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sala de leitura


Intervenção de Melissa Flores e Vara Lago
Pátio de Arte Contempoânea da KORALLE

Rua José Bonifácio, 95 – Porto Alegre - Fone: 3226.0625
Visitação de 2ª à 6ª-feira das 9h às 18h30min
Sábados das 9h às 15h

Para saber mais sobre as artistas
acesse o site www.b28.com.br

 
detalhe da intervenção

 

B28

Nenhum cenário morre por inteiro, seja ele o de uma viagem, uma paisagem, uma casa ou uma relação. Nenhum cenário morre. Há sempre algo que persiste em ressurgir como um pensamento, uma memória, ou em reencarnar em um outro corpo. É como aquele filme de terror em que a assombração insiste em nos perseguir, senão para justificar sua nomenclatura, pelo menos para garantir a continuação da série.

Melissa Flôres e Vera Lago ocuparam por dez meses uma casa abandonada na rua Coronel Bordini, 28. Passaram primeiro por um período de escuta do lugar com seus vazios e os vestígios do abandono. Não lhes escaparam as evocações cromáticas, odoríficas, semânticas de cada peça. Em seguida esboçaram algumas respostas na intenção de estabelecer um diálogo com o lugar e, ao mesmo tempo, com um sujeito anônimo e distante que  se reconfigurava, por instantes,  justamente a partir das suas respostas.

Um desses diálogos nasceu do encontro, em uma das peças, de uma razoável coleção de livros dos mais diferentes assuntos.  Toda a coleção é um  retrato invertido por espelhar  uma identidade na escolha de determinado conjunto de elementos. Elas perceberam isso e anotaram exaustivamente o título de todas as obras numa mistura de querer decifrar o enigma e expor o problema.  Escolheram uma das salas ao fundo da casa para bloquear suas duas portas de acesso por paredes compostas desses mesmos livros. São planos compactos feitos de livros empilhados e comprimidos  que segregam e segredam  o espaço retirando dele toda a sua dimensão,  transformando-o em pura punção.

Na sala principal da casa, separado do quarto dos livros, colocaram alguns títulos das obras encontradas, adesivados na parede, próximos ao chão.  As letras possuem uma coloração próxima do tom do local, numa ambição de fundir-se ao lugar e ao mesmo ficar pairando como uma ligeira névoa.  Aqui, os títulos organizados de forma sobreposta a partir do piso reconfiguram os livros.  Desta sala pode-se avistar o espaço cerrado pela parede de livros. Separando estas duas peças encontram-se o corredor, a cozinha e o pátio interno. Embora existisse uma razoável distância física, as duas peças da casa, agora reocupadas,  permaneciam imantadas uma a outra.

Passado quase um ano desta experiência, as duas artistas adaptam esta idéia a um outro espaço em um outro contexto. Para tanto, coletam livros com amigos para construir uma nova parede de vedação. Esta agora será uma espécie de compilação em relação aos títulos, pois não é o legado de um indivíduo ou família, mas uma convergência de colaborações. Elas constroem um outro plano compacto que bloqueia um  outro espaço.

Em relação aos títulos, necessitam ainda de uma escuta mais detida com os elementos locais e (até o momento deste texto) permanece como uma resposta em aberto.  Embora a operação seja semelhante algumas diferenças aparecem. Na montagem da Bordini 28 todos os elementos do trabalho pareciam  vozes da própria casa que dialogavam com seus ocupantes. Na montagem da Koralle o sentido de uma ocupação arbitrária das artistas fica mais evidente.  Se o trabalho perde em contextualização, ganha em estranhamento. Este é um projeto que não pode ser visto isoladamente a cada montagem. Faz parte do seu sentido a possibilidade dessas constantes reencarnações flexibilizando-se sempre em relação ao contexto encontrado.


Jailton Moreira  - junho de 2006


 


Pátio de Arte Contemporânea da KORALLE


 

MELISSA FLÔRES (Melissa Flôres Calsa Fávero), nasceu em Marau em 1977, vive e trabalha em Porto Alegre. É bacharel em Artes Plásticas (1999) pela Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo. Em 2006 teve orientação artística com Lisette Lagnado no Santander Cultural, no evento Leitura de Portfólios. De 2003 a 2005 teve orientação artística com Jailton Moreira, no Torreão,  Porto Alegre;  de 2005 a 2006 freqüenta  cursos de história da arte e orientação de projetos com  Maria Helena Bernardes; em 2004 participou do grupo  As palavras e as coisas: Isto não é , grupo de leitura de Michel  Foucault, com orientação de Élida Tessler no Torreão, Porto Alegre; em  2003  participou do Atelier Aberto, Praia da Ferrugem com orientação de Jailton Moreira.

Projetos: Desde 2005 participa do Perdidos no Espaço, com coordenação da professora Maria Ivone dos Santos e B28 - Proposta de Produções Independentes em Arte Contemporâneas com a artista Vera Lago.
Produção artística:
entre as exposições coletivas encontram-se: B28, Intervenção em conjunto com a artista Vera Lago (2005),  II Salão de Maio, Salvador/BA (2005), Projeto Murmúrio,  Perdidos no Espaço, V Fórum Social Mundial, Porto Alegre; Calle Florida, Buenos Aires; veiculação em transporte público e projeção multimídia na Praça da Alfândega Porto Alegre/RS (2005e 2006), Pari Passu,  Porões do Paço Municipal, Porto Alegre / RS (2004), EIA (Experiência de Imersão Ambiental – Intervenções Urbanas), São Paulo / SP (2004),  XVIII Salão Jovem Artista, MARGS, Porto Alegre/ RS (2004),   Interferência ao Ar Livre, Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, Passo Fundo/RS (2002). Entre os projetos e exposições individuais destaco: Jardim de Inverno, Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre/RS (2005), Projeto Afago, Hospital São Vicente de Paulo, Passo Fundo/ RS (2003).
Publicações:
Impresso referente a exposição Pari Passu (2004), Cátalogo Salão Jovem Artista (2004), Web Site: www.b28.com.br, Jornal Perdidos no Espaço número 2.
Textos sobre a artista
: Afago de Jailton Moreira, Um universo nas mãos de Eduardo Veras,  Visita acompanhada de Márcio Mariath Belloc, B28 de Maria Helena Bernardes, Visitar uma casa, habitar o desabitado de Hélio Fervenza, Primeiro de julho de dois mil e cinco de Gabriela Mota, Sala de Leitura de Jailton Moreira.
Prêmios
: XVIII Salão Jovem Artista, 1o Prêmio Regional (2004).
Obras em acervo:
Acervo Faculdade de Artes e Comunicação da UPF e Galeria de Arte do DMAE.
Produção cultural:
Propôs e organizou a exposição Pari Passu, com apoio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (2004); participou como assistente de produção do trabalho Horizonte Provável da artista Élida Tessler apresentado no MAC do Rio de Janeiro (2004).

 

VERA LAGO (Vera Beatriz Eccel Lago), nasceu e vive em Porto Alegre. Licenciada em Educação Física pela Faculdade de Educação Física do Instituto Porto Alegre. De 1996 a 2001 freqüentou oficinas de Artes Visuais e História da Arte no Atelier Livre de Porto Alegre, Cursos de Extensão no Instituto da Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desde 2001 freqüenta o Torreão, recebendo orientação de Jailton Moreira. Em 2005 a 2006 freqüenta o Curso de História da Arte e recebe orientação em projetos de Maria Helena Bernardes. Em 2006 teve orientação artística com Lisette Lagnado no Santander Cultural no evento Leitura de Portfólios.
Projetos: Desde 2003 participo de Perdidos no Espaço, com coordenação da Profa Maria Ivone dos Santos e B28- Proposta de Produções Independentes em Arte Contemporânea com a artista plástica Melissa Flôres.
Produção artística
: entre as exposições coletivas encontram-se a Ocupação de uma casa desabitada-B28 Intervenção em conjunto com a artista Melissa Flores (2005); Projeto Mamute Classificados-V Fórum Social Mundial Porto Alegre; Projéteis de Arte Contemporânea(2005); FUNARTE - Galerias Funarte, Palácio da Cultura  Gustavo Capanema, Rio de Janeiro; Pari Passu - intervenção artística – Paço Municipal-Prefeitura Municipal de Porto Alegre(2004); Espaços Invisíveis - Perdidos no Espaço- intervenções artística-III Fórum Social Mundial, Campus Central da UFRGS- Porto Alegre (2003).
Publicações
: Impresso referente a exposição Pari Passu (2004); Catálogo Projetéis Funarte (2005); Jornal dos Perdidos no Espaço número 0,1 e 2 (de 2003 a 2006)Finalmente o Mamute, www.ufrgs.br/artes/escultura, 2003
Texto sobre a artista
: Visita acompanhada de Márcio Belloc; Uma descoberta inacreditável: reflexões em torno de três imagens de Vera Lago de Maria Ivone Santos, www.ufrgs.br/artes/escultura; Visitar uma casa, habitar o desabitado de Hélio Fervenza, B28 de Mria Helena Bernardes e Primeiro de julho de dois mil e cinco de Gabriela Motta (www.b28.com.br).