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três artistas contemporâneos

 

 Mostra de inauguração da sede e da galeria de arte
da Fundação Cultural e Assistencial Ecarta
Avenida João Pessoa, 943, em Porto Alegre
Visitação até 30 de junho, de terças a domingos,
das 10h às 19 horas.


 

Três Artistas Contemporâneos
Paulo Gomes*

A discussão sobre o que é contemporâneo em artes visuais passa por uma série grande de questões de ordem conceitual. Apoiados em estudos consagrados (Millet e Cauquelin principalmente) podemos afirmar que é contemporânea toda a produção que trata de temas contemporâneos com formas contemporâneas.

Sofremos, no Brasil, de uma espécie de ditadura do contemporâneo. Uma única linha de pensamento domina os espaços e os eventos e também a atenção da crítica especializada (reduzida aos catálogos e falas institucionais). A nossa realidade mostra que, independente das orientações, temos uma tradição de trabalho com técnicas tradicionais, oriunda da formação que é oferecida no país nas suas escolas de arte. Esta permanência de técnicas não desqualifica nossa produção, ao contrário do que é propugnado por uma certa crítica sectarista. O que podemos observar é que a maior parte dos nossos artistas mantém um exercício de manualidade como base de suas produções, seja o desenho, gravura, pintura, escultura, cerâmica, fotografia, etc.

Isso não desqualifica nossa produção nem tão pouco desqualifica outros artistas que investem suas capacidades em trabalhos que não se valem de suportes e meios tradicionais (afinal o que não é tradicional hoje?). O que podemos perceber é que, no processo de legitimação institucional (museus, escolas, crítica, etc.), tudo aquilo que não está conforme o gosto de um reduzido grupo (orientado por um pensamento unidirecional) está fadado ao desprezo. Quando percebemos que ocorre um investimento substancial na formação de artistas dentro de uma tradição acadêmica (no sentido lato da palavra: formação pautada na qualidade artesanal e no conhecimento da tradição) é lamentável que o próprio sistema exclua estes artistas a despeito de suas qualidades intrínsecas.

A apresentação que preparamos para este espaço busca deliberadamente fugir do padrão contemporâneo institucionalizado. Não por uma aversão ao contemporâneo formal, mas por entendermos a necessidade de abrir os caminhos para todos aqueles que produzem boa arte contemporânea valendo-se de técnicas e suportes tradicionais, no nosso caso a fotografia, a escultura cerâmica e a pintura. A obra destes três artistas tem, em comum, uma qualidade artesanal superlativa: na pintura de Marta Penter, na escultura cerâmica de Rodrigo Nuñez e na fotografia de Leandro Selister observa-se um grande investimento no domínio das técnicas. Pode-se observar ainda que, mesmo atuando dentro da tradição, estes três artistas, além de absorverem o conhecimento (formal e conceitual) de seus meios, nem por isso deixam de investir na ruptura de uma certa tradição.




 


Leandro Selister - sem título, fotografia, 2004 (detalhe)



 


Marta Penter - Cruzamento dos Tempos.
Memória IV, 130x230cm, óleo sobre tela



 


Rodrigo Núñez - Santo do Forno e São Miguel Arcanjo, cerâmica



Suas pinturas, esculturas cerâmicas e fotografias são tradicionais somente a primeira vista. Um olhar atento demonstrará além dos acertos técnicos um investimento superlativo na concretização de projetos afinados com questões conceituais contemporâneas. O primeiro destes investimentos é na permanência da figuração. Uma figuração pautada num confronto com a realidade, realidade contaminada por elementos de várias origens como a publicidade, o cinema, a ilustração e a fotografia familiar. A recolocação em evidência de temas já exaustivamente abordados é possível pela apropriação de outros referenciais, tanto do universo doméstico quanto do geral. A figuração nas obras de Penter, de Selister e de Nuñez vem a reboque de uma necessidade de enfatizar a presença do elemento humano, seja através de sua apresentação explícita, seja através de metáforas. O segundo dos investimentos destes artistas é nos processos narrativos. A questão da narratividade da produção contemporânea não cabe neste breve texto, mas é suficiente, por enquanto, sabermos que a narrativa tem uma premência insuspeitada na arte contemporânea, tanto pela via da memória, quanto pela do documentário e também pela via da ficção. As narrativas surgem também como uma maneira de trazer à superfície do trabalho um elemento de atração para o espectador da obra. Mas ela está mais profundamente ligada à necessidade de articular discursos que tragam à obra pathos, mas também o ethos necessário ao nosso tempo. Em Penter isso vem pela apropriação de antigas fotos familiares que permitem que a artista estabeleça através da memória seu vínculo crítico com seu passado; a obra de Selister é fundada pela presença da estrutura narrativa de caráter documental (oriunda do cinema) que permite um vagar orientado pela natureza e pela paisagem; em Nuñez a narratividade vem pela ficção, pela capacidade de plasmar (fingere) em barro um universo de referências.

Esta questão abordada aqui de maneira superficial tem a função de trazer à tona aquilo que não parece claro: a par da excelência técnica dos artistas ocorre também um investimento substancial na concretização de trabalhos afinados com a sensibilidade contemporânea. Trabalhos com um grande investimento na manualidade, na concretização do processo, na execução cuidadosa, mas trabalhos plenos de humanidade, de possibilidades conceituais e de logos. Esta exposição é então contemporânea tanto na forma quanto no tema, independente de meios utilizados (técnicas e suportes) e também independente de qualquer sectarismo.

Porto Alegre, Abril de 2005.

* Artista plástico e curador independente. Doutor em Artes Plásticas – Poéticas Visuais.


 

Leandro Selister, vive e trabalha em Porto Alegre, RS. É bacharel em fotografia pelo Instituto de Artes da UFRGS e editor do site www.artewebbrasil.com.br.

Exposições Coletivas (seleção): (2004) 60º Salão Paranaense em Curitiba / 9ª Bienal Nacional de Santos, (2003) IX Salão Unama de Pequenos Formatos em Belém do Pará, (2002) Premiados no II Prêmio Cultural Sergio Motta em São Paulo, (2001) I Salão de Artes de Gravataí, em Gravataí, (2000) 14º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre / II Salão de Arte Cidade de Porto Alegre.

Exposições individuais: (2004) Tique-taque, tremor das pequenas coisas, MALG, Pelotas, RS / Casa da Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima, Caxias do Sul e Galeria Iberê Camargo, Porto Alegre, RS / Consciência. Unisinos, São Leopoldo, RS. (2002/2003) Projeto de Intervenção Urbana - O Que é Essencial para você? , nos campi da UFRGS, RS. (2002) Um Fotograma, Galeria Lunara, Porto Alegre. (2001) Projeto de intervenção urbana Cotidiano, nas estações do Trensurb em Porto Alegre.

Recebeu os seguintes prêmios e bolsas: (2003) Grande Prêmio Aquisição no IX Salão Unama de Pequenos Formatos. Belém,Pará. (2001) Prêmio Aquisição - I Salão de Artes Plásticas de Gravataí. RS / Prêmio Bolsa-estímulo. II Prêmio Cultural Sergio Motta. São Paulo, SP. (2000) 1º Prêmio, Aquisição - II Salão de Arte Cidade de Porto Alegre, Porto Alegre, RS / Prêmio Incentivo à Criatividade - XIV Salão de Artes da Câmara Municipal de Porto Alegre. Porto Alegre, RS / (1995) Prêmio Aquisição, Gravura no VI Salão Latino-Americano de Artes Plásticas de Santa Maria. MASM, Santa Maria, RS.

 

Marta Penter

Mostras Individuais
- 2004 - “Cruzamento de Tempos” – Galeria Bolsa de Arte – RS - Brasil
- 2002 - “Memórias” – Galeria Bolsa de Arte – Porto Alegre –RS – Brasil
- 1995 - “ Aquarelas”- The King Hooper Mansion Gallery - Marblehead - MA - USA
- 1994 - “ Viajando Por Si Mesmo” – Galeria de Arte Mosaico – Porto Alegre - RS – Brasil
- 1992 - “ Aquarelas” – Galeria do Arco – Porto Alegre – RS – Brasil

Mostras Coletivas
- 2004 - IV Bienal de Aquarela de Viña Del Mar - Chile
- 2003 - “ Missões Jesuíticas do Brasil – Enartes – Viana Do Castelo - Braga - Santo Tirso – Portugal.
- 1998 - “ Retratos de Casamento” – Museu Júlio de Castilhos – Porto Alegre
- 1997 - X Encontro Arte União – Porto Alegre – RS – Brasil
- 1996 - 8º Salão Brasileiro Mokiti Okada - São Paulo – Brasil
- 1996 - IX Encontro Arte União – Porto Alegre – RS – Brasil
- 1996 - “ Janela do Artista II” – Galeria de Arte Mosaico – Porto Alegre – RS
- 1994 - “ Brindando´94” – Galeria de Arte Mosaico - Porto Alegre – RS – Brasil
- 1993 - 16º Salão de Arte Chico Lisboa – Menção Honrosa – Margs – Porto Alegre – RS – Brasil

 

Rodrigo Núñez

Mestre em Artes Visuais - UFRGS - Instituto de Artes Visuais - 2003
Professor de Cerâmica - UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Instituto de Artes Visuais
Bacharel em Cerâmica - UFRGS - Instituto de Artes Visuais - julho/1994

Experiências Profissionais
- 2004/2005 - Chefe do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS
- 2003 - Membro do júri de comissão de seleção do Salão Internacional de Arte de Livramento
- 1999 – Membro da Comissão julgadora para seleção de trabalhos de alunos do curso de Artes Plásticas do Instituto de Artes da UFRGS a serem inscritos no 3.º Salão Top Student de Arte Universitária do Instituto Cultural Brasileiro Norte Americano.
Membro da Comissão Julgadora do Salão de Artes de Sant’Ana do Livramento
Coordenador e Idealizador do Projeto Gráfico do Programa UNICULTURA/99
Promoção: Departamento de Difusão Cultural da Pró-Reitoria de Extensão/UFRGS
- 1998 – Coordenador do Projeto UNIDÉIA Início: março
Promoção: Departamento de Difusão Cultural da Pró-Reitoria de Extensão/UFRGS
- 1997 – Vice Presidente da ACERGS (Associação dos Ceramistas do Rio Grande do Sul)

Trabalhos como artista plástico:
- 2001 - Mural para o Fórum Social Mundial Local: Porto Alegre
- 1992 – Projeto: Pintando o Muro da Mauá Local: Av. Mauá – Porto Alegre - RS
Mural em Canela – sob a orientação da muralista Carol Charp-Perrin Local: Canela – RS

Exposições Individuais:
- 1998 – Caminho das Rosas novembro e dezembro
Galeria Xico Stockinger – Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre
- 1997 – A Cor dos Sonhos. novembro e dezembro. Galeria Gravura – Porto Alegre
- 1996 – As Filhas do Rei. abril e maio. Espaço Ado Malagoli – Instituto de Artes/UFRGS – Porto Alegre
- 1994 – O que Passa na Cabeça de um Porco. 11 de maio a 10 de junho.
Sala J. Scalco – Solar dos Câmara – Porto Alegre

Exposições Coletivas:
- 2003 - Caixas. dezembro e janeiro . Casa de Cultura Mário Quintana, espaço Xico Stockinger
- 2000 - Coisa de Palavra. Setembro.Caixa Econômica Federal - Porto Alegre - RS
- Singular no Plural 4. junho e julho. Pinacoteca Barão do Santo Ângelo - Instituto de Artes /UFRGS - Porto Alegre
- 1999 – Contatos do Corpo outubro e novembro FEEVALE – Novo Hamburgo
- 1998 – Formas Possíveis julho e agosto Casa 26 – Porto Alegre
- Brazilian Art Expo. Canadá 98. novembro e dezembro. Toronto – Canadá
- Entretantos. outubro e novembro. Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – Instituto de Artes – Porto Alegre
- II Porto Alegre em Buenos Aires – 25 x 25. março. Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires/Argentina
- 1996 – O Instituto de Artes Expõe a Sua História – 25 x 25. dezembro
Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – Instituo de Artes/UFRGS – Porto Alegre
- Cão & Gato. maio e junho. Centro Municipal de Cultura – Prefeitura Municipal de Porto Alegre
- 1994 – XI Salão de Cerâmica do Rio Grande do Sul. outubro. MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul – Porto Alegre
- 1993 – Multíparo Olhador. dezembro.Casa de cultura Mário Quintana – 7.º andar – Porto Alegre