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Seleção
de textos e fotos do Livro |
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O corpo humano, que já vinha servindo de tema a desenhos anteriores, é deslocado para uma estreita faixa à direita, ou na parte superior do papel. Ocupando a superfície restante, aparecem recantos de uma residência de classe média, com seus adereços característicos. O papel de parede estampado de flores, as fotos de família, os vasos, as imagens votivas e outros elementos recriam de forma crítica um modo de vida pleno de ordem. Mas esta ordem é quebrada por situações não previsíveis, como as inscrições infantis sobre a parede (e, às vezes, sobre os retratos da tia) onde o nome do "artista-criança" (que é o mesmo do artista) é repetido inúmeras vezes. |
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E não só o
nome, mas também releituras ou complementos dos objetos expostos (por
exemplo: borboletas desenhadas na parede, voando em torno de um vaso com
flores "reais"). É armado um jogo entre o desenho e o desenho dentro do
desenho. Porém, a quebra mais forte se dá com a visão do corpo despido, no
limite do papel. Hoje acredito que causavam incômodo pelo preconceito
contra o sexo associado à casa, mas mais ainda pela forma como surgiam, ou
se insurgiam, não integrados ao ambiente, mas sobrepostos, agregados,
expondo a realidade da ilusão provocada pelo extremo realismo na execução. |
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"Rosas
d'aprés Kosuth" - ( 1994 - 100x100cm cada módulo) Rosas de plástico e
tinta acrílica s/ tela.
Col. do Artista, Porto Alegre, RS
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... A partir de Rosas d’aprés Kosuth, inicio um fazer mais envolvido com a reflexão, tentando refazer, de certo modo, o pensamento de Kosuth, porém acrescentando um dado que me interessa: o diálogo entre cultura popular e erudita, que continuo desenvolvendo até hoje. Dois aspectos dessa mostra devem ser salientados pela relação que apresentam com a produção de 1995/1997: a exposição foi concebida como um todo em que cada peça valia por si, mas que, no conjunto, possibilitava novas leituras e o uso de imagens que, de alguma forma, se relacionam com minha infância e com minhas memórias, apesar de que "nosso ‘passado’, aquilo que tomamos por um conjunto de lembranças é, realmente, uma nova criação, uma impressão que se relaciona com os eventos atuais e as impressões do passado".(ROSENFIELD, 1988, p. 87.) |
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... As memórias - ou talvez fosse melhor falar em recordações - atuaram nestes trabalhos como elemento deflagrador, como ponto de partida da criação. Os motivos iniciais foram imagens significativas da história da arte, com as quais tive contato na infância e adolescência, entre elas o busto de Nefertite, O Nascimento de Vênus de Botticelli, a Noite Estrelada de Van Gogh, associando-as posteriormente com outras da cultura de massa e popular. De todas elas me aproprio, pois são elementos da minha história |
| O que é que tem sua cabeça? é o trabalho que deu inicio à série. No primeiro momento, ele era formado apenas pelas repetições das silhuetas da Nefertite recortadas em chitão e coladas sobre quatro telas revestidas com o mesmo tipo de tecido, em padronagens diferentes. |
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| Pretendia acrescentar ao grupo uma Carmen Miranda, propondo um diálogo entre ícones de épocas diferentes. Ao ampliar a proposta, enfatizando a memória, a associação de imagens e a agregação de novas imagens, juntando elementos a partir de um núcleo inicial - que se apresenta como uma possibilidade em aberto - tornou-se mais fácil solucionar a Carmen Miranda, pois me permiti o uso de uma linguagem que diferia das Nefertites. A representação de Carmen Miranda foi encomendada a um retratista de rua: na medida em que estou trabalhando a partir de imagens criadas por outros artistas, porque não incluir um original de outro artista? | |
| ... Trabalhando no computador, para fazer os estudos preliminares das obras a serem realizadas, havia notado que, em grandes ampliações, a estrutura das imagens é formada por pequenos quadrados - os pixels - também uma estrutura ortogonal. Ao perceber o fato de que todas as outras imagens eram construídas por redes, decidi evidenciar essa estrutura. Para tanto, utilizei uma foto do Pensador e, através de sucessivas ampliações no computador, produzi uma espécie de zoom de aproximação, expondo, assim, sua estrutura formante. |
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" A Terra é azul ", disse o astronauta russo Yuri Gagarin, na primeira viagem do homem ao espaço. Faz parte de minhas lembranças e nomeia o trabalho A Terra é azul que articula imagens infantis que associo ao céu: a foto do antigo observatório astronômico da UFRGS, anjos, a noite e suas estrelas. Fantasias e realidades, que racionalmente são ordenadas e separadas, mas que, para a criança, fundem-se e se confundem, criando um universo único de conhecimento científico e mágico. |
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"A Terra é Azul"
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Ocorreu-me usar a pintura Noite Estrelada de Van Gogh, ao lembrar que, aos 12 anos, minha tia Cila deu-me de presente um estojo de pintura com tintas a óleo. Na época, não sabendo o que pintar, ela sugeriu que copiasse alguma pintura, e escolhi a Noite Estrelada, reproduzida no Mundo da Criança. A partir desta lembrança muitas imagens foram sendo associadas. Imaginei a Noite Estrelada em fragmentos, elegendo alguns detalhes da pintura original e ampliando-os. Visualizei essa maneira como possibilidade de alterar a estrutura do trabalho, pois, nos anteriores, o ícone detonador da obra era sempre a maior tela. Foi também a possibilidade de remeter à idéia de espaço celeste, como se vêem em filmes ou desenhos animados: os foguetes andando entre planetas e estrelas. |
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