a t e l i ê

 


   

 

O inquieto André Venzon
por Kerlin Dutra, artewebbrasil

 

Com olhos de menino, ele busca ver o mundo de diferentes formas. Seu olhar é inquieto, seu amor pela arte, reconhecível em pouco tempo de conversa. André Venzon sempre viveu na Zona Norte de Porto Alegre, em uma região que antes reunia grandes indústrias e comércio. Do passado restaram algumas ruínas ou patrimônios culturais ainda não descobertos. André os procura, os absorve. A ligação com sua cidade teve início ainda nas aulas da faculdade de Arquitetura, e foi fundamental para que ele debandasse para as Artes Visuais.

     Seu ateliê representa o seu sentido de arte, a sua interação com a vida, com o cotidiano, com o bairro, com a cidade, com as pessoas. Seu espaço de criação situa-se na loja de autopeças e oficina de seu pai. Entre carros, mecânicos e tintas automotivas, ele cria, recria, faz a sua arte. Espaço nunca lhe faltou, por sorte. André é espaçoso, seus trabalhos possuem tamanhos variados e ultrapassam as barreiras de um pé direito comum.

     Entre obras inacabadas, encomendadas, e trabalhos finais da faculdade, ele abriu as portas do seu ateliê para a reportagem especial em comemoração aos cinco anos do artewebbrasil. A seguir, você ficará por dentro da sua rotina, dos seus pensamentos, suas memórias, críticas e prazeres. Saberá o que faz um artista contemporâneo, multiarte, livre de preconceitos e estigmas. Um artista inquieto, que está sempre buscando...



Foto : Mirian Dutra



 

AWB: Quando você ingressou na faculdade, fizeste alguns semestres de Arquitetura. Mas, depois acabou nas Artes Visuais?
VENZON:
Sim, estou me formando em Artes Visuais neste segundo semestre, com ênfase em Desenho. Mas, o currículo no Instituto de Artes (IA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está sendo questionado. Depois dos três primeiros semestres, tu começas a ter somente as disciplinas da ênfase que tu escolheste. Eu, por exemplo, como fiz desenho, tive uma seqüência de disciplinas desta técnica. Mas já fazia desenho na Arquitetura.

AWB: Chegaste a te formar em Arquitetura?
VENZON:
Não, fiz até o sexto semestre. Desde 2000 tinha iniciado disciplinas do curso de Artes e, em 2003 continuava matriculado na Arquitetura apenas para conseguir a vaga de transferência interna. Aí passei do sexto semestre da arquitetura para o terceiro semestre de artes.

AWB: Mas quando foi que você resolveu ser artista?
VENZON:
Em 1996. Quando entrei na Arquitetura, a minha primeira aula foi com o professor Círio Simon, que hoje é o diretor do Instituto de Artes. A disciplina chamava-se Introdução as Artes Visuais. Entrei na Arquitetura, e tive as primeiras disciplinas de arte. Mas, eu acreditava que tudo na Arquitetura envolveria as artes.

Foto : Mirian Dutra


 

AWB: Então você entrou na Arquitetura à procura da arte?
VENZON:
Sim. É aquela velha história... Escolher um curso que pudesse harmonizar o trabalho mais comercial, com o artístico e conceitual de arte. A arte aplicada a Arquitetura. Mas isso não aconteceu no desenvolvimento do curso. Eu sempre precisei buscar atividades paralelas, o que a Arquitetura me oferecia era quase nada, estágios que eu não tinha a menor vontade e o menor desejo de fazer. E isso sempre foi importante para mim, fazer algo que me desse prazer.

AWB: Mas você sempre foi assim?
VENZON:
Eu estudava no Colégio São João, onde qualquer atividade extra-classe me interessava, e elas eram sempre mais de cunho cultural. Qualquer coisa que tivesse relação com o público me conquistava. Mas, o tempo que a gente estuda na Escola, não é um tempo criativo, porque tem uma carga de conhecimento que temos que acumular. E, quando tu entras na universidade, há um espaço de criação inesperado, e que tu tem que começar a fazer. É claro que muita gente passa todo o curso e não faz absolutamente nada.



 

Maquetes de madeirite
H200xL300xP300cm
Usina do Gasômetro / Porto Alegre, 2002
3 Salão de Arte Cidade de Porto Alegre
Foto : Guilherme Werle

AWB: Já na faculdade, tinhas esta inquietude...
VENZON:
Sim, e esta inquietude se manifestou ainda no curso de Arquitetura, com uma ausência ainda maior do que das artes no curso, que há muito tempo não tem no currículo e no espaço da faculdade. Sentia a ausência da questão do patrimônio, que era uma coisa mais relacionada à Arquitetura...



AWB: Não tem isso no currículo da Arquitetura?
VENZON:
Agora tem uma disciplina obrigatória do Ministério da Educação que se chama Introdução ao Restauro. Mas quando eu entrei, 1995, não tinha. Foi bem nesta época de revitalizações, isso é uma coisa recente, mesmo na nossa cidade, antes de 1995, o único caso de reciclagem era a Casa de Cultura Mario Quintana, depois veio o MARGS, o Santander Cultural, o Centro Cultural Erico Verissimo... Então comecei a me aproximar das artes e do patrimônio.

 

AWB: De que forma?
VENZON:
Fui para a Biblioteca Pública desenvolver um trabalho num grupo chamado Salvarte, que trabalhava na proteção de obras de artes, trabalhei quase dois anos como voluntário. Em 1996, fiz um curso de extensão na Unisinos – não tinha nada na UFRGS neste sentido – que se chamava Introdução a Restauração Arquitetônica. Depois disso, criei junto com minha colega Jeniffer Cutty, na faculdade de Arquitetura, um grupo universitário de proteção e de divulgação do patrimônio cultural, que se chamou Salvarch, para salvar a arquitetura. O Salvarte não trabalhava com monumentos imóveis e, nos interessava as casas, os prédios e a quantidade de patrimônio que está abandonado.

 


Viaduto
H200xL200xP110cm - Poliedros de madeirite
II Fórum Social Mundial / Porto Alegre,
2003
Formas de Pensar a Escultura
Foto :
Cheril Wachholz

 

AWB: Aí começa a relação com o teu trabalho atual?
VENZON:
Sim. Eu fazia as disciplinas do IA do ponto de vista técnico... Por isso a gente começou falando da mudança de currículo... É muito difícil quando as coisas são compartimentadas, estas ênfases, como desenho, pintura... Tu acabas te dedicando a uma técnica apenas e hoje, neste mundo da diversidade cultural, da globalização, da hiper mobilidade das pessoas, dos multimeios... A especialidade tem este paralelo... Tu ser especializado em uma técnica... Isso é um atraso do ponto de vista do currículo... No meu trabalho pode se ver estas indefinições, que também são um conflito na questão do lugar.

AWB: Como assim?
VENZON:
É a síntese do meu trabalho se a gente for falar só abstratamente, não se referindo a objetos e coisas que eu construo. O lugar pode ser o meu lugar, mas enquanto lugar da arte, do artista... A gente vive uma grande crise de lugares.

AWB: Uma crise de identidade?
VENZON:
Sim, mas eu acho que o lugar suporta todas as outras... Identidade, memória... Todos os problemas que a gente pode listar... O lugar como um espaço para estas discussões... Hoje eu estava escutando uma música, acho que é do Zeca Baleiro, não tenho boa memória musical, que fala ‘... Se eu vou pro shopping ou para a academia... ’, ‘... Meu amor o que você faria se só te restasse este dia...’. Acho que esta música mostra bem... ‘Ir pro shopping ou para a academia...’, isso são não-lugares que a gente freqüenta. O que é a 3ª Perimetral? É um grande não-lugar que dá a volta na cidade, uma obra projetada a princípio sem nenhum monumento, sem cor...

AWB: A análise da arquitetura está sempre presente no teu trabalho...
VENZON:
Eu comecei analisando estes monumentos, e o ambiente da cidade como um todo porque eu comecei a fazer pesquisa. O meu raciocínio espacial aplicado às Artes Visuais está todo instrumentado na 3ª dimensão. O aprendizado em Arquitetura é estruturado assim. O nosso olhar, além da velocidade para ler as informações, deve também imaginar esse ambiente virtual... Mas a arte tenta abdicar disso, porque na realidade, no dia-a-dia, nós não olhamos para nada. A gente pode passar mais tempo numa sala de chat, em ambientes virtuais de interação sem sair do lugar, mas que também te puxam para outro lugar que é toda a rede que não existe concretamente. Fora disso a gente não olha para a cidade, para estes lugares reais que já desapareceram, que estão somente cascas... Então, voltando ao que eu iria dizer, no 3º semestre comecei uma pesquisa de percepção ambiental e desenho urbano. Assim, o desenho que estou procurando é este desenho relacionado ao desenho dos lugares, que são os lugares em contraponto aos não-lugares, aos shoppings, as academias, as grandes vias, a estes marcos contemporâneos...

AWB: Qual a diferença entre não-lugar e lugar?
VENZON:
O não-lugar é um lugar também, mas é um lugar dos diferentes, não tem uma identidade, ele tem mil identidades... Então como fica? Este lugar tem alguma identidade se ele tem todas? Os não-lugares são uma categoria de lugar. Claro que hoje, os não-lugares estão se multiplicando, e os lugares, com uma carga de memória muito forte, estão desaparecendo. Então os não-lugares estão forjando memória numa sociedade contemporânea que nos últimos 10 anos mudou muito, até os shoppings estão comemorando aniversário...


AWB: E qual é a tua relação com estes lugares e não-lugares? Como é o teu trabalho final do curso de Artes?

VENZON:
Eu estou documentando, fotografando esta região que vai do bairro Navegantes, na Zona Norte de Porto Alegre, antigo 4º Distrito... É uma região riquíssima em termos de lugares que desapareceram, é uma região que está no meio do caminho, na entrada e saída da cidade, que foi um vetor de crescimento, mas que, contraditoriamente, está parada. Tem todas estas oficinas, esta efervescência durante o dia, que é diferente da efervescência da noite, mas esta região se congelou, estagnou... Como se fosse uma reserva de espaços, tem muitos vazios e muitas cascas... Aqui para mim é o paradigma que vim buscar, eu nasci na Ramiro Barcellos e, devido ao trabalho do meu pai sempre moramos em armazéns e galpões e eu nunca me afastei deste lugar. Comecei meu trabalho com as maquetes, que eram projetos que os meus colegas abandonaram, pois na arquitetura, depois que tu apresenta as maquetes, se não levar de volta para casa, deixar lá, elas são descartadas...
 


Projetos para consumidores de espaço
Fotografia, Porto Alegre, 2005
Foto: André Venzon


Fábrica de Molduras
Fotografia, Porto Alegre, 2005
Foto : André Venzon



AWB: Como assim? Começaste teu trabalho com as maquetes dos teus colegas?

VENZON:
Aconteceu um fato, destas coisas que acontecem e te marcam... Eu estava fazendo a disciplina Fundamentos do Desenho I e fiz uma tela, um grande palhaço. Na época estava pintando estes palhaços, mas era mais um trabalho ideológico e social em relação à guerra do Afeganistão. Eu fiz a tela, mas não pude buscar... E no IA também eles descartam o que não buscam, largam num contêiner, destes de entulho. Então, visitando o prédio da Arquitetura vi várias maquetes jogadas num canto... Peguei estas maquetes, sempre ando com uma sacola... E fiquei pensando o que iria fazer com aquilo... tomei as dores dos meus colegas da Arquitetura que não tinham ido buscar seus trabalhos e que tinham sido descartados com o mesmo destino do meu quadro... Isso é uma coisa comum entre dois cursos que nasceram no mesmo prédio, que são filhos da mesma mãe, que é a Escola de Belas Artes... O curso de Arquitetura era um curso técnico dentro do curso de Belas Artes, Vasco Prado fez, o Iberê Camargo abandonou... Vários artistas faziam este curso para ter uma certa estabilidade... Os cursos são muitos semelhantes, eles têm esta origem, mas se afastaram muito. Eu comecei fazendo estas maquetes na tentativa de aproximar a Arte da Arquitetura.

AWB: O que você fez com as maquetes que juntou?
VENZON:
Eu as construí em tamanho 10 vezes maior. Esta foi a minha primeira exposição. Entrei direto com a apropriação, pois o meu trabalho de desenho de Arquitetura e de Artes era técnico, o meu modo de expressar era o desenho. Então comecei me apropriando de representações que não eram minhas. No caso do monumento da imigração judaica, não é um desenho meu, aquilo é um desenho de uma época, dos anos 40, do cinema Baltimore, que enquanto existiu marcou uma época. Aquele monumento é um fragmento da fachada do cinema, construído na escala de 1 para 1. É normal que as pessoas não identifiquem, porque um fragmento, por exemplo, que deixou de ser fabricado, nunca vai ser reconstituído, a não ser se tu tens uma foto... Mas se tu não tens nem a planta, como acontece com muitos edifícios históricos... Estes dias fui procurar a planta de uma casa que desapareceu na Av. Independência, e não tinha. E achar a foto com a família... Jogar fotos fora é muito fácil... As gerações das famílias mudam e as memórias ficam perdidas...

AWB: Você desenvolve este tipo de pesquisa...
VENZON:
Toda a minha pesquisa tem um universo que eu não limito. Eu tenho um sério problema de limitação hoje no meu trabalho porque tudo é muito urgente em relação à memória do patrimônio. Existe uma mania de destruir as coisas antes que elas sejam reconhecidas... Há a urgência de novos lugares, de não-lugares... Os shoppings, por exemplo, cada vez mais buscam levar os lugares tradicionais, como as praças, os restaurantes, as ruas para dentro de suas fronteiras. Existem shoppings que possuem galerias de arte, tem feiras de artesanato, livrarias... Para que as cidades, os espaços abertos, precisam ser preservadas se existe todo um espaço artificial, construído em cima de um interesse maior que é o comércio ?

AWB: Teus trabalhos ao ar livre servem para chamar a atenção com relação a isso?
VENZON:
Eu faço um redesenho dos lugares. Os projetos dos meus colegas eram de edifícios com galerias embaixo, mas eram apenas projetos, nunca foram construídos. Então meu interesse era de levar um pouquinho adiante aquilo que eles fizeram. Foi um rito de passagem, porque eu estava saindo da Arquitetura e indo para as Artes, então quis fazer um trabalho que eu mesmo tinha deixado de fazer. Mas assim descobri uma forma de fazer arte, um conceito.

 

AWB: E o que você resolveu fazer?
VENZON:
Fiz o trabalho da Torre em Goiás. Foi uma recuperação de uma visita que eu já tinha feito ao Estado, quando entrei na faculdade de Arquitetura. Eu queria muito ir a Brasília, e achava que ia, mas acabei chegando apenas até Goiânia. Então eu fiz este trabalho heróico, esta maquete...

AWB: Fizeste em Goiânia?
VENZON:
Não, fiz aqui e transportei este volume desmontado. Foi feito de madeirite, que por mais leve que seja, tem um peso...  Foram 20 ou 30 chapas... Foi montado em Goiânia.

 


Qual é o seu lugar? (H230xL400xP240cm)
Maquete de Madeirite - Fragmento da Torre Igreja Dom Bosco
3 Salão Nacional de Arte de Goiás - 2003
Foto : Divulgação: MAC-GO

 

AWB: Estas tarefas de cortar, cerrar, montar e desmontar, você faz sozinho?
VENZON:
Sempre tenho alguém me ajudando. Algumas coisas menores eu mesmo faço, mas quando é algo maior, não trabalho sozinho. Porque, paralelamente ao meu trabalho, faço várias coisas, não me centro só na produção, não fico encerrado no ateliê, eu tenho uma vida social dentro do fazer artístico, tento me relacionar e me alimentar em vários outros grupos. Eu trabalho como voluntário em uma associação de arte e educação, na Chico Lisboa, na universidade... E quando a gente quer enfrentar o desafio de viver em uma cidade como Porto Alegre, que ainda tem uma série de barreiras para as coisas de fora, onde o público de arte é pequeno...

AWB: É um público fechado?
VENZON:
É fechado porque este grupo não se expande, tem uma população que não consegue chegar nem na borda deste campo artístico que existe na cidade. Este campo não está fechado, não se isola. É uma questão de cultura de todo o Estado. Mais uma questão do meu trabalho, o que o estudante de arquitetura está fazendo em relação à cultura? Antes a arquitetura tinha um valor cultural, era projetada para ter uma plasticidade e uma ideologia. Mas na universidade isso não é incentivado.

AWB: Você é um crítico a universidade?
VENZON:
Não tem como não ser para tentar se formar de uma forma mais intensa. Se é para ter e provocar um olhar intenso, que é um dos grandes desafios para todos os artistas... O olhar do público numa exposição não vibra e a arte contemporânea sabe bem o que é este problema. A gente quer fazer um trabalho que é conceitual, que precisaria que o público lesse e soubesse mais. O Agnaldo Farias, que esteve aqui estes dias, diz: ‘Por que se exige da arte visual contemporânea o que não se exige da literatura ou da música internacional’? Eu não estou entendendo uma letra de música em outro idioma, mas estou dançando.

AWB: O público reage mal com relação à arte contemporânea?
VENZON:
Ele está acostumado. A Aracy Amaral fala da baixa antropofagia que a gente tem através das mídias baixas, como alguns canais de televisão e alguns sites de internet. O olhar está muito acostumado a isto. A gente chega na frente de uma obra de arte e acha que ela vai se abrir e mudar de cor. Isso pode até acontecer em uma exposição, a tecnologia é uma tendência em arte, mas existe uma outra idéia e conceito de tempo que não é este que a gente vive.

 

AWB: Você sobrevive da arte?
VENZON:
Eu sobrevivo trabalhando em várias coisas, em produção, mediação. Este ano fiz a primeira exposição individual na galeria Arte & Fato, que me interessava muito devido a história da galeria, que fez 20 anos. Não posso dizer que vivo do meu trabalho, pois ganho muito pouco com isso e o pouco que ganho serve para pagar o que investi. Vivo nesta roda viva.

AWB: Este problema tem relação ao que o público pensa da arte contemporânea?
VENZON:
Isso é um problema de cunho filosófico. Não vendo as minhas maquetes, são obras que não permanecem, são efêmeras e é um trabalho que uso mais para participar de grandes exposições, que me permitem o diálogo com o público. Isso é difícil, não posso chegar, me apresentar e já ser conhecido, pois meu trabalho é muito recente...

AWB: Mas já deste um pulo bem grande para o reconhecimento...
VENZON:
É muito trabalho. Neste sentido sou exatamente viciado como um empresário...

AWB: Você respira arte?
VENZON:
Não, pois se eu respirasse só arte estaria bem. Eu respiro tudo. Para fazer arte a gente tem que respirar tudo, respirar mais do que os outros.

AWB: E olhar mais do que outros? Este olhar inquieto não te incomoda às vezes?
VENZON:
Não, isso é uma coisa que começou há bastante tempo, antes era inconsciente. Mas, desde 1997, tornou-se consciente devido ao meu trabalho na Bienal, na área de mediação e montagem... A Bienal é um momento que tu tens que fazer esta construção coletiva, por isso que não somos fechados, pois existe um evento que é para atrair todos os olhares... Embora apenas na última edição o Presidente tenha vindo... No âmbito do Mercosul, a Bienal ainda é muito pouco divulgada... Mas pelo simples fato de ser um espetáculo, as pessoas poderiam participar mais, mas elas não vêm porque é arte e arte não interessa muito...

AWB: Se fosse uma feira de artesanato teria mais público?
VENZON:
Porque tu podes comprar e levar para casa. As pessoas não olham as coisas, elas não gravam. Isso chega a ser tragicômico. Ao olhar para o céu eu não o vejo como uma imagem que posso levar comigo... Ou as flores, os jacarandás... Essas coisas a gente pode olhar e absorver... O olhar intenso hoje é o olhar que vê estas coisas. Como o Leandro Selister fez naquele trabalho sobre as coisas simples da vida, todos aqueles recortes mostrando para as pessoas da estação elas mesmas paradas... As pessoas não se dão conta, elas vivem um grande transe quando circulam na cidade... O artista tem que escolher meios de mostrar as coisas para as pessoas porque elas não vêem, a gente tem que criar estes efeitos, estas lentes e filtros para que elas vejam uma coisa simples, como o céu.

AWB: Você não vende suas obras?
VENZON:
Eu vendo as caixas pequenas, as grandes são somente para exposição. Acho que isso é uma regressão porque tenho que diminuir de tamanho, minimizar para vender, o que é muito difícil para mim porque gosto de trabalhar com o espaço ilimitado. Mas, faço estes formatos pequenos... Estas caixas não são nenhuma novidade na história da Arte, mas para as pessoas que querem comprar alguma coisa, é acessível. A gente tem que fazer estas duas coisas hoje... Mas o trabalho de fazer as caixas é um trabalho mais difícil de entender do que os trabalhos maiores, por incrível que pareça. As pessoas têm que aprender a ver...


AWB: Como?

VENZON:
Se a pessoa aprende a ver numa escola de Arte que te direciona só para os modelos, acaba fazendo um curso inteiro olhando para as mesmas coisas... Existem pessoas que não vão a exposições... Só ir a exposições já é um curso inteiro para os artistas, é uma carreira que tu podes fazer...

Hotel Rodoviária
H170xL160xP70cm
Caixa - Porto Alegre - 2004
Foto : Igor Sperotto




Salva-te a ti mesmo?
Caixa, Porto Alegre, 2004
Foto : Igor Sperotto




São Jorge
Caixa, Porto Alegre, 2004
Foto : Igor Sperotto



 


Navegantes (H55xL220xP10cm)
Caixas, Porto Alegre, 2004 - 
Foto : Igor Sperotto


AWB: Você é um artista muito crítico?
VENZON:
Este ponto da comercialização é uma coisa que não é falada. ‘Eu não quero ver, não quero pensar’. Eu não penso, vou ser bem honesto. Quando penso em fazer alguma coisa, quero só fazer. Tem artistas que produzem para vender porque eles já têm um trabalho comercialmente aceito... Digamos que meu trabalho fosse convidado para a Bienal de Veneza ou para a Bienal do Mercosul, aí eu entro no circuito das Bienais com os meus trabalhos grandes, e com as caixas pequenas eu exponho na Bolsa, nas galerias de São Paulo, Rio de Janeiro.... Estou feito. O que tenho que fazer é produzir... E tem muitos artistas que alimentam o sistema desta forma. Eles continuam crescendo em produção, em volume de obra, mas não sei, teria que estudar porque não sei... Para ver se os conhecimentos, intelectual e artístico, destes artistas estão crescendo... Ser artista hoje é se concentrar muito para saber como não fazer nada, a tendência é o vazio, é o nada. Eu tenho que ter muito cuidado para não repetir... 

AWB: Mas não buscas o nada?
VENZON:
Não, existem dois extremos e eu me coloco no outro extremo. Dentro do IA, para fazer mestrado ou doutorado tu sofres uma pressão muito grande por parte dos doutores, para este tipo de relação com a Arte, em ser inodor, silencioso, invisível... Mas isso não é ruim. Posso citar vários artistas que trabalham com o branco, com o invisível, com o mínimo, com a sutileza... Eles têm este compromisso com esta forma de Arte, pois acham que o mundo está saturado de imagens... Para que produzir mais imagens? Para que produzir mais objetos se a gente não dá conta daqueles que já existem? Esta é uma pergunta que também me faço. Não vou ser hipócrita em dizer... Quando tu me perguntaste do que eu vivia... Eu vivo da minha família, do que são os meus primeiros ou últimos mecenas e dos trabalhos que eu tento, das coisas que eu faço...

AWB: Quais são estas outras atividades?
VENZON:
Eu trabalho todo ano em alguma produção, mas o que ganho dá para colocar tudo no trabalho, para participar de concursos, tentar ganhar um prêmio... A gente fica participando destas coisas alucinadamente, por isso pode ser que eu tenha dado um salto na carreira, por me dedicar e ao mesmo tempo produzir e ter relacionamentos que também produzam oportunidades.

AWB: Você procura fazer parte desta rede de artistas?
VENZON:
Sim. O meu trabalho não está dentro de computadores, o máximo que acontece é desenhar as plantas, mas, se preciso de uma maquete eletrônica, peço para alguém fazer, não estudei isso, é só um suporte para projeto, tudo é a idéia, neste ponto de vista sou bem contemporâneo, a idéia é tudo, o resto é supérfluo... Tanto que os meus trabalhos grandes em madeirite são recicláveis, são reaproveitados em outras exposições. Quando percebi que poderia vender as caixas, já estava fazendo sem esta intenção. As caixas não deixam de ser lugares, elas lembram muito estas espécies de altares, de caixinhas para guardados... Eu trabalho muito com a reunião de vários objetos que têm origens diferentes e que re-agrupo para construir uma história imaginada no momento que estou fazendo. Estas caixas são importantes porque penso muito quando as faço. Às vezes as pessoas acham que os artistas não pensam muito quando estão fazendo as coisas... Eu penso.

AWB: Indagações...
VENZON:
Eu comecei ingenuamente, em 2003, com carimbos para carimbar livros de assinaturas de exposição. Estes carimbos tinham perguntas como ‘Que lugar é este?’, ‘Como percebemos o espaço’? Este era um suporte, eu achava, mas não sabia o que fazer. Acho que a gente é movido, quando cria, por uma coisa que nos causa prazer, caso contrário vamos evitar uma aflição. Busquei nos livros as perguntas e me dei conta de que não via isso nas exposições. Eu estou indo nestes lugares, mas estes lugares estão sendo atacados pelos meus colegas, e inclusive eu posso estar sendo atingido por isso. Não por questões como ‘não gosto do teu trabalho, não gosto de ti’, mas pelo próprio comportamento deste grupo social que, se tu te expõem mais, mais chances tens de ser criticado...


 


Este é o meu Lugar? , 2004
Troca-de-sacolas, 50 Feira do Livro de Porto Alegre
Foto
: Mariane Rotter


Projeto Outdoor - 2005
Atelier Livre da Prefeitura - Porto Alegre
Foto : Carla Rosa


AWB: Se você está na chuva...
VENZON:
‘Você vai ficar protegido?’, ‘Você vai discriminar certos espaços?’ Você vai ter preconceitos com certas instituições, ou você vai para este lado sem deixar de ser crítico e observar o que os teus colegas estão observando, te colocar, lutar. Acho que essa é a minha postura. Sou muito mais agressivo ao expor em exposições que me qualifiquem, e que qualifiquem o meu trabalho, não no mercado, mas nas instituições de Arte. Ninguém foge disso, quem fugir estará fugindo da própria produção para evitar o assédio comercial e o debate.

AWB: E como é a sua rotina de trabalho?
VENZON:
Minha rotina é maluca porque tenho aula ainda nas segundas, terças e quartas-feiras. Eu tenho muitas coisas começadas, trabalhos, projetos. Não tenho uma rotina, o mais certo é a faculdade, então giro em torno destes horários. Se tenho outro trabalho fora, vou criar uma rotina, mas no ateliê não tenho. Tenho múltiplos objetivos sempre. Estas peças que estão aqui vieram da exposição da Arte & Fato e vão para uma exposição no Museu de Arte de Pelotas. Ao mesmo tempo em que estou produzindo algumas peças para esta exposição, estou com peças estacionadas para fazer ajustes para uma exposição que vai acontecer na Câmara, no meio do ano. Há coisas que surgem nas últimas horas... O que me deixa pior é eu não poder criar uma rotina para mim.

AWB: Você queria ter uma rotina?
VENZON:
Eu queria. Claro que para a criação, para a criatividade não é possível delimitar horários. Eu não sofro desta fantasia. Mas, semana passada foi uma crise imensa porque chovia muito e uma pessoa me pediu um banner com inspiração no Dali, um trabalho comercial... Eu tinha que fazer uma composição, tinha que reunir todos os elementos e colocar num trabalho. Mas não consegui, nem na segunda, nem na terça, nem na quarta, nem na quinta... Não existe prazo para criar, todo mundo que entende um pouco de Arte sabe que não é assim que funciona, se você vai tentar ser criativo todo o tempo, no mínimo, vai ser medíocre. Em uma encomenda é um perigo escapar da mediocridade... Tem que gostar primeiro do que você vai fazer, tem que bater a necessidade interior de fazer isso. Este último mês foi enlouquecedor, trabalhei até o dia 18 de abril em uma exposição do Santander Cultural e quando saí, parece que me descobriram e me perderam... Como acontece nesta nossa sociedade. Veio uma agência de publicidade me pedir um trabalho para uma campanha da Unisinos, só que eu tinha uma semana...

 

 

AWB: Você faz estes tipos de trabalhos também?
VENZON:
Descobri que podia fazer isso. Mas não deu em nada. Fiz também um projeto para outra agência... Eu então parei, fiquei tão mal com esta idéia de ter que trabalhar com prazo para criar... Me deram um dia para fazer um projeto de oficina no shopping Iguatemi. Eu não tenho preconceito, se tiver que ir pro shopping fazer um ateliê de pintura ou de desenho, vou fazer o melhor que puder. Fiz o projeto, se chamava ‘Para fazer tempo’, o título é até meio irônico. Mas você não pode se ver trabalhando para uma agência de publicidade, porque você perde a liberdade de artista, eles são vampiros, eles vem te procurar... Eu não liguei para ninguém... Assediaram-me intelectualmente... Uso esta expressão porque acho que deveria ter uma legislação para isso... Tu ligar para uma pessoa, pedir um projeto, tirar dela noites de sono... Sem garantia nenhuma... O problema sempre é a questão financeira e a urgência... Eu fiquei tão nervoso... Mas cheguei a conclusão que não fui eu quem os procurou e que ainda, como artista, eu não precisei de agências de publicidade... Eu preciso de um museu, eu preciso de um crítico, mas eu ainda não preciso de agências para criar, mas eles precisaram... É a forma que eles trabalham... Mas se eu tivesse este tipo de rotina eu iria enlouquecer... Quando eu trabalho com produção, acordo super cedo e vou dormir super tarde. Ano passado trabalhei mais da metade do ano assim, trabalhei na produção das oficinas do Santander Cultural, no projeto ‘Impressões’, e na Prefeitura na produção do Festival de Inverno. Neste período fiz o meu projeto para o concurso do monumento da imigração judaica, ganhei e fiquei trabalhando todos os dias na produção do mesmo, todo o dia tinha uma coisa... A rotina de uma obra tem um peso muito grande... Mas a rotina no meu ateliê é organizacional, estou sempre precisando organizar...



Monumento 100 Anos da Imigração Judaica
Concreto armado e quartizto rosa
Porto Alegre, 2004
Reconstrução de um detalhe da fachada
do Cinema Baltimore (já demolido)
onde funcionou a primeira Escola Israelita
Foto: Leandro Selister

 

AWB: Você se preocupa com questões como a limpeza do ateliê?
VENZON:
Eu preciso do caos... É como brincar de playmobil... Hoje não está um caos, mas existe o caos pela falta de espaço... Isso é terrível para mim... Os trabalhos grandes não poderiam existir sem espaço... Uma pessoa leiga me disse que meu trabalho não cabe num apartamento... É uma ótima frase para me definir, porque eu não faço coisas para caberem dentro de espaços, a minha intenção é fazer espaços, eu não faço lugares, eu busco lugares. Até porque fazer lugares é uma coisa muito difícil, se não fosse teria continuado na Arquitetura... Eu sai da Arquitetura porque percebi que o curso não me capacitava para fazer lugares e hoje dá para contar nos dedos os arquitetos de Porto Alegre que estão construindo lugares...


Foto: Mirian Dutra

 

AWB: Fazes a obra até terminar ou deixas um pouco para depois?
VENZON:
Quando tenho um trabalho, vou até o fim.

AWB: Como sabes que chegou ao fim?
VENZON:
Quando não quero mais ele. Eu faço um trabalho, gosto quando estou fazendo, mas tem um pouco de catarse... Eu acabo, vejo que não dá mais... Às vezes saturo e tenho que voltar... Tu sabes que passou do ponto... O fim na verdade é relativo, existe o antes e o depois do fim... Não tem receita, se tu passou do ponto, tem que voltar...

AWB: Para finalizar, você gostaria de dizer mais alguma coisa?
VENZON:
Só acho que falei muito né...

AWB: Agora sobre a remodelação do site artewebbrasil, o que você acha disso? Fique a vontade para críticas, sugestões, enfim...
VENZON:
 Eu acho que agora com uma equipe... Talvez uma coisa que eu não tenha falado do meu trabalho e que nos aproxime, é o fato de trabalhar com o público e não apenas para o público. Então, neste momento que vem a participação do artista na história deste site, que também é um espaço que é feito por um coletivo... Não adianta ter um site maravilhoso do ponto de vista gráfico e ser um site pessoal de um artista, não seria tão rico como vem sendo o artewebbrasil... Quando eu falei de lugares e não-lugares, a diferença entre eles são as pessoas, porque construir um site é construir um espaço, mas o lugar que vai estar dentro deste espaço, são as pessoas que vão fazer... Um terreno abandonado é um lugar que deixou de ser porque não existem mais pessoas ali... A vida das pessoas mudou de lugar... Talvez estejam num site. Então, acho que esta idéia de entrevistar artistas, de descobri-los, é muito interessante porque estou fazendo a mesma coisa com relação à cidade e quero fazer isso a vida toda, descobrir não apenas os espaços, mas também o público e outros artistas. Acho que o site vai ser exemplar porque vai possibilitar esta descoberta de algo mais profundo do que uma obra ou uma produção do artista. Estas entrevistas serão muito ricas, não querendo apresentar falta de modéstia. O artewebbrasil é divulgado, tem uma relação afetiva e será útil nesta descoberta. Eu estou curioso pois, de uma certa maneira, a gente vai se descobrir mutuamente quero também saber sobre as outras pessoas...

AWB: Se você quiser indicar colegas para novas entrevistas... Queremos a participação de vocês artistas.
VENZON:
Eu quando fazia pesquisa com entrevistas fiz a rede assim, não tem nada a ver em indicar para dar apoio, mas isso pode ajudar a expandir os temas...

AWB: Obrigada André.
VENZON:
Eu que agradeço.

 

TESOURA DO ANTIGO DEPRC - ESCULTURA
Obra presente na exposição
I Módulo do Mapeamento de Arte Contemporânea
no Rio Grande do Sul
Armazém A6 - MAC/RS
Foto: Igor Sperotto

 

André Venzon 

Exposições Individuais

2005

LUGARES PERDIDOS CIDADES ENCONTRADAS
Galeria arte&fato, Porto Alegre; Junho
Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas (Edital);
gosto – Câmara Municipal de Vereadores, Porto Alegre (Edital);
Novembro – Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro.

Intervenções
QUAL É O SEU LUGAR? – Projeto Outdoor – Ateliê Livre da Prefeitura, Porto Alegre.
IMAGENS & ENCONTROS – intervenção artística sobre fotografia de Lisette Guerra - Praça Érico Veríssimo, Iguatemi, Porto Alegre;

2004
Boite de Nuit - Espaço Ado Malagoli, Instituto de Artes, UFRGS.

 

Exposições Coletivas

2005
Museu de Arte Contemporânea – 4º Prêmio de Artes Visuais, Prefeitura Municipal de Jataí – Goiás;
Mapeamento das Artes Visuais - Módulo I, MAC-RS, Armazém A6 do Cais do Porto;
DEZ INDICAM DEZ, dez artistas, entre eles: Alex Gama, Aloysio Novis, Ana Maria Maiolino, Amador Perez, John Nicholson, Katie Van Scherpenberg, Luiz Áquila, Manoel Fernades, Tunga, indicam dez outros artistas para expor no Centro Cultural Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro – RJ;
Bienal de Arte e Cultura da UNE, Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera, São Paulo – SP.

2004
Exposição de Lançamento do Museu de Arte Contemporânea no Cais do Porto, Porto Alegre;
Dali por artistas daqui, homenagem ao centenário de Dali, Centro Cultural Brasil-España, Porto Alegre;
Águas – Uma visão de múltiplos olhares, Espaço Vasco Prado, Usina do Gasômetro, Porto Alegre;
Paráguas Intervenidos - Exposição no Museu de Ciências e Tecnologias da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Organização CHICO LISBOA;
Miniart Exchange, Exposição  Chico Lisboa, Gomboc Gallery, Middle Swan, Western Australia.
Seleção em Edital para o I Módulo do Mapeamento de Artes Visuais, Instituto Estadual de Artes Visuais, SEDAC-RS.

2003
III Salão Nacional de Arte de Goiás - III Prêmio Flamboyant, Museu de Arte Contemporânea de Goiás, Goiânia;
Viajante - Carlos Vergara - Exposição de trabalho coletivo desenvolvido em oficina com o artista nas Ruínas Jesuíticas de São Miguel/RS, Santander Cultural , Porto Alegre;
Intervenções Contemporâneas - Exposição Freud para Todos, Santander Cultural, Curadoria Mauro Gus e Paulo Amaral;
III Fórum Social Mundial - “Projeto de Intervenções Artísticas Perdidos no Espaço”, Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Museu da UFRGS e Instituto de Artes Visuais, Coord. Maria Ivone dos Santos e Hélio Fervenza, Porto Alegre
V Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo - Instalação artística (10m²) para projeto de intervenção e revitalização urbana da área central de Porto Alegre;
Novíssima Geração - Desenho e Pintura - Museu do Trabalho, Porto Alegre;
Arte+Arte, esquinas e vizinhanças, Exposição Associação Chico Lisboa, Museu de Comunicação José Hipólito Da Costa, Porto Alegre; Miniart Exchange, Exposição Associação Chico Lisboa, Galeria Iberê Camargo, Usina do Gasômetro, Porto Alegre;
Porto Alegre em Foco, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Instituto de Artes Visuais, UFRGS, Porto Alegre.

2002
III Salão Nacional de Arte Cidade de Porto Alegre, Usina do Gasômetro;
XXI Salão de Arte Pará 2002 - Mestres Modernistas Poéticas da Forma e da Cor, Fundação Rômulo Maiorana, Belém/PA (Projeto de Instalação selecionado, porém não executado);
Homenagem aos 80 anos da Semana de Arte Moderna, Estúdio de Moda e Design Othon Spenner, Porto Alegre;
Instalação “Bricabraque”, exposição comemorativa aos 50 anos da Faculdade de Arquitetura, Campus Central da UFRGS;

2001
Incontinências, Espaço Ado Malagoli, Instituto de Artes da UFRGS;
Reticências, Projeto João Farhion, Galeria Augusto Meyer - Casa de Cultura Mário Quintana, IEAV/SEDAC;
XVIII Salão de Arte Jovem, Centro Cultural Brasil - Estados Unidos, Santos/SP.

Obras Públicas:

2004
Concurso para o monumento em homenagem aos 100 anos da primeira imigração judaica organizada para o Brasil; promoção da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRGS) com colaboração do Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) - Ado Malagoli; o monumento está localizado na Av. Osvaldo Aranha, bairro Bonfim – Porto Alegre – RS.


Principais Atividades:

2005
Mediador da exposição Design’20 Formas do Olhar, GAD/Santander Cultural, Porto Alegre – RS. 

2004
Coordenador de produção do 18º Festival de Arte Cidade de Porto Alegre, Atelier Livre, Coordenação de Artes Plásticas, SMC/PMPA;
Concepção gráfica e montagem da exposição “A estação da Feira” do fotógrafo Rogério Ribeiro, Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, Porto Alegre;
Concepção gráfica e montagem da exposição “AKROPOLIS – 1996 D.C.” do fotógrafo Igor Sperotto, Espaço Cultural STB Brasas, Porto Alegre;
Pré-produção dos seguintes projetos no âmbito da Associação Riograndense de Artes Plásticas Chico Lisboa: SALÃO DE ARTES DA CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE/2004; SALÃO DE ARTES DA CHICO LISBOA/2005; FEIRA DE OUTONO DAS ARTES VISUAIS/2005; PERCURSOS IMPRESSOS: A HISTÓRIA DA GRAVURA NO RIO GRANDE DO SUL NO ANO DO BRASIL NA FRANÇA/PARIS 2005; GUIA DAS ARTES VISUAIS DE PORTO ALEGRE/2005;
Assistente de produção das Oficinas de Gravura da Exposição Impressões, um panorama da xilogravura brasileira, Curadoria Ruben Grillo, Santander Cultural - Porto Alegre;
Membro-suplente do Conselho Estadual de Cultura;
Membro da Comissão de Avaliação e Seleção de projetos do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural (FUMPROARTE), SMC/PMPA;
Vice-Presidente da Associação Cristal Florido;
Participação no Seminário: Museus de arte - a experiência brasileira, Fundação Iberê Camargo, PoA.

2003
Mediador da IV Bienal do Mercosul/MARGS;
Estágio no Santander Cultural  nos projetos da Ação Educativa para as exposições artísticas “Freud para Todos” e “Retrospectiva de Carlos Vergara”. Coord. Maria Helena Gaidizynsk e Nei Vargas;
Pesquisa do acervo documental do designer Valpírio Monteiro (GAD Design) e anteprojeto para exposição dos seus 25 de profissão;
Curso de Gravura em Metal com a artista Eliane Santos Rocha;
Membro da Comissão de Avaliação e Seleção de projetos do FUMPROARTE, SMC/PMPA.

 

2001 - 2002
Delegado das Artes Plásticas na Temática de Cultura do OP;
Membro da Comissão de Avaliação e Seleção de projetos do FUMPROARTE, SMC/PMPA;
Co-fundador e secretário da Ong de arte-educação e cidadania Associação Cristal Florido;
Comissão Pró-Museu de Arte Contemporânea;
Assistente no Estúdio da artista Zoravia Bettiol;
Oficina de “Desenho do Lugar” na Ilha da Pintada, Projeto Descentralização da Cultura - SMC/PMPA;
Membro da Diretoria da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa;
Curso de extensão - Formas de Pensar a Escultura, Profª Maria Ivone dos Santos, Instituto de Artes Visuais/UFRGS;
Bolsista do Grupo de Pesquisa de Percepção Ambiental e Desenho Urbano, Faculdade Arquitetura/UFRGS; Orient. Lineu Castelo.
Montagem e Monitoria III Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Cidade dos Contêineres.

2000
Monitoria Exposição EXÔDOS de Sebastião Salgado, Usina do Gasômetro, Coord. Margarita Kremer;
Assistente de Produção no III Congresso Brasileiro de Cinema, Hotel Embaixador, Porto Alegre;
Estágio no Projeto CETEC - Condomínio de Empresas Tecnológicas SMIC/PMPA, Coord. Arq. Urb. Ghissia Hauser.

1999
Ingressa no Instituto de Artes Visuais/UFRGS com ênfase em Desenho;
Montagem e Monitoria II Bienal de Arte Visuais do Mercosul, Arte Contemporânea, DEPRC;
Bolsista no Projeto de Extensão: "Inventário do Acervo Documental de Bens de Valor Arquitetônico do Gabinete e Estudos da Arquitetura Brasileira" - UFRGS;
Ministra Wokshop do Grupo Salvarch: "Regionalismo: movimento cultural ou um elo perdido?", XVIII Encontro Regional de Estudantes de Arquitetura - EREA, Florianópolis.

1998
Introdução à Gravura, Profº Wilson Cavalcanti, Atelier Livre;
Curso English as a Foreign Language, Torbay Language Centre, Paington - Inglaterra (03 meses);
Curso internacional “Arte e Educação” ministrado por Robert Eskridge e Jean I. Souza do INSTITUTO DE ARTE DE CHICAGO, UFRGS;
Participação no Seminário Imagem e Memória: ver e sentir a cidade, Secretaria Municipal de Cultura - SMC, Coordenação de Memória.
Participação no Seminário Internacional: "Missões Jesuíticas: rotas culturais, testemunhos materiais e patrimônio intangível", ICOMOS, Santo Ângelo.

1997
Monitoria I Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Arte e Tecnologia, Casa de Cultura Mário Quintana, Coord. Maria Helena Gaidizynsk;
Fundador da Ong de preservação do patrimônio cultural brasileiro GRUPO SALVARCH;
Monitoria da exposição Cerâmicas de Picasso no MARGS;
Curso de monitoria/MARGS, Profº. José Luiz do Amaral, destinado a formar pessoas habilitadas na orientação de visitas guiadas;
Curso de "Antropologia do Espaço", Faculdade de Arquitetura, PUCRS;
Monitoria do acervo/MARGS e de exposições temporárias;
Desenho da Figura Humana, Profº Plínio Benhardt, MARGS;

1996
Inicia pesquisa no Grupo de Percepção Ambiental e Desenho Urbano, com Bolsa do Conselho Nacional de Pesquisa/CNPq sob orientação do Profº Mh Lineu Castello;
Participação no Seminário Internacional sobre Reabilitação de Centros Urbanos, Goethe Institut, Porto Alegre;
Bolsista no Projeto de Extensão: Exposição Cerdá, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, UFRGS;
Curso de extensão, “Introdução à Restauração Arquitetônica” - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Ministrado pelo Profº Arq. Nestor Torelly Martins.
Voluntário no trabalho de preservação dos bens culturais móveis da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, sob orientação da restauradora Leila Sudbrack.

1995
Ingressa na Faculdade de Arquitetura da UFRGS.