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"O
mundo das artes não era tão distante quanto imaginávamos".
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AWB: Quando tem início a
sua trajetória artística?
AWB: Mas você costumava
fazer aqueles desenhos de criança, ou alguma coisa do tipo?
AWB: Mas você estudava
normalmente, tinha aulas de artes no colégio?
AWB: Onde você estudou?
AWB: Então o seu contato
com a arte veio através da família, da sua mãe principalmente, e também
das aulas de arte na escola. Mas quando você realmente começou a
desenvolver a sua arte?
AWB: Principalmente
dentro da Universidade?
AWB: Você participou de
algum movimento contra a ditadura?
AWB: Esta foi uma das
razões que te fizeram abandonar o curso?
AWB: E como você
resolveu ‘levar a sua vida’?
AWB: A sua geração se
indagava muito…
AWB: Mas você acha que a
ebulição histórica vivenciada pela tua geração, pode ter sido propulsora
destas indagações?
AWB: Este grupo de
amigos que você possuía, era composto por artistas?
AWB: Foi a partir deles
que nasceu a tua vontade de trabalhar com arte?
AWB: Você desenhava com
que material, lápis?
AWB: Estamos falando da
década de 70, não é?
AWB: Mas quando você se
deu conta, já estava inserido no meio artístico… |
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AWB: Aí então você já se
via como um profissional das artes?
AWB: Foi a primeira vez
que você vendeu um trabalho?
AWB: Sempre em conjunto? |
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AWB: Nesta época os teus
trabalhos eram feitos só com nanquim?
AWB: E por que o grupo
‘KVHR’ terminou?
AWB: E vocês dois,
continuaram trabalhando juntos?
AWB: Ele também fazia
desenho, não é?
AWB: E como o teu
trabalho se desenvolveu nesta nova realidade?
AWB: Uma região muito
mais desenvolvida em termos de arte, não é?
AWB: O seu trabalho e o
do Milton andavam juntos? |
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AWB: Você tinha uma boa
relação com os artistas daqui, tens o hábito de freqüentar exposições?
AWB: Por que você diz
isso?
AWB: Você acha que o
artista hoje é ‘refém’ do meio?
AWB: Os papéis estão bem
definidos...
AWB: Você já não precisa
buscar espaço, as pessoas te oferecem…
AWB: Mas você não tem
contato com os artistas mais jovens?
AWB: E você percebe que
para eles talvez seja mais difícil do que foi quando você começou?
AWB: Então a tua
trajetória começou através de exposições, conhecendo pessoas, as portas
foram se abrindo… E você se tornou um artista conhecido. O que isso mudou
na sua vida?
AWB: Você nunca estudou,
pode-se dizer que você é um autodidata?
AWB: Você sentiu falta
deste ensino?
AWB: E você acha que
esta orientação lhe fez falta?
AWB: E como o seu
trabalho se desenvolveu no decorrer da sua carreira, que tipo de materiais
e técnicas você começou a utilizar? |

Watteau, instalação de pinturas, MAC-RS,
Porto Alegre, 1999
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AWB: Você usava tinta a
óleo?
AWB: Interessante esta
aproximação, de usar fotografias muito parecidas, de ter a mesma
inspiração... Os dois fotografavam, cada um tirava as fotos para seus
próprios trabalhos… Como era isso?
AWB: A fotografia então
começou a figurar em seus trabalhos. Você chegou a fazer exposições apenas
de fotografias? |
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AWB: Mas você sempre
tirou fotos para a pintura, ou já tirou fotos para servirem como fotos
apenas?
AWB: O fato de a máquina
fotográfica servir como um caderno de anotações demonstra um olhar
incansável em busca de imagens. Não cansa estar o tempo todo pensando em
arte?
AWB: Você chega ficar
quanto tempo sem produzir?
AWB: O que mais você
faz?
AWB: Antes era mais
difícil?
AWB: E como é ter que
criar as capas de livros, ser obrigado a cumprir prazos?
AWB: A sua casa é o seu
local de trabalho?
AWB: Você então passa a
maior parte do dia em casa?
AWB: Por que você diz
que hoje não vende mais?
AWB: Você acha que o
motivo deste problema é econômico ou falta de conhecimento a respeito da
arte?
AWB: Neste caso o
público é pequeno…
AWB: Ainda hoje esta é
uma dificuldade, mesmo com diversas formas de comunicação e de trocas
possíveis?
AWB: Mas você tem
trabalhos fora do Sul, até em Museus não é?
AWB: Você não sobrevive
da venda de seus trabalhos… |
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| projeto digital para instalação, Fundação ECARTA, Porto Alegre, 2005 | |
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AWB: Você tem certeza de
que não tem um público?
AWB: Você diz que esta é
uma coisa nova. Desde quando é assim?
AWB: No teu caso, desde
que você abandonou a faculdade de arquitetura esta forma de ousar, de
improvisar está sempre presente, não é?
AWB: Você tinha
consciência de que levaria a vida assim?
AWB: Você possui obras
de outros artistas?
AWB: Você é um
colecionador?
AWB: E da sua própria
obra, você tem bastante coisa?
AWB: Você não pensou
ainda em expor a sua trajetória histórica?
AWB: O que você está
produzindo atualmente?
AWB: E teremos uma
camiseta especial com um desenho seu… Que tipo de trabalho você irá expor?
AWB: Assim como o Paulo
Sérgio Duarte registrou na
5ª Bienal do Mercosul,
a pintura para você também resistirá?
AWB: E para finalizar
Mário, gostaríamos que você nos dissesse o que pensa do site
artewebbrasil? Esta é uma pergunta que nos constrange, pois parece que
queremos receber elogios, entretanto nossa intenção é saber o que os
artistas pensam realmente, ouvir críticas…
AWB: Agradecemos pela
entrevista, pela disponibilidade de tempo, enfim, por nos proporcionar
mais uma entrevista especial para o arteweb. |
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MÁRIO RÖHNELT, Pelotas, RS, 1950. |