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A Busca pela
Reafirmação Social do Antigo Cinema Capitólio por: Giselle Hirtz Acadêmica do curso de História PUCRS Lendo o prefácio, escrito por Sandra Pasavento (UFRGS), para o livro “O Passado no Futuro da Cidade: Políticas Públicas e Participação Popular na Preservação do Patrimônio Cultural de Porto Alegre”, de Ana Lucia Meira, ao qual ela inicia o parágrafo com as palavras “olhos de Clio”.Entronizei estas palavras para obter a inspiração tão almejada e percorri os caminhos desta pesquisa. Saí, então, com os olhos de História, por toda a cidade em busca de um objeto de inspiração, aquele que ilustraria o estudo de caso de minha pesquisa.Quando percebi que ele estava durante muitos anos a meu lado. Residindo durante 25 anos na Rua Demétrio Ribeiro, presenciei a trajetória de uma das figuras mais significativas da história social de Porto Alegre: O Cinema Capitolio.O seu apogeu, nos anos 20, 30 e 40, não tive a oportunidade de ver, mas a sua decadência são lembranças vivas em minha memória. Foi acompanhando seu desgaste e agora, a sua restauração, que decidi estudá-lo. Para compreender o que me motivou, foi necessário entender que a presença do Capitólio na nossa sociedade é resultado de um longo processo histórico que envolve o crescimento urbano de Porto Alegre e consolidação de nova forma de se viver.O viver urbano, tão almejado pela burguesia que ascendia na época, uma burguesia que buscava copiar os modelos franceses. Em Porto Alegre a urbanização teve várias etapas, a primeira teve inicio no século XIX, por volta dos anos de 1809, decorrente de um melhoramento da econômia do Estado do Rio Grade do Sul, este se lançava para a expansão de seu excedente agrícola e de seu charque para o mercado externo.Esta data, marca a abertura dos portos e a possibilidade de chegar em Porto Alegre. Os produtos que se produzia no interior do Rio Grande do Sul e Brasil.Todo o Brasil era abastecido pela cultura de produção do rio Grande do Sul.Com o fim da Revolução Farroupilha, um novo ciclo de melhoramentos ocorreu entre 1850 e 1870.Segundo Sandra Pesavento, estas datas marcaram a sabietude do viver urbano.O Aspecto da cidade melhorou com a construção de novas edificações, principalmente porque muitas delas assumiram um caráter público.Data-se deste período as construções do Teatro São Pedro, o Mercado Público, a Beneficência Portuguesa, o Palácio da Justiça, entre outros. Se por um lado a vida urbana trouxe o lazer e a cultura, também tornou-se “suja”.Trazendo os problemas de uma cidade não planejada. Com a Proclamação da República, em 1889, começou um novo ciclo que a grosso modo, vai se estender até a Primeira Guerra Mundial. (1914-1918). É o Ciclo que podemos caracterizar pela urbanização do centro. A Proclamação da República, fez as coisas acelerarem.O Positivismo de Julio de Castilhos, que assumiu o poder político do Estado, queriam mostrar serviço.Assim, Porto Alegre, segundo Arnoldo Dorbestein, recebia uma roupagem européia, nos moldes do Barão Hausmann. A econômia aumentava e as mudanças ocorriam.Eram mudanças em âmbito social.Ocorria que a antiga sociedade do Rio Grande do Sul baseada no campo, rural em seus aspectos, perdia lugar para uma nova sociedade emergente economicamente e baseada não só no comércio, mas também na urbanização.Dessa primeira urbanização, houve um processo de sociabilizaçao.A medida que a população aumentava e ficava cada vez mais pautada nas questões urbanas, os movimentos de lazer também nasciam para dar o conforto à sociedade.Deste período nasceram os primeiros cinemas e o boom de edificações por toda a cidade. Segundo Arnoldo Dorbestein, entre 1889, até meados de 1914, muitas edificações foram construídas.Todas foram erguidas em estilo eclético, adotado pelo governo Positivista.A antiga Porto Alegre colonial e portuguesa dava lugar para uma Porto Alegre alemã e italiana, de onde eram a maioria dos artistas e arquitetos deste período. A primeira sessão de cinema foi dada pelo Cinematografo da cidade.Uma espécie de cinema transeunte que se deslocava.Mas por tamanho dinamismo e divulgação dentro da sociedade, nas primeiras décadas do século XX, os ambulantes cinematógrafos, foram substituídos pelas salas fixas.Nascia aqui o conceito de sala de cinema. A primeira sala a ser inaugurada foi o famoso Recreio Ideal.Este tinha a capacidade de compor internamente 135 pessoas.Foi inaugurado em 12 de maio de 1908, no nº 321 da Rua dos Andradas. Logo Porto Alegre receberia um verdadeiro boom da arte muda.Vão fazer parte deste período a inauguração das salas: Recreio Familiar, Rio Branco, Berlim, Valete, etc.Estes somente entre os anos de 1908 a 1910.Em 1911, seguiram as fundações.Foi o caso dos cinemas, Odeon (1912), Carlo Gomes (1917), Royal (1916), Coliseu (1910), Familiar (1911), Brasil (1913), Colombo (1914), Garibaldi (1914), Avenida (1913), Guarany (1913), Apollo (1814) e Thalia (1917).Estes últimos, inaugurados pela iniciativa de Eduardo Hirtz o primeiro cineasta que o Rio Grande do Sul obteve.Devemos lembrar que Porto Alegre também recebia neste momento, uma tradição de produção cinematográfica.O primeiro longa metragem foi produzido em 1909, por Eduardo Hirtz e se chamava “O Ranchinho Alegre”. Porto Alegre também sofreu uma segunda parte de sua modernização.Não que houvesse uma ruptura entre uma etapa e outra, da modernização, mas essas duas podem ser classificadas com pontos de destaques. A segunda iniciou pelo centro da cidade.O centro vai abrigar a elite urbana.Seguindo os moldes da urbanização de Paris de Hausmann, Porto Alegre crescia com uma infra-estrutura que continha, água, coleta de lixo, limpeza e saneamentos, luz, entre outros.Segundo Charles Monteiro(1), o centro da cidade de Porto Alegre sofreu um grande investimento em tecnologia urbana.Tudo isso para atender as exigências de uma elite burguesa.Ele deveria ser o lugar para a conduta “civilizada”.
Ligado a essa infra-estrutura, Porto Alegre também recebeu os lugares do lazer, onde as pessoas socialmente atuavam.Eram Confeitarias, Cafés, Saraus, Livrarias e Cinemas. O Cinema Capitólio nasce deste contexto onde os cinemas ocupavam um lugar de sociabilização na sociedade. Criado pela iniciativa particular do alfaiate José Luiz Faillace.Sua inauguração deu-se em 1928.Esta década é também marcada pela criação de outros cinemas. Porto Alegre, nesta época sofreu um “boom” de cinemas.Junto ao Capitólio (1928), outros cinemas como o República (1922), o Navegantes (1922), o América (1923), o Orpheu (1923), o Carlos Gomes (1923), o Avenida (1925) e o Ypiranga (1928), foram inaugurados na década de 20, e todos possuíam relativa quantidade de espectadores, e com caráter de cinemas de bairro.Em meados da década de 30, Porto Alegre já possuía numa media de 22 cinemas, uma para cada 11.400 habitantes. Em 06 de Outubro de
1928, dias antes da inauguração, o Correio do Povo publica uma nota a
qual emitia o fim das obras e a organização da inauguração da sala.
No artigo de
inauguração, o Correio do Povo ressalta:
Em 1994 a empresa arrendatário a Famafilmes, sem mais previsão de lucros, entrega o prédio à família. Em 30 de Julho de 1994, Porto Alegre perdia mais um de sues cinemas de calçada.Em um artigo publicado na Zero Hora, Tuio Becker relembra os tempos de gloria dos cinemas de bairro:
Em 1996, o SESC assina um convenio com a Prefeitura para compor a restauração do Cinema com um orçamento de Um milhão de reais.A intenção do SESC era de transformar o luxuoso e antigo Capitólio em um centro Policultural, onde seria oferecido para crianças carentes. O Cinema Capitólio
passaria a se tornar mais um centro cultural e seria preservado apenas
pela sua fruição estética.O Projeto do SESC dizia que o Capitolio
serviria para preservar a memória e o patrimônio histórico e zelar pelo
que sobrou de sua fase gloriosa. Mas onde se encontra a preservação da
memória?Segundo Pierre Nora a memória, e aqui citamos a memória
coletiva, é aquela acumulada pelas experiências de uma sociedade onde se
percebe uma evolução histórica de sua preservação:
Há a preservação do local, o suporte material, no caso a edificação e seus ornamentos e arquitetura, mas a memória do local que Nora nos fala, seria um projeto quase que utópico na sociedade que vivemos.A preservação do patrimônio e da memória deste, é parte de uma grande estrutura que não se vale somente de conhecimento e boas intenções, vale-se de investimentos ao qual o estado ou o município não tem somente esta ação como prioritária. No nosso caso o Capitolio passou a compor um núcleo de patrimônio privado, quando a FUNDACINE com o patrocínio da PETROBRAS, assumiram as obras do Cinema para dar inicio a Cinemateca capitólio, aprovados pela Lei Rouanet de incentivo a Cultura.Durante os anos de 2004 e 2005 varias atividades vinculadas a divulgação do projeto foram executadas.A inauguração está prevista para meados de 2007, sendo que no fim do ano de 2005, foi completada a primeira etapa da restauração.Até lá, nos cabe apenas esperara ansiosos por mais um local destinado a cultura. E para aqueles
saudosistas, um recado: As lembranças das antigas seções vão ser aos
poucos rememoradas quando as luzes do Capitólio refletirem novamente nas
janelas da Rua Demétrio Ribeiro. |
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![]() Obras no Cine Capitólio em Porto Alegre (foto: João Fiorin) ![]() Projeto do Cine Capitólio Restaurado |
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