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À
espera de Nina |
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Dona de uma rotina que seria vista como atribulada para alguns artistas, Cylene Dallegrave nos recebe em um dos seus espaços de trabalho - a sua própria casa. A cobertura, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre é onde ela desenvolve suas obras, principalmente neste momento em que está com seis meses de gravidez, à espera de Nina, sua primeira filha. Jornalista por formação, especialista em Artes Visuais, incansável aprendiz de novas técnicas artísticas e também autodidata por definição, Cylene utiliza diversos meios para expressar o seu conceito de arte. Pintura, colagem, fotografia, gravura e infografia, são alguns deles, mas confessa que atualmente tem se voltado mais para o último, devido à facilidade proporcionada pelo computador. Entretanto, mesmo grávida, não abandona a gravura e a faz como aluna do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, como voluntária do Hospital Psiquiátrico São Pedro ou como membro da diretoria executiva do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul. Na busca por algo que lhe desse mais prazer, Cylene abandonou o Jornalismo e uma carreira como funcionária pública, mas ganhou experiência e um trabalho reconhecido no cenário das artes. Com o apoio do marido, Rodrigo Guimarães, não teve medo de investir tempo e dinheiro na própria carreira, assim como se alimentou de energia para aprender sempre mais, crescer e conquistar o seu próprio espaço. Leia a seguir a entrevista exclusiva concedida para o artewebbrasil e conheça como é a rotina desta artista multimeios. |
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AWB: Você é jornalista
por formação e carioca?
AWB: Então você se
considera gaúcha?
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AWB: Você fez a
faculdade de Jornalismo?
AWB: E como foi parar
nas Artes Plásticas? |
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AWB: Mas você continuava
trabalhando na Câmara dos Vereadores?
AWB: Nem você tinha
certeza de que esse era o melhor caminho? |
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AWB: Quando você saiu da
Câmara dos Vereadores, ainda estava aprendendo as técnicas artísticas, não
existia uma carreira comercial?
AWB: Mas esta renda
paralela não vinha da sua arte?
AWB: Você fez este
primeiro curso com o Fernando Baril e depois?
AWB: E depois?
AWB: Você já tinha
aprendido diversas técnicas e parece que já sabia o que queria...
AWB: Uma orientação da
tua carreira artística...
AWB: Mas antes de você
pensar neste conceito do teu fazer artístico, você já havia feito alguma
exposição? |
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AWB: Você foi fazer o
que na Feevale?
AWB: Quando você
terminou a pós-graduação?
AWB: E durante o curso
você continuava a produzir?
AWB: Então você aprendia
diversas técnicas?
AWB: Você é a favor do
ensino de diversas técnicas, do artista multi? |
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AWB: Como
foi este trabalho com os travesseiros?
AWB: E
estas pessoas, quem eram? |
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Sem Título. Fotografia Digital em Time Lapse, 2004 (detalhe)
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Sem Título. Fotografias Digitais aplicadas em relógios de parede.100x80cm. 2004
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Colcha de retalhos. Objeto. Infografia sobre tecido. 200x180cm. 2003
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AWB: Você é também
autodidata, né?
AWB: O seu
trabalho explora novos meios, como a arte digital, a
qual muitos ainda discriminam porque, talvez, não entendam. Você mesmo
disse que já ouviu críticas como: ‘Ah, é só imprimir em uma gráfica’... Há
quem pense que isso não é arte. Como você percebe este tipo de
preconceito?
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Os papéis bons são caros... Um quadro você consegue pintar com capricho, em alguns dias... Já a gravura, se você fizer de três cores é uma novela... Cada impressão é paga... É complicado. Mas, em meio a isso tudo surge o computador, onde você pode colocar uma imagem para dentro, trabalhar com a tua bagagem de conceito de imagem e reproduzir em uma gráfica. ‘Ah, não é gravura porque não tem mão!’. ‘Ah, não é gravura, esta mais para uma simples reprodução!’. ‘Tem que numerar e não sei o quê...’. Tudo bem, você pode numerar, pode fazer uma edição fechada, tudo isso são regras. Mas eu faço, eu defendo e vendo bem essas infografias de Porto Alegre e acho que o que vale é a imagem. Claro que pode ter regras de mercado, mas acho que tem que ser barato, pois possibilita muitas cópias sem perda de qualidade e, o material e a impressão são acessíveis. Eu vejo que pouca gente trabalha com isso, mas já vi coisas caras, aí acho que não tem nada a ver...
AWB:
Estas infografias você vende apenas em galerias?
AWB: Tem
algum preconceito em vender numa livraria?
AWB: A gravura tem que
ser acessível?
AWB: Você já sofreu
algum preconceito por parte dos teus colegas?
AWB: A gravura, para
quem vê de fora, é uma coisa tão pesada, bruta até... E você tão
calminha...
AWB: E como você foi
parar no Núcleo de Gravura? |
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AWB: Aquela casa era do
Exército, né?
AWB: Foi feito algum
restauro na casa?
AWB: E há muito
interesse dos artistas em expor no Núcleo?
AWB: E o Núcleo não
oferece cursos?
AWB: Já tem data?
AWB: Mas este tipo de
ação ocorre em troca de algum apoio?
AWB: Além das
dificuldades do Núcleo, sobreviver da de arte também é complicado?
AWB: Você sobrevive da
arte ou de outras rendas?
AWB: O que você faz de
graça?
AWB: Como é este
trabalho no Hospital São Pedro?
AWB: Você não trabalha
diretamente com os internos?
AWB: Você acha
necessário construir uma rede de contatos?
AWB: E você tem contatos
com muitas agências de publicidade?
AWB: Hoje tem muitas
opções?
AWB: E o trabalho para o
Festival de
Bonecos de Canela?
AWB: E o cinema? Você
chegou a fazer um curta em Super 8?
AWB: Nos parece que tu
tens este perfil de organizadora...
AWB: Como é a tua rotina
de trabalho?
AWB: Este curso é
preparatório para fazer um Projeto e tentar passar na seleção do mestrado
ou você já tem o projeto?
AWB: Você pretende fazer
um projeto para este ano ainda?
AWB: E no resto da
semana você faz o quê?
AWB: E as químicas da
gravura não interferem na gravidez?
AWB: Então nesta tua
rotina de grávida, o computador é uma grande opção?
AWB: E no futuro, você
acha que vai acabar só na infografia?
AWB: E você ainda pinta?
AWB: Você acha que falta
tempo para o criar artístico?
AWB: Idéias não te
faltam... Mas será que com o bebê vai sobrar tempo para tudo isso?
AWB: Mas talvez você
tenha inspirações relacionadas com a maternidade...
AWB: É menino ou menina?
AWB: Qual o nome?
AWB: É o teu primeiro
bebê?
AWB: Você tem mais
alguma coisa a dizer?
AWB: E sobre o
artewebbrasil, qual a tua opinião? Pode ser franca... AWB: Obrigada
pela entrevista Cylene. |
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Cylene Dallegrave, Rio de Janeiro, 1964 |