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sala de leitura |
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| detalhe da intervenção | |
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B28 Nenhum cenário morre por inteiro, seja ele o de uma viagem, uma paisagem, uma casa ou uma relação. Nenhum cenário morre. Há sempre algo que persiste em ressurgir como um pensamento, uma memória, ou em reencarnar em um outro corpo. É como aquele filme de terror em que a assombração insiste em nos perseguir, senão para justificar sua nomenclatura, pelo menos para garantir a continuação da série. Melissa Flôres e Vera Lago ocuparam por dez meses uma casa abandonada na rua Coronel Bordini, 28. Passaram primeiro por um período de escuta do lugar com seus vazios e os vestígios do abandono. Não lhes escaparam as evocações cromáticas, odoríficas, semânticas de cada peça. Em seguida esboçaram algumas respostas na intenção de estabelecer um diálogo com o lugar e, ao mesmo tempo, com um sujeito anônimo e distante que se reconfigurava, por instantes, justamente a partir das suas respostas. Um desses diálogos nasceu do encontro, em uma das peças, de uma razoável coleção de livros dos mais diferentes assuntos. Toda a coleção é um retrato invertido por espelhar uma identidade na escolha de determinado conjunto de elementos. Elas perceberam isso e anotaram exaustivamente o título de todas as obras numa mistura de querer decifrar o enigma e expor o problema. Escolheram uma das salas ao fundo da casa para bloquear suas duas portas de acesso por paredes compostas desses mesmos livros. São planos compactos feitos de livros empilhados e comprimidos que segregam e segredam o espaço retirando dele toda a sua dimensão, transformando-o em pura punção. Na sala principal da casa, separado do quarto dos livros, colocaram alguns títulos das obras encontradas, adesivados na parede, próximos ao chão. As letras possuem uma coloração próxima do tom do local, numa ambição de fundir-se ao lugar e ao mesmo ficar pairando como uma ligeira névoa. Aqui, os títulos organizados de forma sobreposta a partir do piso reconfiguram os livros. Desta sala pode-se avistar o espaço cerrado pela parede de livros. Separando estas duas peças encontram-se o corredor, a cozinha e o pátio interno. Embora existisse uma razoável distância física, as duas peças da casa, agora reocupadas, permaneciam imantadas uma a outra.
Passado quase um ano desta
experiência, as duas artistas adaptam esta idéia a um outro espaço em um
outro contexto. Para tanto, coletam livros com amigos para construir uma
nova parede de vedação. Esta agora será uma espécie de compilação em
relação aos títulos, pois não é o legado de um indivíduo ou família, mas
uma convergência de colaborações. Elas constroem um outro plano compacto
que bloqueia um outro espaço.
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MELISSA FLÔRES (Melissa Flôres Calsa Fávero), nasceu em Marau em 1977, vive e trabalha em Porto Alegre. É bacharel em Artes Plásticas (1999) pela Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo. Em 2006 teve orientação artística com Lisette Lagnado no Santander Cultural, no evento Leitura de Portfólios. De 2003 a 2005 teve orientação artística com Jailton Moreira, no Torreão, Porto Alegre; de 2005 a 2006 freqüenta cursos de história da arte e orientação de projetos com Maria Helena Bernardes; em 2004 participou do grupo As palavras e as coisas: Isto não é , grupo de leitura de Michel Foucault, com orientação de Élida Tessler no Torreão, Porto Alegre; em 2003 participou do Atelier Aberto, Praia da Ferrugem com orientação de Jailton Moreira.
Projetos:
Desde 2005 participa do Perdidos no Espaço, com coordenação da
professora Maria Ivone dos Santos e B28 - Proposta de Produções
Independentes em Arte Contemporâneas com a artista Vera Lago.
VERA LAGO
(Vera Beatriz Eccel Lago), nasceu e vive em Porto Alegre. Licenciada em
Educação Física pela Faculdade de Educação Física do Instituto Porto
Alegre. De 1996 a 2001 freqüentou oficinas de Artes Visuais e História da
Arte no Atelier Livre de Porto Alegre, Cursos de Extensão no Instituto da
Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desde 2001 freqüenta o
Torreão, recebendo orientação de Jailton Moreira. Em 2005 a 2006 freqüenta
o Curso de História da Arte e recebe orientação em projetos de Maria
Helena Bernardes. Em 2006 teve orientação artística com Lisette Lagnado no
Santander Cultural no evento Leitura de Portfólios.
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