a t e l i ê

 


   

 

Um eterno andarilho
por Kerlin Dutra, artewebbrasil

 

"O meu processo de trabalho é o do vagabundo, o flaneur, que caminha, caminha, caminha exaustivamente. É o exercício do perambular, de sair a rua, de fotografar. É a descoberta, o olhar do estrangeiro, o ato de se surpreender com as coisas, às vezes triviais". É assim que Leopoldo Plentz descreve a sua maneira de trabalhar, de fazer arte e de viver a vida. É isto que percebemos ao entrevistá-lo, ao descobrí-lo e ao invadir o seu local de trabalho.

O eterno andarilho possui residência fixa, endereço profissional, e quando não está com suas lentes andando pelas ruas do mundo, está viajando através da internet, escutando rádios francesas e perambulando pela rede virtual.


Foto : Leandro Selister


 

 

AWB: Como inicia a tua trajetória nas artes?
Leopoldo:
Minha trajetória é um pouco tortuosa. Quando entrei na universidade, cursei dois anos de Física. Era início dos anos 70, um período complicado, difícil em todos os sentidos. Além disso, era uma época de muitas coisas novas... Claro que chegavam aqui com uns quatro anos de atraso... Nesta onda toda havia uma inquietação geral, junto com a repressão política. Não participei diretamente de nenhum grupo, mas indiretamente estava participando e sentia muito medo. A década de 70 significa medo, na minha opinião.

AWB: Medo de quê?
Leopoldo:
Medo da repressão, da ditadura, de ser preso. Havia pessoas estranhas na sala de aula, colegas desapareciam... Era uma coisa velada, não era aberta, a repressão foi muito bem feita... Por tudo isso, e em função de ser muito imaturo, de não ter muita certeza de nada, tranquei a faculdade e fui viajar. Eu queria ir para a Europa, mas consegui chegar apenas no Rio de Janeiro.

AWB: E por que escolheste o curso de Física?
Leopoldo:
Antes de entrar na faculdade comecei a trabalhar no curso de Física. Eu estudava no Colégio Júlio de Castilhos e tinha um colega que trabalhava no Instituto de Física em um departamento que fazia gráficos, alguns desenhos e cálculos. Ele me convidou para trabalhar lá. Diria que eu era uma espécie de computador, tinha que fazer uns cálculos absurdos, desenhar gráficos... Mas era uma 'graninha' que entrava. O ambiente do Instituto de Física me seduziu. Porém, lá pelas tantas, vi que não era o que eu queria fazer e decidi morar no Rio de Janeiro.

AWB: Você conhecia alguém no Rio?
Leopoldo:
Sim, tinha amigos que moravam lá. Inicialmente comecei a procurar emprego. Eu trabalhava com computador, fazia o que se chamava de Programação de Computador, ainda não se dizia Informática. Eram trabalhos burocráticos. Procurei algumas coisas nesta área mas como não consegui, resolvi apenas curtir o Rio. Imaginava que o Rio de Janeiro fosse ser meu trampolim, pensava em trabalhar um pouco, juntar dinheiro e ir para a Europa. Foi no Rio que eu comecei a freqüentar o Museu de Arte Moderna.

AWB: Onde você morou no Rio?
Leopoldo:
Morei num lugar muito interessante em Botafogo. Primeiro morei em um apartamento com amigos e depois fui para uma pensão. Era uma casa maravilhosa, antiga... Lembro que o bairro de Botafogo sempre foi muito barulhento, mas quando eu entrava no meu quarto e fechava a porta, o silêncio era maravilhoso.

AWB: E você começou a freqüentar museus... Mas você já tinha este gosto por arte?
Leopoldo:
Sim e não. O meu interesse começou a ser despertado por uns amigos que moravam próximo. Eles faziam fotografia, tinham um laboratório fotográfico no apartamento. Comecei a freqüentar este ambiente, a me interessar cada vez mais e fui buscar outras coisas. Evidente que este foi um momento de crise pois eu não sabia o que queria.

AWB: Que idade você tinha?
Leopoldo:
Tinha 21 anos. Comecei a descobrir um outro lado. Aqui não tinha nada, hoje temos um meio cultural efervescente, mas no início dos anos 70, isso era 1973, o centro era Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje é bem diferente, mesmo que você more no interior do Estado, você tem acesso, tem como descobrir as coisas, tem uma espécie de índice, que é a internet. Mas no início dos anos 70 não havia absolutamente nada, Porto Alegre era uma pequena província. As coisas eram bem restritas. E também por eu não pertencer a um meio que lidasse com isso, eu não conhecia. A minha família não tinha nada a ver com o ambiente cultural e artístico. Mas no Rio de Janeiro comecei a descobrir estas coisas em meio a uma crise muito grande... O que eu vou fazer da vida? Aí, acabou o dinheiro e eu voltei para Porto Alegre.

AWB: Não deu tempo de se descobrir no Rio...
Leopoldo:
Acho que ainda estou me descobrindo, penso que nunca nos descobrimos, ou que a descoberta é um processo. Mas acho que encontrei um Norte, um caminho.

AWB: Você disse que havia acabado o dinheiro e por isso voltou para Porto Alegre. Você trabalhava em quê no Rio de Janeiro?
Leopoldo:
Quando fui para o Rio de Janeiro abandonei o meu emprego em Porto Alegre, no qual eu ganhava relativamente bem, trabalhava com programação de computador. Se tivesse continuado nesta área, acho que hoje seria um homem muito rico.

 

AWB: E no Rio?
Leopoldo:
Eu procurei emprego nesta área, fiz alguns testes... Mas o meu momento era outro. Só curti. Muita festa. Fiquei seis meses. O Rio de Janeiro era muito louco, a gente dormia na praia. O único medo que havia era da repressão política, esse medo havia em todos os lugares e gerava um 'escapismo': o desbunde do sexo, drogas e rock'n roll. Eu lembro que era um período bem louco. Vivíamos uma coisa tipo 'preto e branco', ou seja, ou você era da turma, da tribo, ou era careta. Não havia meio termo. Acho que hoje, se colocarmos a queda do muro de Berlim como marco, não temos mais a obrigação de ser isto ou aquilo, não somos mais cobrados a ter uma postura moral, ideológica.

AWB: E aí você voltou para Porto Alegre...
Leopoldo:
Sim, e evidentemente, que em uma crise muito grande. O que eu vou fazer da vida?


AWB
: E havia cobranças por parte de tua família?
Leopoldo:
Claro. A família ficou muito mal. Meu núcleo familiar era restrito, era meu pai, minha mãe e minha irmã. Eu fui o 'rebelde', o 'cabeludo', o 'maconheiro', tinha todos os rótulos. Quando voltei para Porto Alegre fui procurar o Atelier Livre, e aí comecei a fazer alguma coisa. Eu era absolutamente cru, mas no Rio já tinha começado a desenhar. Meus amigos todos de lá tinham alguma ligação com esta área. Lembro de ter visto alguma coisa do Hélio Oiticica, em 1973, o qual me causou uma sensação... 'O que é isso?' Eu não sabia de nada, não tinha a menor idéia de quem era Hélio Oiticica, eu era completamente 'verde', um guri. E aí voltei para Porto Alegre, a pressão familiar foi um problema. E além de tudo, era verão em Porto Alegre, e não tinha nada para fazer... A crise foi grande. Mas, para culminar, em fevereiro de 1974, eu e minha namorada sofremos um grave acidente de carro quando voltávamos de Santa Catarina. Fiquei envolvido com isso uns quatro anos. Tive fratura de fêmur. Minha tortura e o meu exílio foram neste acidente. Mas no meio desta confusão toda resolvi fazer Artes Plásticas. Consegui a transferência da Física mas não conseguia fazer o curso porque passei muito tempo de cama e de muleta, a minha locomoção era muito difícil. Tive que fazer várias cirurgias. Quando eu estava começando a colocar a 'cara para fora', tinha problemas de novo. Esse foi um período bem difícil, por isso a década de 70 para mim significa um período de dor e incertezas.

AWB: Então você ficou quatro anos convivendo com estes problemas...
Leopoldo:
Não foram anos corridos, mas tive que ficar muito tempo na cama, então eu lia muito. Lembro de ter lido Irmãos Karamazov, e quando estava no fim do livro lia uma página por dia, pois não queria que terminasse. Eu economizava o livro, tinha todo o tempo do mundo. Também li bastante Henry Miller. Quando eu estava no hospital lembro que o médico me disse que as duas coisas que me faziam mal eram cigarro e Henry Miller. E eram duas coisas que eu fazia compulsivamente, fumar e ler Henry Miller. No estado em que me encontrava, ou seja, imobilizado porque fraturei o fêmur, o que mais me fascinava era justamente a trilogia Sexus, Plexus, Nexus, quando o personagem saía, matava o emprego e ia caminhar, ficava pensando na vida, nas coisas e tal e andava, andava, andava. Ler Henry Miller era como se eu fizesse estas coisas.

 

"Quando eu estava no hospital lembro que o médico me disse que as duas coisas que me faziam mal eram cigarro e Henry Miller. E eram duas coisas que eu fazia compulsivamente."




AWB
: Ele caminhava por você...
Leopoldo:
Sim, e esta coisa de andar e caminhar para mim é muito importante. Depois quando comecei a caminhar de novo me matriculei em algumas disciplinas, embora tivesse uma dificuldade muito grande. Lembro que eu fazia uma disciplina com o Cláudio Martins Costa, mas tinha que carregar materiais como argila e eu não conseguia. Tive que fazer mais uma cirurgia e parei de estudar. Depois, no início de 1975, voltei para a faculdade e comprei e minha primeira câmera fotográfica. A câmera era de uma colega, busquei orientação com um amigo que era fotógrafo. Com isso, timidamente, comecei a fotografar alguma coisa, mas de uma forma muito primária. E ainda tinha a dificuldade de obter informações. Havia poucos livros aqui, eram caríssimos além de serem em inglês ou francês.

AWB: E a faculdade não te possibilitava este conhecimento?
Leopoldo:
Muito pouco, o que ela me dava de conhecimento em fotografia eu já sabia por ler manuais e a literatura que tinha acesso.

AWB: E como você buscou o aprendizado?
Leopoldo:
Fui me virando. Buscando informações nos meios disponíveis. Pesquisando.

AWB: E o curso do Atelier Livre?
Leopoldo:
O curso foi interrompido, fiz meia dúzia de aulas e depois me acidentei. No início de 1975 comecei a trabalhar como arte finalista de um designer chamado Carlos Alberto Gravina. Foi um grande aprendizado. Ele locava um espaço na Fotocontexto, que foi um estúdio e agência fotográfica criada pelo fotógrafo Assis Hoffmann. Comecei a freqüentar este ambiente, trabalhando com o Gravina que, na época, fazia o que chamavam de programação visual, hoje chamado Design. Eu entrei lá muito 'cru', mas sempre tive muita facilidade de aprender. Foi uma escola muito importante porque desenvolvi o rigor que tenho hoje. Era um trabalho técnico, envolvia precisão, composição de texto, aquilo que hoje você faz só apertando uma tecla do computador. Foi um aprendizado muito grande, me deu uma acuidade visual, um olhar mais apurado.

AWB: E a faculdade?
Leopoldo:
Ah, eu levava do jeito que dava. Não terminei o curso, comecei a me envolver com as questões profissionais. Também nesta época não existia essa coisa de vou fazer faculdade, depois vou fazer mestrado. Além do mais, havia um preconceito muito grande com quem fazia Artes Plásticas. Lembro que uma vez fui fazer uma entrevista em uma agência de publicidade e quando disse que era estudante de Artes os caras começaram a rir. Talvez, até com um pouco de razão. Além disso, saí de casa muito cedo, hoje as pessoas não saem mais de casa tão cedo porque há mais liberdade na casa dos pais do que ir para a rua. Mas na década de 70 não era assim. Saí de casa, mas depois com a história do acidente tive que voltar, depois saí novamente. Então eu tinha que me virar. A sobrevivência porém, era muito mais fácil. Lembro que não ganhava bem, mas vivia bem. Não tinha carro, mas saía de noite, ia aos bares, enfim vivia relativamente bem, talvez melhor do que hoje. Lembro que vivia mais despreocupadamente, talvez pela idade. Quando a gente é jovem acha que é imortal. A faculdade eu ia empurrando com a barriga que eu não tinha. Eu era magérrimo...

 

"A faculdade eu ia empurrando com a barriga que eu não tinha. Eu era magérrimo..."





AWB
: Ficaste trabalhando com o Gravina?
Leopoldo:
Trabalhei um ano e depois tive que parar para fazer uma nova cirurgia. Mais um período de molho... Ao todo foram uns quatro anos com algumas interrupções.

AWB: Mas depois destes quatro anos você ficou bem?
Leopoldo:
Sim. Esse foi um período de idas e vindas e de muitas incertezas...

AWB: O importante foi a tua persistência, não é?
Leopoldo:
É, acho que sou muito teimoso. Não sei até que ponto isto é uma qualidade ou um defeito. Fui crescendo, já não era mais um assistente, já desenvolvia os trabalhos de uma maneira mais autônoma. Acho que para mim foi uma grande escola. E aí entra uma coisa meio familiar, como todo o trabalho gráfico acaba em uma gráfica, acabei fazendo produção gráfica, acompanhando o trabalho nas gráficas e o meu pai foi, durante muito tempo, vendedor de uma gráfica. Cheiro de gráfica, de tinta, para mim eram coisas muito familiares, sempre achei isso muito legal, até hoje atuo nesta área, embora ultimamente esteja afastado do design gráfico.

AWB: Mas você fazia cursos?
Leopoldo:
Ah, sim. Sempre fui muito inquieto, aproveitava todas as oportunidades de fazer cursos e de freqüentar locais ligados às artes, procurando me aprimorar. Em 1976 comecei a fazer serigrafia, desenvolvi uma boa técnica.

AWB: No Atelier Livre?
Leopoldo:
Não, em casa mesmo. Eu voltei para o Atelier em 1978, a convite do Armando Almeida. Eu tinha feito alguma coisa em metal na faculdade e ele se interessou, gostou do meu jeito. Ele dizia que eu tinha 'espírito gráfico'.

 


 

 

 


Gravuras realizadas por Leopoldo Plentz em 1979

 

 

AWB: O teu trabalho é bastante técnico não é?
Leopoldo:
É, eu gosto disso. Gosto muito do artesanal. Isso na verdade me dá um prazer muito grande, adoro ferramentas, às vezes vou passear na loja Ferramentas Gerais – é o meu shopping. Eu creio que é importante o domínio técnico em qualquer área. Hoje em dia, como tudo está em efervescência, até parece que voltou a década de 70... Tenho a impressão de que em arte, o artesanato é mal visto, acham que você deve ser meio cerebral, suspirar e fazer uma obra, desde que tenha um discurso.


 

Tenho a impressão de que em arte, o artesanato é mal visto, acham que você deve ser meio cerebral, suspirar e fazer uma obra, desde que tenha um discurso.

 

AWB: Você está falando com relação à arte contemporânea?
Leopoldo:
Sim. Eu sinto que há discriminação com relação ao objeto artístico. É tudo muito virtual, cerebral. Gosto desta coisa de colocar a mão na massa mesmo, me dá muito prazer o fazer. E para mim a produção artística tem de ter o lado prazeroso do fazer. Caso contrário, não tem graça.

AWB: Quem discrimina o objeto artístico?
Leopoldo:
Alguns críticos e curadores.

AWB: E nestes locais onde você trabalhou, com o Gravina ou com outras pessoas, a fotografia ainda não tinha espaço?
Leopoldo:
Muito timidamente. Na verdade eu estava buscando caminhos. Neste período a fotografia era subsídio para fazer gravuras, pois não dominava o desenho figurativo, aliás nunca dominei. E a fotografia entrava aí, ou seja, nas minhas primeiras gravuras usei figuras decalcadas, eu copiava. As pessoas olhavam, diziam que eu tinha bom traço, mas não sabiam como eu fazia. Até que descobriram, foi um escândalo... Porque eu copiava, isto é, eu me apropriava de imagens feitas por mim ou que encontrava em jornais e revistas. Desta época eu tenho poucas fotos que considero interessantes.


 

AWB: Mas você não utilizava fotos suas para fazer gravura?
Leopoldo:
Algumas sim. A fotogravura é uma coisa que estou perseguindo até hoje. É deste período o que considero a foto número ZERO. Em 1977 fui a Buenos Aires, e fiz uma série de imagens, das quais escolhi uma que considero como sendo a minha primeira foto artística. Até usei para a disciplina de fotografia e acabei colando-a em um cartão. Ela está há 30 anos rolando pela minha casa, já serviu até de porta-copo. Não tenho o menor cuidado com ela, mas está sempre ali. É uma foto que gosto, não é nada especial, mas a elegi como a primeira foto. Entretanto, neste período, para desenvolver a fotografia como uma prática mais profissional, me faltava infra-estrutura. O laboratório que eu tinha montado naquela época era precário e os equipamentos não funcionavam direito.

 

 

Foto Zero
 




AWB
: E você continuava trabalhando com outras coisas? Não sobrevivia da fotografia, da arte?
Leopoldo:
Continuava trabalhando. Não sobrevivia da fotografia. Mas eu tinha uma vocação para impressor e lembro que ganhava algum dinheiro imprimindo gravuras horrorosas de um cara de quem não me lembro o nome. Eram uns casarios, e o cara colocava nas galerias e vendia. Eu imprimia para ele muito a contragosto.

AWB: E você fazia isto em casa?
Leopoldo:
Não, eu não tinha prensa. A partir de 1978 passei a morar no apartamento que moro até hoje, é grande e me propiciou um espaço para  trabalhar. Durante muito tempo trabalhei lá, tinha um quartinho que era um laboratório, um ambiente de 1,20m por 2,50m que, inicialmente, pintei de preto e ficou um horror... Gastei não sei quantas latas de tinta para pintar de branco.

AWB: Você desenvolvia esta sua atividade como artista paralelamente ao seu trabalho?
Leopoldo:
Sim, exatamente.

AWB: E quando você chegou no limite, ou seja, 'chega de trabalhar em outras coisas e vou me dedicar apenas à fotografia como forma de Arte'?
Leopoldo:
Ainda não consegui.

AWB: E depois de trabalhar com o Gravina?
Leopoldo:
No início dos anos 80 fui trabalhar na faculdade de Arquitetura. Fui contratado como técnico para coordenar o que veio se chamar de Gabinete de Fotografia. Ali encontrei o ambiente e a infra-estrutura adequada para desenvolver um trabalho fotográfico. Além das solicitações da faculdade também podia fazer o meu trabalho pessoal. Nesta época eu já tinha abandonado a faculdade de Artes Plásticas. Tinha 28 anos em 1980 e achava que estava na hora de focar em alguma coisa. Lembro que tinha uma quantidade de dólares guardados embaixo do colchão para investir em equipamento fotográfico, mas não tinha dinheiro para pagar o ônibus, ia trabalhar a pé, descia do ônibus sem pagar... Era uma coisa de teimosia mesmo. E nesta época eu já estava casado, o que era um agravante, pois tinha mais responsabilidade e depois tivemos um filho, o Daniel, que hoje está na Espanha.

AWB: Teu único filho?
Leopoldo:
Sim. Ele se formou em Publicidade e foi viajar. Me sinto muito realizado. Ele fez Publicidade para o meu espanto, pois gostava de música, tocava. Ele morava em Florianópolis com a mãe, depois veio para cá e fez Publicidade, trabalhou nas melhores agências. Eu padecia com isso, pois não gosto de publicidade. E ainda estudava na PUC que era 'cara para cacete'. Quando ele se formou, chegou e me disse: 'Pai, não agüento mais! Não é isso que eu quero'. Eu o estimulei a fazer o que ele tinha vontade, que é música. Publicidade é uma sacanagem, ele trabalhava direto nos finais de semana. Aí ele caiu fora e entrou em crise. A história se repete. Não sabia o que iria fazer.

AWB: Mas ao contrário do pai ele conseguiu chegar na Europa neste momento de crise...
Leopoldo:
É... Ele resolveu encarar a música, gravou um CD. Foi para a Europa estudar música, mas a batalha pela sobrevivência não deu muito espaço. Ele estudou um semestre e agora resolveu só curtir.

AWB: A tua família foi a causa de você encarar a fotografia de maneira mais profissional?
Leopoldo:
Sim, parei de fazer gravura e fui de cabeça para a fotografia que me oferecia uma perspectiva profissional mais promissora. Ainda em 1979, fiz a minha primeira exposição individual e o meu primeiro workshop. Foi a minha primeira experiência com o ensino. Foi em Bagé. A mãe do meu filho viveu em Bagé durante muitos anos, embora seja pernambucana. Ela conseguiu um espaço e eu fiz uma exposição mostrando desenhos e gravuras e dei um curso de serigrafia. Foi uma experiência ótima. Ano passado reencontrei uma ex-aluna deste curso... Foi muito legal... Em 1982 fiz três exposições. Uma foi junto com o Luiz Carlos Felizardo, que é meu amigo. Fizemos intervenções de cor nas fotografias preto e branco usando o processo fotográfico chamado de viragem. A exposição se chamou 'A quatro mãos'.

AWB: Onde foi?
Leopoldo:
Foi na galeria da Inês Pinto de Morais, que funcionava dentro do restaurante Lugar Comum, na rua Lucas de Oliveira. Esta exposição foi muito interessante. Eu mostrei uma série de fotografias que fiz dentro do banheiro da minha casa. O fio condutor, ou a unidade, era a alteração das fotografias com a cor, e as decisões eram tomadas de comum acordo, cada um dando palpite na foto do outro. Lembro que foi muito rico e foi a primeira vez que discuti fotografia com alguém pois papo de fotógrafo é um porre... 'Ah, qual é a tua lente? Qual é a tua câmera?' Hoje é o modelo de computador, uma chatice... Mas esta foi a primeira conversa inteligente sobre imagem que tive com alguém. Foi muito gratificante.

AWB: E as outras exposições de 1982?
Leopoldo:
Uma foi a exposição individual no IAB. No verão de 1981 fiz uma viagem, para fotografar, percorri as cidades históricas de Minas até Brasília, queria colocar o nome de 'Do barroco ao Niemeyer', mas não tive coragem e acabou se chamando 'Fotografias de Arquitetura'. Foi super legal, vendi algumas fotos. Lembro que foi um ano de muito trabalho. Depois fiz uma terceira exposição sobre a inauguração do Parque Farroupilha em 1935. Era uma exposição documental, a Faculdade de Arquitetura comprou os negativos do Olavo Dutra, que era um fotógrafo que atuou naquele período. Foi o meu primeiro contato com a fotografia histórica, tive que aprender a mexer com isso, com negativos de vidro, como limpava, como guardava... Neste período, a Funarte estava começando a aparecer e em 1982 criaram o Núcleo de Fotografia, que depois se transformou no Instituto Nacional de Fotografia. A partir de então, a Funarte começou um programa de descentralização das informações, principalmente nesta área de acervos históricos. Eles vieram visitar a Faculdade de Arquitetura. Esta exposição foi muito interessante, tinha algumas fotos minhas, as fotos do Dutra e de outros autores. Foi bárbaro. Foi um período muito intenso, uma loucura de fazer três exposições em um ano, para quem tinha pouca experiência. E para somar, a mãe do meu filho, chamada Jade, tinha passado em um concurso e tinha ido trabalhar em Florianópolis. Ela foi para lá, eu estava aqui e neste meio tempo nós engravidamos. Era uma loucura, ia para lá nos finais de semana, ela também vinha para cá quando possível. O Daniel nasceu em fevereiro de 1983, eu estava trabalhando. Lembro que paguei o parto do Daniel com fotografias que havia feito para um audiovisual. O parto foi no Hospital Moinhos de Vento. Se colocarmos no papel os valores de hoje, chegaremos à conclusão de que a fotografia era bem remunerada. Ao findar a licença maternidade dela fomos morar em Florianópolis. Fizemos uma 'gauchada'. Fomos viver na praia. Não deu certo. Hoje Florianópolis tem estrutura melhor em todas praias, mas naquela época não tinha. E lembro que em 1983 choveu muito e que alagou tudo.

AWB: Em que lugar vocês moravam?
Leopoldo:
No Sul da Ilha, em Armação. Eu tinha conseguido uma transferência da universidade daqui para a universidade de lá e me engajei num projeto para registrar o estrago causado pelas chuvas na região do Vale do Itajaí. A idéia inicial era fotografar os danos, mas encontramos um acervo riquíssimo de arquitetura da imigração alemã. Eu me envolvi neste projeto e trabalhei um bom tempo com isso. Depois trabalhei em outro projeto muito interessante, a documentação das obras de restauro e do acervo do Museu Vitor Meirelles, em Florianópolis.

AWB: A fotografia também é um hobby?
Leopoldo:
Não faço muita diferença entre trabalho e lazer. Tem um escritor, chamado Mark Twain, que diz: 'O segredo do sucesso é fazer do trabalho uma distração'. Tem um outro ditado budista que diz: 'Descubra algo que você goste de fazer e você nunca mais terá trabalho'.

AWB: E a questão de trabalhar por encomenda?
Leopoldo:
É, eu quase sempre trabalhei por encomenda, mas há encomendas e encomendas. Sempre procurei aliar o prazer ao trabalho. Quando perguntam o que faço,  digo: 'Trabalho com documentação de bens culturais'. Isso envolve fotografias de obras de arte, arquitetura, patrimônio histórico, ou reproduções de fotografias históricas. Sempre o assunto me enriquece de alguma forma. E o meu trabalho como artista também gira em torno disso. É difícil separar o que é pessoal e o que é uma encomenda. Por exemplo a foto da Mesbla foi uma encomenda para um livro que se chamou 'Arquitetura Contemporânea do Rio Grande do Sul', produzido pela Faculdade de Arquitetura.
 


Prédio da Mesbla. 1° Lugar no concurso Fotografia de Arquitetura promovido pelo CONFEA / 1999




AWB
: Já aconteceu de você sair para fazer uma encomenda e encontrar assuntos que lhe interessaram artísticamente?
Leopoldo:
Sempre acontece e o que eu tenho de melhor é assim. As duas fotos que fazem parte da coleção Pirelli foram em situações parecidas. Uma delas eu estava fazendo um trabalho de documentação no Vale do Itajaí, olhei para o lado e vi uma coisa que me interessava, apesar de não interessar para o trabalho. Em 1984 ganhei a minha primeira bolsa, que era do Instituto Nacional de Fotografia. Era uma bolsa de fomento, o dinheiro não era muito grande, lembro que o primeiro valor que recebi comprei todo em material fotográfico, fiz um estoque. O projeto envolvia viagens e dei um jeito de desenvolver o trabalho até durante as viagens de lazer. Em uma destas saídas fiz a outra foto que também faz parte da coleção Pirelli. São fotos que considero importantes, são fotografias de paisagem cultural isto é, aquelas em que aparece a presença do homem.



 

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Foto: Benedito Novo, Santa Catarina
Obra integrante da coleção MASP/Pirelli






AWB
: Qual é o teu trabalho hoje?
Leopoldo:
Faço várias coisas. Uma delas é a prestação de serviço de laboratório para outros fotógrafos ou pessoas interessadas em fazer cópias em preto e branco. O que me mais gratifica neste trabalho é quando recebo uma encomenda de exposição... Já produzi várias, algumas com serviço completo de cópias, passe par tout, moldura, montagem e catálogo. Também tenho trabalhado muito com tratamento de imagens, é o que chamo de laboratório digital, ou seja, trabalhar as imagens no  computador.

AWB: Para que tipo de cliente?
Leopoldo:
Para instituições. Este ano fiz um trabalho muito grande para o Arquivo Histórico de Caxias do Sul, pois em 2005 se comemoram os 130 anos da Imigração Italiana. Reproduzi as fotografias digitalmente, através do  scanner. O acervo é riquíssimo, tem imagens fabulosas, maravilhosas. Isso é uma das atividades que faço. Tenho outros clientes que me repassam fotos do acervo da família, e periodicamente me encomendam um grupo de imagens. Além de retirar as fotografias dos álbuns, que não são formas adequadas de conservação, eu as coloco em um outro suporte, mais adequado, digitalizo as fotografias e restauro. Até pouco tempo atrás faria reproduções destas fotos com processos convencionais, isto é, com filme fotográfico, mas hoje uso o processo digital. É um trabalho de preservação de memória.



 

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Erótica
Sala de Fotografia
Theatro São Pedro
Porto Alegre, 1990





AWB
: É um trabalho mais comercial, não é?
Leopoldo:
Sim. Faço alguma coisa também de fotografia de arquitetura. Tempos atrás tinha uma revista de São Paulo, do setor de indústrias, que me contratava para fotografar os empresários, as indústrias daqui do Sul.

AWB: E você continua fazendo gravura?
Leopoldo:
Não, parei em função da fotografia, embora ache que o tipo de fotografia que faço está muito próximo da gravura. O tipo de tratamento dado à imagem acho que é parecido com a gravura.

AWB: E este trabalho mais artístico você desenvolve nas horas vagas?
Leopoldo:
É, isso é difícil de responder... O que são horas vagas?

AWB: Mas você tem uma rotina de trabalho?
Leopoldo:
Tenho uma rotina de umas 12 horas de trabalho por dia. Faço o trabalho artístico aliado ao trabalho comercial, tenho de pagar minhas contas... Nos últimos anos, em função de alguns prêmios e de uma bolsa VITAE, tive a oportunidade de me dedicar mais ao meu trabalho artístico.

AWB: Você acha que os prêmios oferecem a oportunidade para realizar um trabalho artístico mais tranqüilo?
Leopoldo:
Isso é fundamental. Mas tem que ter cuidado. Acho que os prêmios/bolsas são mais interessantes quando estimulam a produção cultural, pois geram um produto. Deveriam existir mais oportunidades de fomento à arte, seja em âmbito público ou privado. Como exemplo posso citar o Prêmio Gaúcho de Fotografia, que nas suas duas primeiras e únicas edições contemplavam o fotógrafo com recursos para desenvolver seu projeto, garantia a exibição deste trabalho no MARGS, e ainda tinha o compromisso de uma cópia do trabalho vir a integrar o acervo do Museu. É enriquecedor tanto para o artista quanto para a sociedade. Isto te dá a tranqüilidade de espírito para poder pensar e desenvolver o teu trabalho. Às vezes me apresento como amador, sou aquele que trabalha nos fins de semana e amo o que faço. Aí entra a minha teimosia. Em diversas oportunidades, não tinha um 'tostão furado' mas estava lá fazendo o que achava que deveria fazer. Às vezes me encontrei em situações malucas, não tinha grana, nem nada, estava devendo e fazendo uma coisa inútil, que não iria pagar as minhas contas... Isso é complicado, gera um desgaste brutal.

 

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Efêmeras, ou a impossível eternidade das coisas
Prêmio Gaúcho de Fotografia, 1998
Exposição MARGS - POA






 

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Simulacro
ou fotografias de coisa nenhuma



1ª Bienal Internacional de Fotografia da cidade de Curitiba como fotógrafo convidado em 1996

Galeria dos Arcos - Usina do Gasômetro
Porto Alegre - 1998


 

Gnomos de Cabo Polônio, 1997


 

AWB: E deve afetar a criatividade...
Leopoldo:
É, você tem que ser muito teimoso e cabeça dura para continuar porque tudo te leva a desistir. A fotografia comercial pode ser muito rentável, a área de publicidade dá muito dinheiro, a fotografia social, casamentos dão muita grana. Mas são atividades excludentes, isto é, não te deixam espaço para desenvolver um trabalho de cunho mais autoral. O olhar fica viciado.

AWB: Você já fez este tipo de trabalho?
Leopoldo:
 Nunca consegui, mas sei que dá muito dinheiro. A fotografia social é um grande mercado, movimenta a indústria fotográfica.

AWB: E foto publicitária?
Leopoldo:
Fiz muito pouco. Tenho dificuldade de trabalhar com publicidade.

AWB: Você trabalha com cor?
Leopoldo:
Sim, mas muito pouco. Acho que o artesanal e a gravura são as razões da minha escolha pelo preto e branco, tudo em função da possibilidade de manipulação da imagem. É muito recente esta coisa de pegar uma foto, mexer no computador, levar para o laboratório e ter o resultado que se deseja. Do contrário você fazia a foto, tinha de aceitar aquilo que o laboratório te entregava. A outra possibilidade era de fotografar em cromo (slide), mas com a dificuldade de transportar para o papel, tinha que fazer uma coisa que se chamava internegativo, que normalmente ficava uma droga. Lembro que poderíamos enviar para os Estados Unidos, ou para São Paulo e Rio, para fazer o Cibachrome ou processo direto, com um resultado maravilhoso. Mas isso era caro, longe e inacessível. Então a cor sempre ficava refém do que o aparelho poderia me dar, eu não podia alterar. Enquanto no preto e branco as alterações são possíveis, desde destruir até construir uma fotografia. Essa coisa sempre me atraiu. Hoje em dia, usando o computador, posso construir imagens, alterar fotografias, organizar os pesos, as tonalidades. O que eu faria no laboratório preto e branco, posso fazer no computador, levo o arquivo para imprimir e normalmente tenho um resultado bem satisfatório, então ultimamente tenho trabalhado com imagens em  cor.

AWB: Você tem usado câmera digital?
Leopoldo:
Sim, mas muito pouco. Mas com relação à isto, gostaria de comentar que acho que a fotografia digital e a analógica são a mesma coisa. O princípio é o mesmo. Na verdade, podemos considerar que a fotografia tem 500 anos, é Renascentista. A câmera digital é um aparato contemporâneo, mas é igual à câmera que os pintores usavam há 500 anos atrás. A ideologia de construir uma imagem é a mesma. É um aparato Renascentista, não mudou absolutamente nada. Acho que a fotografia e toda a produção audiovisual são a visão do caolho, isto é, a visão de um olho só. É uma lente, é todo o princípio da perspectiva uni-ocular, de um único ponto. Vejo que a diferença é a facilidade, a instantâneidade, a rapidez. Não entendo por que fazem tanta polêmica.

AWB: Falam da facilidade da manipulação com relação às fotos jornalísticas...
Leopoldo:
Mas isso sempre foi possível. As fotomontagens têm longa data e muitos governos totalitários se utilizaram disto para tirar das fotografias as pessoas que não lhes interessavam.

AWB: Atualmente você utiliza apenas a digital?
Leopoldo:
Não, uso mais o filme e digitalizo depois. Tenho apenas uma câmera digital, é pequenininha, de 4 Mega Pixels.

AWB: Por que você usa mais o filme?
Leopoldo:
Porque a minha câmera digital é limitada, tem poucos recursos. Com o sistema híbrido, filme + digitalização, tenho mais possibilidades.

AWB: Você tem fotos de outros fotógrafos em casa?
Leopoldo:
Sim, aqui mesmo na entrada do laboratório tem a galeria dos amigos.

AWB: E arquitetura, tu nunca quiseste fazer?
Leopoldo:
A experiência com o Gravina e depois o tempo que trabalhei dentro da Faculdade de Arquitetura me aproximou muito da área. Sou um voyeur da arquitetura. Tem gente que acha que eu sou arquiteto...

AWB: Qual a tua experiência com ensino?
Leopoldo:
Em 1982 a Funarte começou com as Semanas Nacionais de Fotografia. Acho que o papel que Funarte desempenhou nos anos 80 foi muito importante, pois através das Semanas Nacionais de Fotografias ela criou um intercâmbio de fotógrafos do Brasil. As Semanas Nacionais de Fotografia, tinham o objetivo de cruzar as informações, fazer com que as pessoas se conhecessem e eu ministrei o meu primeiro workshop de fotografia, em 1986, em Curitiba. Foi super legal. Era um workshop teórico e prático. Nessa época eu já tinha um bom trabalho de laboratório e fiquei conhecido. Com isso, começaram a me chamar. Lembro que nesse período, de 1986 até 1989, eu virei um 'workshopista' ambulante. Ministrei workshops em Aracaju, em Brasília, Ouro Preto, São Paulo... Quando tinha workshop de fotografia me chamavam... Isso foi bárbaro. Nesse workshop de 1986, tive um aluno, que hoje é um grande amigo meu. Ele estava no segundo ou no terceiro ano de Medicina, fez o workshop comigo e desistiu do curso... Que responsabilidade... Foi ser fotógrafo... Ele se chama Marcelo Buainaim. Ótimo fotógrafo, morava em Campo Grande, me levou para lá, organizou um workshop, me apresentou a família. Ele era filho de médico... O Marcelo tem uma trajetória maravilhosa, anos depois foi para Europa, tentou Paris, não deu, depois viveu 10 anos em Portugal, até 2003.

AWB: Você costuma acompanhar a trajetória dos seus ex-alunos?
Leopoldo:
Alguns, e o Marcelo sempre, pois ele é impressionante, sempre que tem uma oportunidade ele me cita, e eu acho isso muito gratificante. Fui visitá-lo em Lisboa e agora ele está morando no Brasil, em Natal, Rio Grande do Norte. Para você viver na Europa tem que ter muita grana. Ele morava em um lugar muito feio, velho, porém simpático, romântico, mas pouco prático além de caro, e ele dizia: “Leopoldo, você é a testemunha de que eu sobrevivi aqui por 10 anos...”

AWB: E depois você continuou a fazer trabalhos junto a Funarte?
Leopoldo:
Em 1989, durante o governo Sarney, a Funarte começou a afundar. Veio o governo Collor que liquidou com tudo. Neste momento eu já tinha passado a ser funcionário da faculdade e estava cansado do trabalho que estava fazendo. Surgiu então em 1990, um convite da Escola de Comunicação da UFRGS para trabalhar. Apesar de não ser de uma maneira legal, dei aula até 1996, quando me demiti. Eu não era concursado, mas tinha todo o status. Neste período creio ter contribuído para o crescimento de alguns alunos, hoje fotógrafos profissionais. Depois deste período eu ainda ministrei dois anos de aula em Passo Fundo, onde colaborei na montagem de um laboratório de ensino de fotografia na UPF.

AWB: Foste morar lá?
Leopoldo:
Não. Eu ia uma vez por semana. Isso foi em 1996. Fiz um projeto super ambicioso, e eles compraram tudo o que pedi. Montei o laboratório. Foi uma experiência maravilhosa, era o laboratório ideal, eles montaram uma estrutura de ensino muito boa. Mas era difícil, pois eu saía daqui quinta-feira à noite, dava aula na sexta-feira pela manhã e à noite e sábado pela manhã também, pegava o ônibus e voltava. Lembro que nessa época o Jaime Lerner começou a dar aula na UPF também, a gente se encontrava no hotel, foi um período legal e tal, mas ficou complicado. A minha primeira experiência com Passo Fundo foi quando me convidaram para a Jornada Literária em 1995, dez anos atrás. Eu sabia alguma coisa, mas não tinha muita idéia da grandiosidade do evento. Foi uma coisa maravilhosa, surpreendente.

AWB: Você foi fotografar a Jornada Literária?
Leopoldo:
Não. Fui ministrar um workshop. Foi assim que começou minha relação com a UPF.

AWB: E depois de ministrar tantos workshops você nunca quis ter a sua própria escola ou curso de fotografia?
Leopoldo:
Tenho vontade de fazer isso, quem sabe?

AWB: Você é avesso a compromissos?
Leopoldo:
Bom, primeiro porque acho que ensino é uma coisa muito séria, e o que vi na faculdade... Havia professores que davam aula como um 'bico' e eu achava aquilo muito ruim. Acho que para você ensinar, ser professor, tem que abdicar de certas coisas. Penso também que na área de Comunicação, de Artes ou Arquitetura, é necessário ter um 'pé no mercado', porque senão você vai falar 'grego' com os alunos. Mas também creio que dar aula não pode ser brincadeira. Então, na minha situação, ou faço um curso superior, ou vou ser fotógrafo. Dei um peitaço, fui tentar ser um só, tentar unir meus pedaços. Acho também que o ensino, além de ser muito sério e envolver um compromisso, tem uma coisa que eu particularmente tenho dificuldade em lidar, que é aquela relação de poder que se estabelece entre professor e aluno, que envolve nota e a avaliação. No caso da fotografia, todo mundo gosta, mas em um curso de comunicação, em que você é obrigado a cursar, você gosta de fotografia, mas pode não haver tanta dedicação. Então é por isso que eu me sinto muito mais tranqüilo em um workshop, pois quem está ali é porque está a fim.

AWB: As pessoas são mais interessadas...
Leopoldo:
Sim. Este ano tive uma experiência bem gratificante, lá na Unisinos. Foi um workshop bom, com 52 horas/aula, era uma turma heterogênea. Uns tinham experiência, outros não. Mas você não tem como fazer uma triagem, a não ser que você faça uma entrevista breve e tal. Mas me sinto à vontade porque não tenho essa relação de poder, o cara está ali porque está a fim, eu não tenho que me preocupar se ele estudou ou não, é uma relação mais madura, mais adulta. Agora, isso é uma dificuldade particular minha, tem inúmeros professores que resolvem muito bem isso, eu não lido de uma maneira muito confortável.

AWB: Nos teus cursos você procura discutir a imagem?
Leopoldo:
Sempre fiz questão disso. Por exemplo, esse curso na Unisinos intitulei de "Fotografia Preto e Branco, linguagem e técnica", então procurei falar sobre a linguagem fotográfica e a técnica para tentar dar um panorama de como é possível realizar determinados tipos de fotografia. Procurei mostrar o máximo em termos de escolas, tendências e autores.

AWB: E a bolsa VITAE, já terminou?
Leopoldo:
Sim.

AWB: E houve uma publicação?
Leopoldo
: Isso é uma coisa que eu gostaria, mas que significa ter que correr atrás de patrocínio. Nos últimos anos, em função de alguns prêmios, algumas bolsas, consegui me dedicar bem mais ao meu trabalho artístico. Não que artístico seja arte, nem tudo que é artístico é arte. O Prêmio Gaúcho de Fotografia foi um impulso muito bom. Lembro que passei um ano, não apenas fazendo o projeto da bolsa, mas um ano com uma verba que me dava o impulso para produzir. Em 1999, com a foto da Mesbla, ganhei um prêmio de R$ 20 mil, 1º Lugar na categoria Fotografia de Arquitetura do Concurso Nacional 500 Anos promovido pelo CONFEA. Eu não acredito quando eu penso nesse valor... E isso me deu um impulso. Investi parte deste dinheiro em equipamentos. Até aquele momento eu tinha uma câmera Hasselblad com apenas uma lente, então comprei mais duas lentes e uma câmera 4x5 polegadas. Isso me deu um grande impulso, comecei a fotografar mais e com mais recursos. É evidente que sempre lendo, sempre buscando coisas, informações.

AWB: Sempre buscando aprender mais...
Leopoldo:
Claro. No ano de 1999, quando foram comemorados os 500 anos de Descobrimento do Brasil, participei de um projeto muito bem organizado, que se chamou '100 fotógrafos fotografam o Brasil'. Escolhi fotografar a fronteira Sul. Fui para Bagé, que é um lugar onde tenho alguns amigos, os quais me levaram para algumas fazendas e pude fotografar coisas que achava interessantes, e que podiam ser singulares em relação a uma visão mais abrangente do Brasil. Depois houve um encontro em Brasília, e reencontrei o Walter Firmo, fotógrafo, que é muito meu amigo, um guri com os seus 66 anos. Ele me disse que estava em Paris, e falou de um projeto do Banco Icatu, que talvez pudesse me interessar. Realmente me interessei, mandei um projeto em 1999 e não deu em nada. Em 2000 mandei novamente o projeto e então fui contemplado para uma residência na Cité Internationale des Arts. Na segunda metade de 2001 fui para Paris. Isso me deu um impulso notável para produzir. Em Paris trabalhei feito louco, trabalhei o tempo todo, alucinadamente, compulsivamente. Quer dizer, primeiro, fui conhecer Paris que eu não conhecia. Fotografar cidades ou cenas urbanas sempre me chamou atenção, o cenário construído, ou objetos construídos, as ações humanas... Embora o homem não apareça explicitamente nas minhas fotografias, ele está ali o tempo todo. Antes de viajar, li muito. Lembro que li um livro da Sandra Pesavento O Imaginário da Cidade que fala de Paris, fala do Rio e fala de Porto Alegre. Ela falava dos fotógrafos, dos pintores, da literatura, daqueles que escreveram a respeito das cidades. Este livro me ajudou a montar o meu projeto.


AWB
: Você já sabia o que faria em Paris?
Leopoldo:
Eu tinha um certo esboço de projeto montado para desenvolver. Eu tinha uma estrutura legal, um espaço para trabalhar com cozinha e banheiro. Fui a várias exposições, visitei Museus, foram sete meses em Paris. Bem, voltando um pouco no tempo, em 1995, houve uma exposição de dois fotógrafos portugueses em Porto Alegre e um deles, o Aníbal Lemos, tem uma galeria de fotografia na cidade do Porto. No início de 2001 ele ligou me convidando para fazer uma exposição na galeria. Eu disse que estava indo para Paris, depois fui para Lisboa, aí depois para Porto, onde mostrei o ensaio intitulado Topografia. Foi ótimo, uniu tudo. Tive a oportunidade de viajar por vários lugares, foi tudo de bom.

AWB: Depois destas viagens você voltou para Porto Alegre?
Leopoldo:
Sim, e essa volta foi pavorosa para mim. Não foi só o fato de voltar para cá e comparar uma coisa com a outra. Mas foi voltar para uma rotina miúda. Lá eu vivia um sonho, estava em Paris, no melhor lugar do mundo, tinha uma bolsa, era só exposição, arte...  Além disso, tinha a companhia do Alfredo Nicolaiewsky, do Paulo Gomes, da Ana Albani e da Teresa Poester, que estavam fazendo Doutorado em Artes. Depois minha mulher conseguiu ficar um bom tempo comigo e meu filho foi também. Voltei em 2002 e isso foi muito duro para mim. Fiquei depressivo, foi horrível, mas não posso reclamar, porque olhando de longe acho que foi um processo. Tem dias que chove, tem dias que faz sol. Outra coisa que fiz foi deixar uma proposta de exposição na Embaixada Brasileira. No início de 2003, me ligaram dizendo que havia uma data disponível. Fiquei pensando em como faria para voltar a Paris. Então enviei uma proposta para a Cité Internationale des Arts que foi aceita e isto viabilizou os custos consideravelmente. Fui. No final de 2003, passei mais dois meses e meio, quase três. Foi bárbaro, porque o Cássio Vasconcelos, fotógrafo, estava por lá dando continuidade ao projeto ‘Noturno’. Ele havia feito 'São Paulo Noturno', e foi fazer 'Paris Noturno', então tinha uma parceria legal, saíamos juntos para fotografar, era um 'frio do cão'... Muito bom! Depois o Walter Firmo foi para lá com uma 'trupe' fazer um workshop. A minha exposição foi legal. Quando eu dizia que tinha uma exposição na Embaixada todos achavam que eu era importante. Mas isso não significava nada. Nesse período, reencontrei o Jean-François Couvreur, que é curador da Maison Europeéne de Photographie. Ele me convidou para participar do Festival Photo, Nature et Paysage em Gacilly, França. Esta exposição aconteceu este ano onde mostrei novamente o ensaio Topografia. Antes de ir para Paris, em 2001, enviei um projeto para a Fundação VITAE, já havia enviado uma meia dúzia de projetos para a VITAE. Outro dia estava relendo alguns, e pensei: 'Ainda bem que não me deram. Esta bobagem.' Mas em 2001, antes de viajar, enviei um projeto, era a continuação daquele que eu estava desenvolvendo que envolvia a América Latina, mas não estava muito bem formulado, e esse também eu olho e penso... ‘ainda bem que não me deram’. Em 2003, reformulei o projeto, e enviei novamente. Então, quando estava voltando de Paris, em janeiro de 2004. Voltei em uma quarta-feira, e na sexta eu já fui para São Paulo participar do projeto 450 anos de São Paulo. Eram 45 fotógrafos que deveriam fotografar a cidade de São Paulo. Eu estava lá e recebi o telefonema avisando que havia sido contemplado com a bolsa VITAE. Foi maravilhoso, e eu ainda estava na companhia do Firmo, que é para mim é uma figura muito legal, importante, porque sempre nos momentos bons ele estava do meu lado de alguma forma. Eu estava muito feliz mas não podia contar que tinha ganhado a bolsa porque tinha que aguardar a publicação na imprensa, o que aconteceu dois ou três dias depois. E eu faceiro da vida... Voltei para Porto Alegre e comecei a trabalhar. Foi muito legal. A idéia do projeto era trabalhar com as cidades da fronteira e as capitais Buenos Aires, Montevidéu e Porto Alegre. Acho que fiz um bom trabalho, mas falta dar um fechamento, quer dizer, fazer uma publicação. De Paris, trouxe 3.600 negativos, entre 6x6 e 35mm. Fotografava compulsivamente... Evidente que tem muito cartão postal, conseqüência do deslumbramento, da novidade. E aqui  volta o Henry Miller, pois o meu processo de trabalho é o do vagabundo, o flaneur, que caminha, caminha, caminha exaustivamente. Isso para mim é recorrente. Lembro que quando eu tinha uns 20 anos, minha namorada na época, morava do outro lado da cidade, e eu atravessava Porto Alegre de madrugada. Caminhando resolvia todos os problemas do mundo. Claro que hoje a gente resolve só a metade dos problemas e ainda corre o risco de ser assaltado....



 

 


Topografia


Naquela rua cotidiana havia uma árvore que eu acompanhava, estação a estação. Era um jacarandá. Na primavera estendia um tapete lilás aos que passavam. Um dia, naquela rua cotidiana de minha vida, o jacarandá de tantas flores não estava mais lá. Só a sua cicatriz.

É imensa a dor que sinto toda a vez que me deparo com o que restou de uma árvore. Penso sempre no longo tempo necessário para atingir aquela dimensão e os poucos minutos para ser abatida.

Os motivos que levam a esta violência às vezes são nobres: a árvore estava doente e poderia cair sobre as pessoas; suas raízes prejudicavam nossa água encanada; seus galhos competiam com a rede elétrica; ou, ainda, para dar passagem a mais uma avenida.

Não importa, para mim é sempre incompreensível. É um sentimento de que a vida atrapalha o trânsito, o passeio público, suja as calçadas.


 
A vida incomoda.

Estas fotografias representam uma porção do espaço cotidiano: ruas de minha cidade, referências subjetivas e minhas perdas. Leopoldo Plentz, Julho/2001
 





AWB
: Henry Miller continua nas tuas lembranças. Você não seguiu a recomendação médica?
Leopoldo:
Não. Só deixei de fumar. Isso faz parte do meu processo de trabalho. É o exercício do olhar, do perambular, de sair a rua, de fotografar. É a descoberta, o olhar do estrangeiro, o ato de se surpreender com as coisas, às vezes triviais. Por outro lado, eu já organizei uma exposição em que as fotos foram produzidas, ou dentro da minha casa ou em lugares próximos à ela, então é aquilo de olhar para um cantinho, aquele canto que tu olhas todos os dias e pensa... 'Quem sabe eu fotografo?' Na verdade não é o canto, e sim a foto do canto. O assunto para mim não é muito importante e sim como se fotografa. Ou ainda como as coisas ficam depois de fotografadas. Esta exposição eu intitulei 'Simulacro ou Fotografia de Coisa Nenhuma'. Neste sentido, tenho também o trabalho que intitulo de ‘Ex-coisa ou Arqueologia Urbana’, no qual fotografei pequenos objetos incrustados no asfalto. Também tem este aspecto de prestar atenção em coisas sem importância. São como fósseis modernos. Cinco destas fotografias foram adquiridas pela Biblioteca Nacional da França e também fazem parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires.

 

Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz


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Ex-coisa ou Arqueologia Urbana
Acervo da Biblioteca Nacional da França
Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires.


 

 

 

Cidades Visíveis

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Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz
Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz
Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz Leopoldo Plentz

 

Fotografar situações urbanas, é para mim, uma forma de reconstrução interna do mundo que nos rodeia, na qual proponho questionamentos e procuro responder a algumas perguntas que têm permeado a minha pesquisa estética através da fotografia. Ao reunir fragmentos de cenas urbanas, apresento a construção de outras e múltiplas cidades que transcendem a localização geográfica, resultando em cidades-mosaico, metáforas de realidades atemporais. Leopoldo Plentz, Junho 2005



AWB
:
Como você percebe essa apropriação da fotografia pelos artistas plásticos? Tens algum artista em especial que admiras e que não tenha vindo especificamente da fotografia ?

Leopoldo:
Creio que a fotografia não pertence a nenhuma categoria ou profissão. Ela é de domínio público. O que considero importante é que ela seja usada de maneira inteligente, sensível e bem feita. Acho que o Vic Muniz é um bom exemplo.

AWB: Como você analisa o mercado da fotografia em Porto Alegre? Existe esse mercado ?
Leopoldo:
Não creio que exista um mercado específico para a fotografia. Há alguma coisa isolada, como por exemplo, o uso da fotografia para decoração.

AWB: Qual a tua opinião sobre a Bienal do Mercosul e sobre os trabalhos em fotografia que são apresentados?
Leopoldo:
Toda iniciativa de exibição de arte vem a contribuir para formação de público e de alguma forma contribui para uma sociedade melhor. Acho muito importante a existência da Bienal aqui e concordo com o curador que ela deva mudar o nome para Bienal de Porto Alegre. Quanto aos trabalhos apresentados em fotografia não saberia dizer pois ainda não os vi.

AWB: Porque não há jeito de 'vingar' em Porto Alegre eventos sobre Fotografia, a exemplo do que acontece em São Paulo ?
Leopoldo:
Sabes qual a diferença do siri gaúcho e o siri baiano? O siri baiano tu tens que colocar uma pedra e fechar a panela com um cadeado, porque quando dá uma frestinha o siri baiano coloca uma patinha, o outro já empurra e quando tu vês todos fugiram. O siri gaúcho tu podes deixar a panela aberta, o primeiro que coloca a patinha para cima o que está em baixo puxa de volta...

AWB: Quais são teus próximos projetos ?
Leopoldo
:
Preciso organizar minha produção e pensar seriamente em uma publicação, um livro. Para realizar isto de uma forma mais profissional necessito de uma parceria. Alguém que se ocupe da formatação do projeto, da busca de patrocínio. Espero realizar isto em médio prazo.

AWB: Qual a sua opinião sobre o artewebbrasil?
Leopoldo:
Acho uma iniciativa notável que acompanho há tempos, sendo que com mais assiduidade no último ano. Sei perfeitamente da dificuldade prática, isto é, econômica, de manter um empreendimento como este. Acho o desenho limpo e não usa aquelas chatices 'criativas' que fazem as páginas demorar a abrir. A seção Atelier é uma forma muito interessante de tornar o artista e seu trabalho mais, e melhor, conhecidos. E pensando alto, isto é  uma idéia que me ocorre agora, seria interessante, fazer um ensaio fotográfico dos ateliês. E para isto já me ofereço. Bem o que mais posso dizer, vida longa e no  futuro uma publicação com os melhores textos, trabalhos, etc…

AWB: Obrigada Leopoldo

   
 






 

Leopoldo Plentz, Porto Alegre, RS, Brasil, 1952
e-mail : leopoldoplentz@terra.com.br

Estudou Artes Plásticas no Instituto  de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e gravura no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre de 1975 a 1980. Fotografa desde 1975, dedicando-se à fotografia de autor e à documentação de bens culturais.

Coordenou o Gabinete de  Fotografia da Faculdade de Arquitetura da UFRGS de 1980 a 1990, onde desenvolveu vários trabalhos de documentação fotográfica da arquitetura de Porto Alegre e do estado. Integrou  a equipe do Núcleo de Fotografia  da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da  UFRGS de 1990 a 1996 e foi professor de fotografia na Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo de 1996 a 1998. Atualmente dirige o seu estúdio.

Fotografa desde 1975, dedicando-se à fotografia de autor e à documentação de bens culturais. Expõe seus trabalhos regularmente desde 1979 em exposições coletivas e individuais. Possui obras em acervos públicos como o Museu de Arte de São Paulo – Coleção MASP/PIRELLI de Fotografia, Museu de Arte Contemporânea de Porto Alegre, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Museu de Arte Latino Americana, OEA, Washington, Museu da Fotografia da Fundação Cultural de Curitiba, Biblioteca Nacional de Paris, Museu Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires e em coleções privadas, sendo a mais importante a coleção de fotografia brasileira de Joaquim Paiva.

Foi contemplado em 1998 com o Prêmio Gaúcho de Fotografia, promovido pelo Governo do Estado do RS, para desenvolver o ensaio fotográfico intitulado Efêmeras, a impossível eternidade das coisas, com exposição no Museu de Artes do Rio Grande do Sul Ado Malagoli. Primeiro lugar na categoria Fotografia de Arquitetura do Concurso Nacional 500 Anos promovido pelo CONFEA em 1999.

Em 2001 recebe o Prêmio Icatu de Arts, que consiste na estadia de seis meses na Cité Internationale des Artes em Paris. Menção especial no Prêmio Porto Seguro de Fotografia / 2001. Exposição Individual na Galeria Imago Lucis, em Portugal, cidade do Porto, com o ensaio intitulado  “Topografia”.

Em 2002 recebe Menção Honrosa pelo Conjunto da Obra no concurso internacional O Espaço do Público, promovido pela rede Mercocidades.

Em 2003 expõe na Galeria Debret da Embaixada Brasileira em Paris.

Em 2004 é contemplado com a Bolsa Vitae de Artes para dar continuidade ao projeto “Cidades Visíveis”  e expõe em Buenos Aires, no Centro Cultural da Recoleta, o ensaio “Ex-coisa ou Arqueologia Urbana”

Em 2005 participa da exposição internacional “Le Festival Photo Nature & Paysage” na França com o ensaio “Topografia”.