resultado de milhões de anos de experiência, conhecimento, memória,
hábitos, vícios, sofrimento e dor, condicionamentos. Mas somos,
sobretudo, potencialmente ilimitados, plenos de grandeza e
possibilidades. Somos mais, muito mais.
Desgraçadamente a criança perde, desde cedo, o brilho da luz própria.
Sua
vitalidade criativa fica prematuramente comprometida com os inúmeros
vínculos familiares e sociais a influenciarem sua vida, assim como
também no âmbito do ensino escolar, todo voltado ao mercado de trabalho,
preso, infelizmente, ao conceito estreito e míope de vir a ser mão de
obra operária a produzir para um sistema sectário, injusto e
vergonhosamente oportunista.
Já a
Cultura favorece e beneficia muito mais o ser humano. Ao invés de
escravizar, liberta.
Sensibiliza, acrescenta e completa, interligando os pontos que a
educação convencional e específica fragmenta, separa e desintegra.
Somente a visão cultural pode, ao meu ver, pela amplitude provocada,
retribuir ao indivíduo a integridade de ser humano que lhe é devido,
porque devolve, no criar, o prazer de viver a vida com
ardor e plenitude, de sonhar, imaginar.
Arte é
melhor.
Que seria de nós sem a Arte?
Como seria a vida humana se não tivéssemos nos permitido “inventar”
a atividade artística e portanto, expressar e revelar toda essa
potencialidade criativa que é parte indissolúvel da vida humana e ao
mesmo tempo presente em todo o Universo?
Que
seria da Vida na Terra sem o desenho, a pintura, a poesia, a dança?
a música, a escultura, a arquitetura? o teatro, a gravura, a literatura,
a fotografia e o cinema?
Ser sensível
é a mais bela manifestação do ser humano.
(J. Krishnamurti)
O autoconhecimento: um rio sem fim
Uma árvore não é apenas uma árvore e uma
rosa, somente uma rosa!: um menino, é bem mais que um menino, e nós,
portanto, somos muito mais do que pensamos e imaginamos ser.
Nós somos extraordinariamente complexos,
resultamos de milhões de anos e por isso devemos prestar mais atenção ao
fato de sermos potencialmente amplos, interligados numa rede infinita de
informação, criatividade e sabedoria.
Quando
estou escrevendo, penso com cuidado tentando comunicar pensamentos,
emoções. Procuro manter meu foco direcionado, centrado em expressar
alguma idéia de valor. À medida que vou pensando busco as palavras mais
adequadas ao que quero transmitir, medindo e pesando o conteúdo, o
significado e a extensão de cada realidade. Isto é ação racional e
ordenada da mente consciente.
Mas,
recebo também sugestões intuitivas que vem das profundezas do ser,
formas e pensamentos que “saltam” do inconsciente, algumas inclusive
reveladas durante o sono.
São
insight, “minhas luzes” que acendem sem pedir licença: a mente
humana, apesar de toda a vulgaridade que o cotidiano impõe, é
extraordinariamente flexível, surpreendente e potencialmente ilimitada.
Não podemos desprezar, porém, o fato de
que, assumimos durante a nossa existência, um excesso de tarefas,
ocupações e compromissos sociais que são totalmente dispensáveis e
muitos inclusive prejudiciais se é que pretendemos descobrir, em vida,
algo mais além da uniformidade atual que caracteriza essa sociedade de
massa que nos rodeia, onde tudo é muito parecido e quase igual!?
MEDIOCRIDADE
Nossa mente, comprometida por bloqueios e
condicionamentos funciona muito mais “na superfície” porque levamos a
vida sem envolvimento completo com o próprio crescimento e sempre com
medo.
Não sabemos quem somos, ignoramos
sobretudo a necessidade urgente de conhecermos a nós mesmos. Isso é
meditação pura, a observância da realidade em nós e da nossa realidade
interior, do que realmente somos, dia após dia, segundo a segundo.
Levamos nossa vida cotidiana conduzida
pela mente consciente em sua mecânica doméstica e ordinária, e mesmo
quando estamos adormecidos, o inconsciente, que nunca dorme, continua
ativo provocativo e insinuante. Podemos passar, porém, a vida inteira
sem perceber a ação, que é constante, da mente inconsciente, ou melhor,
das camadas mais profundas, subconsciente, e que influencia direta e
indiretamente toda a nossa existência.
Seu movimento é quase imperceptível,
sempre está mandando sugestões e informações dia e noite, e não
raramente avisa-nos dos riscos e perigos que corremos.
“A mente inconsciente é um oceano cheio de
ricas formas de vida que, invisíveis aos nossos olhos, nadam sob a
superfície. No trabalho criativo, tentamos pescar um desses peixes; mas
não podemos deixa-lo morrer, temos que mantê-lo vivo. Num certo sentido,
temos que traze-lo à superfície de uma maneira anfíbia, de forma que ele
possa se expor aos olhos de todos; e os outros o reconhecerão nele algo
familiar, porque também tem um peixe semelhante dentro de si. Esses
peixes, os pensamentos inconscientes, não flutuam passivamente“lá no
fundo“; estão se movendo, crescendo e mudando, e nossa mente consciente
é meramente um observador ou um intruso. É por isso que Jung chamava as
camadas mais profundas do inconsciente de “psique objetiva“.(Stephen
Nachmanovitch)
Perdemos a conexão com o silêncio criador.
Somente com muita atenção e tranqüilidade é
possível acompanhar seu movimento sutil e delicado.
Distraídos, e ocupados continuamente, não
percebemos essa manifestação que normalmente acontece silenciosamente.
Quando estamos falando com alguém,
caminhando ou fazendo qualquer outra coisa, se atentos, podemos observar
que por trás disso tudo ele está sempre orientando e direcionando nosso
caminho e passos. Essa atitude é meditação, é ação vigilante do
consciente em atenção aos sutis movimentos do subconsciente.
Independente e potencialmente criativo, atua voluntariamente e sempre de
forma invisível, interagindo continua e descontinuamente sem cessar,
dinâmico... como um rio sem fim!
O
reino da criatividade e da potencialidade.
É sem
dúvida a maior maravilha que a Vida nos legou e que devemos saber
cultivar e preservar acima de tudo.
A MUSA
de todas as musas das nossas vidas e os artistas sempre souberam disso,
pois, quase sempre “as pérolas criativas” brotam dessa magnífica
e inesgotável fonte de energia vital.
Aí sim é que reside definitivamente o nosso maior patrimônio
individual e este tesouro imensurável, desconhecido e
misterioso pode prestar infinita contribuição ao aprimoramento do ser
humano rumo ao verdadeiro desenvolvimento da consciência “...ainda
não criada da raça!”
Aqui
está, para mim a tábua de salvação que nos resta, diante dessa
extraordinária situação que está aí, onipotente, reduzindo e
empobrecendo drasticamente a condição existencial, tanto dos indivíduos
como também da esperança de uma vida saudável sobre este planeta, e para
a qual devemos acordar imediatamente, porque este sistema antagônico que
está aí “... na pele de aço do poder econômico”, que vive
a serviço das nações hegemônicas e mais industrializadas, dos governos
imperialistas, dos grupos multinacionais, das corporações religiosas e
de todas as artimanhas vinculadas a essa forma de poder, não nos
dará trégua enquanto não anular tudo e dominar a todos.
SALVE-SE QUEM PUDER!
E se não acreditam no que digo,
virem-se.
“Enxergar o mundo em um grão de areia e os
céus numa flor agreste, detém o infinito na palma de tua mão e a
eternidade numa hora“ (Blake,W.)
te flagra, mula! |