A INSTITUIÇÃO DO
EFÊMERO E O CULTO AOS FINS
Tenho me
cobrado muito coerência com o que digo, para que não me veja
seccionado entre o que falo e o que faço. Para mim, todo processo de
trabalho humano deve buscar a integração entre o que se executa e o
que se intenciona. E estas intenções, para além das vaidades pessoais,
devem se fundar no bem comum a partir do exercício intimamente
individual de transcendência do próprio indivíduo.
Na sociedade fragmentada que se configura, onde o mercado
ocupa o lugar da alma do ser humano, impõe-se uma práxis que revifique
o homem enquanto espécie e a espécie enquanto parte de um todo
infinito e indecifrável em sua plenitude.
O pós-modernismo, alicerçado sobre o vazio entre o dado
real e a infinitude de possibilidades do porvir, optou pela
efemeridade de insignificações processuais, que atende ao apelo
forjado pelo Mercado no sentido de individualizar e hedonizar o
sentimento humano perante a perplexidade criada sob o paradigma da
temporalidade existencial.
O homem, que criou mitos e deidades buscando uma
aproximação, uma integração com a eternidade cósmica, nutrido pelo
sonho comum de felicidade geral, vê-se, vitimado pela fragmentação do
trabalho e do saber, compungido a viver em função do prazer imediato,
que desfaz o sentido de espécie pondo fim à experiência de
continuidade histórica pela transferência e criação de novos valores
sócio-culturais, bem como ao ímpeto de transcendência do real no
processo de integração com as forças do universo.
A cultura norte-americana, onde germinou o pós-modernismo,
é fincada na teoria educacional de Scinner que, por sua vez,
estende-se sobre a teoria Pavloviana do condicionamento. Estas
práticas, que se tornaram dominantes, privilegiam os fins em
detrimento dos meios e, enganosamente, provam sua eficácia pela
minoração do percurso a ser percorrido para se alcançar um objetivo
qualquer, normalmente relacionado ao consumo de bens materiais.
Enquanto cresce o filho do Mercado, neto dos Aparelhos
Ideológicos do Estado, o Pós-modernismo, irmão do Neo-liberalismo,
reproduz-se descontroladamente o que se chamou de alienados,
lumpezinato,consciências ingênuas e que, agora, pode-se chamar de
objetos da Matrix.
E nessa
história de objeto, sua vida pode não valer mais que um tênis.
Cuidado!
Ivan Marinho
Professor e artista
plástico
ivanmarinhofilho@gmail.com